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Potência: Uma discussão entre os especialistas.
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Atualizado em 07/08/2008





Essa discussão agita os especialistas e, às vezes, confunde o consumidor O amplificador deve liberar mais potência do que aquela admitida pelas caixas acústicas? Ou estas é que precisam ser capazes de reproduzir potência maior do que a gerada pelo amplificador? Não chega a ser uma questão do tipo ?quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?, mas essa discussão costuma gerar impasses até mesmo entre especialistas. Como outras regras dos equipamentos de áudio, não há um consenso entre os profissionais em torno da potência recomendada para amplificadores e caixas. Na dúvida, muitas vezes o consumidor acaba escolhendo mal ou utilizando indevidamente seu sistema de áudio.

Mas a quais riscos você estaria exposto utilizando potência maior nas caixas ou no amplificador? Antes de mais nada, essa discussão envolve conceitos de áudio que nem sempre são bem compreendidos. O primeiro é a própria potência. Normalmente associada à qualidade do som, não é raro encontrar pessoas que associam valor maior de potência a melhor qualidade sonora, o que nem sempre é verdade. Um equipamento mais potente é capaz de tocar mais alto, apenas isso. Com um receiver ou amplificador que libere maior potência se consegue um nível menor de distorção, já que não será necessário tanto esforço para atingir determinado volume. Daí a falsa impressão de que o aparelho mais potente seja o melhor.

Outro conceito diretamente relacionado é a sensibilidade da caixa acústica. Esse valor, expresso em dB (decibéis), unidade que indica a intensidade do som, refere-se à resposta de um circuito ou alto-falante à aplicação de um sinal elétrico. Essa resposta nada mais é do que o movimento do falante, que provoca variações na pressão sonora. Quanto mais sensível a caixa, maior será o volume final obtido a partir da potência recebida do amplificador. Uma caixa mais sensível não requer um amplificador tão potente quanto outra de baixa sensibilidade. E não dá para definir a potência ideal do amplificador sem saber a sensibilidade da caixa. Mas a teoria não termina por aí. É importante entender que o alto-falante é um elemento passivo, enquanto o amplificador é ativo. Isso significa que o falante não tem potência em si, simplesmente recebe a potência produzida pelo amplificador. Alguns técnicos partem do princípio de que as caixas acústicas podem sofrer com o excesso de potência e que, portanto, devem sempre ter a capacidade de admitir potência igual ou superior à do amplificador.

?A música é dinâmica, o que significa que é feita de momentos ? seqüências ? de altos e baixos níveis?, diz o engenheiro e consultor Wagner Cerchiai, proprietário da Accuskraft, fabricante de caixas acústicas. ?E isso é agravado pelo usuário, que freqüentemente se empolga e aumenta demais o volume. Nesse caso, quem tem que segurar o exagero é o falante, que muitas vezes recebe o som do amplificador já distorcido, por excesso de volume ou abuso do controle de graves?. A conseqüência indesejável, diz ele, são os danos provocados na caixa, cuja extensão dependerá do tamanho do abuso.

Para ilustrar seu raciocínio, Cerchiai faz uma analogia com a energia elétrica: ?Se ligarmos uma lâmpada de 220 volts numa tomada de 110V, ela se acenderá fracamente, mas não queimará. Se fizermos o contrário, ela queimará instantaneamente?, explica. Em seu exemplo, a lâmpada e a caixa acústica são representadas tecnicamente como ?cargas? e a rede elétrica e o amplificador como ?fontes?. Uma carga somente prejudica uma fonte por erro grave de especificação. No caso da rede elétrica, isso ocorre quando uma lâmpada está em curto; no caso de amplificador e caixa acústica, quando esta tem impedância menor que a mínima aceitável pelo amplificador. ?Uma caixa acústica potente dificilmente se queima ou sequer prejudica um amplificador, apenas confere ao sistema uma reserva necessária e bem-vinda?, diz Cerchiai.

Do outro lado da polêmica, há os que acreditam que o amplificador deve ter maior potência para alimentar suficientemente as caixas acústicas. Aqui também há uma analogia para ajudar a entender o fenômeno. ?Imagine um motor 1.8 ou 2.0 no chassi de um carro 1000, por exemplo?, raciocina o engenheiro Henry Lua, da Syncrotape, distribuidora das caixas Mirage e Paradigm, entre outras. ?Esse motor proporcionará uma resposta excelente, tanto no que se refere às largadas rápidas e ultrapassagens quanto em curvas. Já se pensarmos no exemplo inverso, um motor 1000 não teria força suficiente para empurrar o chassi de um carro maior?, diz Lua, comparando a caixa acústica ao chassi e o motor ao amplificador. ?Quanto mais reserva de energia tiver o amplificador, melhor. Ele tem que ser capaz de dar o que a caixa pede, independente das freqüências a serem reproduzidas.?

É interessante lembrar que as baixas freqüências são aquelas que exigem mais potência do amplificador. É por esse motivo, entre outros, que nos sistemas 5.1 canais, em que há um canal específico para freqüências baixas e com reprodução através de uma caixa acústica separada (o subwoofer), exige-se amplificador dedicado. O mais comum é o sub ativo (com amplificador embutido), mas mesmo assim o usuário que gosta de acentuar os graves deve tomar cuidado. Ao ajustar o sistema, deve optar pelo modo SMALL para as caixas; se escolher o modo LARGE e aumentar demais o volume, corre o risco de danificar um dos aparelhos.

A polêmica envolvendo a potência confunde alguns consumidores a ponto de fazê-los optar por números de potência altos mesmo quando isso não é necessário. Quem tem uma sala pequena (até 15m2), por exemplo, não precisa de mais do que 80W em cada canal. Mas, para decidir se são as caixas ou o amplificador que devem ter potência maior, é importante considerar outros fatores, como sensibilidade, impedância e até os hábitos musicais da família.

Não é preciso ser especialista ou engenheiro para saber que jovens fãs de rock dificilmente se contentam com baixos volumes, principalmente se estiver ouvindo sua banda predileta. Portanto, um dos primeiros pontos a serem analisados na escolha do equipamento não envolve propriamente conhecimentos técnicos, mas um pouco de psicologia, já que se refere à expectativa do usuário com relação ao áudio. Até o gosto musical tem influência nesse caso. Tomando aquele grupo como exemplo, ao exagerar no volume tem-se logo os primeiros sinais de alerta: as distorções no som.

Considerando que a caixa escolhida admite potência muito menor do que a fornecida pelo receiver, no caso acima é quase certo que os falantes sofrem risco. Alguns modelos contam com sistemas de proteção que avisam antes que o pior aconteça, mas as caixas que não têm essa proteção mostrarão distorções audíveis, indicando que estão sendo exigidas acima da sua capacidade. Em contrapartida, se a potência do receiver ou amplificador for muito baixa, o usuário se sentirá tentado a aumentar demais o volume, o que acaba provocando a chamada ?clipagem? (ou clipping), um tipo de distorção que também pode danificar as caixas, principalmente os tweeters. Quando isso acontece, alguns amplificadores e receivers se desligam automaticamente. Porém, esse desligamento poderá vir tarde demais, pois as caixas já terão sido danificadas.

?Ouvir som alto é uma das preferências nacionais?, diz Cerchiai. ?E é difícil saber se o impulso de aumentar o volume não ultrapassará o limite aceitável, pondo em risco a caixa?. Mas os partidários do ponto de vista contrário, de que o amplificador deve ter potência superior à das caixas, argumentam que é bem mais freqüente as caixas serem danificadas por um amplificador de potência inferior (devido à clipagem) do que ao serem utilizadas com amplificadores mais potentes.

Ainda que pareça complicada, a questão é mais simples do que aparenta. Passa antes de mais nada pelo bom senso e, é claro, por um projeto bem dimensionado, de acordo com as expectativas do usuário. Nesse sentido, são muitos os casos, como lembra Lua. ?Som residencial não é adequado para dar festas. É preciso saber exatamente o que se quer do equipamento, para poder fazer a melhor escolha?. A verdade é que nas mãos de uma pessoa que saiba utilizá-los com os devidos cuidados, um amplificador ou receiver pode ser ligado a caixas com especificações de potência muito superiores ou inferiores às suas sem risco de danos. Porém, esse é o tipo de sensibilidade que só se adquire com alguns anos de experiência e, algumas vezes, após alguns estragos pelo caminho.

?Na dúvida, por precaução é preferível escolher equipamentos com valores aproximados, ou seja, uma caixa que admita potência com valor semelhante ao produzido pelo amplificador?, recomenda Carlos Zattar, da Som Maior, que distribui no Brasil as caixas B&W e Klipsch. Mas ele dá uma dica: amplificadores e receivers com potências acima da faixa dos 100W RMS por canal são geralmente os mais caros e estão associados a uma qualidade de áudio melhor. ?Com uma configuração desse tipo, é bem provável que se consiga resultado superior?, diz ele. Já em relação às caixas, o fato de serem especificadas com potência alta não garante sua qualidade; poderão simplesmente tocar mais alto, mas também distorcer mais.







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