Na área de eletrônicos, assim como na vida, boas coisas acontecem para aqueles que esperam. Boas como preços em queda.
O custo para as TVs de grandes dimensões, que tem caído cerca de 25% ao ano, devem cair ainda mais no final de ano, de acordo com os analistas da indústria. As liquidações que se esperam refletem uma confluência de fatores de mercado e que beneficiará os consumidores que forem às compras neste final de ano.
Os preços estão em queda livre, disse David Naranjo, que acompanha o mercado de TVs para a empresa de pesquisas DisplaySearch. A melhor evidência disso é a expectativa dos analistas de que nas próximas semanas a Panasonic anuncie uma queda de cerca de US$ 500 nas suas TVs de plasma, que têm preço médio de US$ 3500. Executivos da empresa se recusaram a confirmar ou negar qualquer especulação mas como a empresa vende a maioria das TVs de plasma nos EUA, um possível ajuste nos preços seria uma notícia precursora de uma guerra de preços em todos os tipos de TVs de grandes telas.
Se eles caírem para US$ 3 mil, meu preço será US$ 2999, disse James Li, executivo chefe da Syntax Groups, fabricante da marca Olevia de TVs de tela plana.
Tudo isso é mágica para qualquer um que está pensando num upgrade em relação àquela velha TV CRT para telas com 40 ou mais polegadas nos três formatos mais populares. As TVs de plasma com 50 polegadas, que eram vendidas por US$ 20 mil há cinco anos, custam perto de US$ 4 mil atualmente. Uma TV de retroprojeção ou LCD TV custará um pouco menos, na faixa de US$ 1800. Isso não significa que escolher uma TV será uma tarefa fácil. Não se trata mais de uma questão de preço ou tamanho. Existem cerca de oito tecnologias competindo pela sala do consumidor, sem contar as diferentes dimensões de telas e padrões que o forçam a optar entre pelo menos 12 diferentes tamanhos.
Vamos tentar resumir a questão. O LCD costumava ser para pequenas telas, o plasma para médias e as TVs de projeção DLP para as grandes. Embora estas últimas tenham apresentado uma oferta atraente, o plasma tinha uma vantagem de apresentar telas grandes e planas. Agora as LCD TVs são tão grandes quanto e as TVs DLP também apresentam telas planas.
Com uma sobreposição de tecnologias na faixa de 32 a 46 polegadas, as diferenças de preço se estreitam, ou seja, um corte de preço em uma tecnologia força cortes nas outras também.
Enquanto todas estas mudanças tornam qualquer decisão de compra mais complexa, os cortes de preço podem compensar pelas dores de cabeça. O consumidor leva vantagem nesse jogo, disse Jonas Tanenbaum, diretor de marketing para telas planas na Samsung dos EUA.
O problema com comprar qualquer nova tecnologia é que amanhã ela será mais barata e melhor. Então qual o porquê de não esperar um pouco mais? Quando você vai comprar um ativo que está sendo depreciado, faz sentido esperar o máximo que você puder. Mas nesse estágio, com a introdução de grandes telas com alta definição, os consumidores não devem sair correndo atrás de tecnologias que os façam lamentar a sua compra no futuro. Neste ano há uma série de razões para comprar uma grande tela, especialmente as que oferecem alta definição. A Nascar e a Liga Nacional de Futebol Americano já começaram a transmitir vídeo em alta definição. (Quando a decisão de compra cai para a faixa de US$ 2 mil, pesquisas mostram que os homens tomam a decisão de compra).
As redes de TV também estão transmitindo mais vídeo e conteúdo em alta definição mas não é tão divertido assim assistir ao noticiário com toda a clareza ou então perceber o suor voando do rosto de um atleta. O conteúdo faz toda a diferença. O Mundo encantado de Walt Disney começou a transmitir vídeo a cores em 1961, mas os fabricantes lembram que a venda de TVs em cores não decolou antes de meados da década de 60, quando a maioria das redes começou a transmitir sua programação em cores. A queda dos preços de grandes TVs abaixo da faixa de US$ 2 mil ? o custo aproximado de uma TV colorida no final dos anos 60, ajustado pela inflação ? também deve aumentar a demanda neste ano. Uma série de fatores está fazendo essa queda acontecer mais rápido do que qualquer um poderia esperar. Fabricantes na China e Taiwan, os chamados fabricantes de terceira classe e que poucos ouviram falar como Vestel, Changchong ou Xoceco, estão lançando LCD TVs com preços muito agressivos em redes do varejo como Costco e Wal-Mart ou em lojas online.
Fabricantes com grandes margens têm outra ameaça vinda do Texas. A Dell está aplicando ao mercado de TVs a mesma estratégia de cadeia de suprimento de baixo custo e vendas direto ao consumidor e que gerou os atritos da marca na área de computadores pessoais. Enquanto outros estão vendendo telas de plasma de 42 polegadas por US$ 7 mil, a empresa lançou no mercado um modelo de US$ 3500. Ela pode fazer isso porque consegue trabalhar com margens em torno de 16%.
Os conhecidos fabricantes japoneses e coreanos, com margens perto de 40%, estão descobrindo que eles precisam cortar preços ou perderão vendas. Alguns estão tentando fazer os revendedores cortarem suas margens para cerca de 10% para oferecer TVs por menos ainda. A Dell está agora fornecendo uma TV de plasma HDTV de 42 polegadas por US$ 2600 e a empresa sugere que pode baixar o preço ainda mais dependendo de acordos com os fornecedores de componentes.
Michael Farello, vice presidente para eletrônicos de consumo da Dell para os EUA disse que ele estava comparando os anúncios dos anos 90 quando a Dell vendia PCs por US$ 3500 enquanto outros fabricantes vendiam produtos similares em torno de US$ 6 mil. Não é a primeira vez que isso acontece, disse ele.
Em meio a toda essa competição, novos fatores na Ásia estão pressionando o mercado de TVs finas. A teoria econômica reza que à medida em que os volumes crescem, os custos diminuem. Fabricantes de TVs podem baixar preços e cobrir o custo de novas fábricas com um aumento no volume de aparelhos vendidos. Mas muitos das grandes marcas decidiram abrir novas unidades fabris então agora há um excesso de telas de plasma, que deve aumentar ainda mais. Isso forçará os fabricantes como Panasonic, Philips, Samsung e a Sony a cortar preços ainda mais para não sofrerem maiores prejuízos com o excesso de produção pelo resto da década.
O preço está sendo guiado pela capacidade, afirma Gary Merson, editor da newsletter HDTV Insider.
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