
O que você diria se seu filho tivesse um chip implantado sob a pele ou no cordão umbilical? Parece filme de ficção científica? Para o inventor Edymar Dutra de Oliveira, presidente da Cooperativa de trabalho dos intelectuais e inventores do Brasil, é a mais pura realidade. Seu quinto filho, que nascerá até julho, será o primeiro bebê do mundo a receber o babychip, nome que o cientista deu ao seu invento. ?Esta tecnologia foi desenvolvida para uma nova geração, não é para os adultos de hoje. Ela é um sinal dos novos tempos?, analisa o inventor.
A proposta inicial do babychip é a de acumular informações clínicas sobre a criança, além de funcionar como aparato de segurança, impedindo que o bebê seja roubado ou trocado no hospital. O conceito é semelhante ao das fichas médicas que acompanham cada paciente com informações sobre doenças, tipo sanguíneo, filiação, entre outros aspectos.
O Chip é pinçado no cordão umbilical, após o nó, no momento do parto. Quinze dias depois do nascimento, o chip cai, junto com o cordão umbilical. Depois disso, a mãe deve guardá-lo e, quando a criança estiver mais crescida, poderá escolher se quer usar o chip, seja em um implante subcutâneo ou como um anel, um brinco, uma aliança, enfim, como um acessório ou não.
No caso da mãe, ele pode ser colocado na pele e ela pode guardá-lo para usar em um relógio ou em outro acessório. ?O chip é capaz de armazenar até 100 anos de informação em formato de texto e quando a localização de pessoas for autorizada pelo governo, ele também poderá servir para isso?, conta Oliveira.
Assim que a gravidez é diagnosticada, o médico prescreve dois chips: um para a mãe e um para o bebê. Ao longo da gestação, os dois chips recebem dados sobre o pré-natal, com informações sobre a mãe e sobre a criança. Na hora do nascimento, são armazenadas informações sobre a equipe responsável pelo parto, características do bebê, berço, incubadora ou quarto para onde a criança foi levada e o nome da enfermeira responsável. Qualquer troca de quarto ou berço é inserida no chip. Não é possível retirar a criança do hospital sem autorização, pois um alarme é disparado.
Mas o chip não funciona isoladamente. É preciso que o hospital instale um sistema de segurança, com sensores de localização em portas, berços e incubadoras, entre outros equipamentos. O sistema completo custa cerca de R$ 500 mil para cada hospital, segundo estimativas de Oliveira. O valor de cada chip pode variar de R$ 500 a R$ 2,5 mil, dependendo do tamanho do hospital.
O babychip ainda não está à venda e Oliveira não tem idéia de quando será possível comercializá-lo. Há cinco anos ele deu entrada no pedido de patente, mas ainda não obteve resposta ? em média, o processo leva oito anos. Enquanto isso, a fila de interessados já chega a cinco mil pessoas ? este é o número de e-mails que Oliveira recebeu pelo site babychip.com.br , que tem informações sobre o invento.
Pelo sim e pelo não, Oliveira quer garantir o pioneirismo e vai implantar o chip no cordão umbilical de seu próximo filho. Para isso, construiu uma ala hospitalar móvel, com o sistema babychip instalado, e está negociando o nascimento do bebê com hospitais em todo o Brasil.
?Não tenho noção de quando terei a patente, isso depende do governo. Mas tenho certeza de uma coisa: o meu quinto filho vai nascer com o babychip e o hospital escolhido para o nascimento dele será o hospital piloto para o mundo todo?.