
Brent Butterworth
Quando foi lançado, no começo dos anos 90, o THX doméstico chamou atenção devido às caixas bipolares surround, os circuitos processadores de sinal e o controvertido design horizontal do falante frontal. No debate sobre o design do THX, o que em minha opinião passou despercebido foi um detalhe de design que na época nem tinha nome; hoje, o chamamos de "gerenciamento de graves"
(bass management).
Ultimamente, o gerenciamento de graves não é encontrado somente em equipamentos THX, mas em todos os equipamentos Dolby e processadores DTS. Sua função é simples: direciona os sons graves para os alto-falantes apropriados.
Uma boa idéia, obviamente, mas existe muito mais para se fazer - escolher um equipamento com um sistema de graves para as suas caixas pode fazer uma grande diferença na performance de um receiver, de US$500 a US$ 5000. Este artigo irá dizer o que procurar num gerenciamento de graves, como usá-lo, e como resolver alguns problemas que o gerenciamento apresenta em alguns receivers e processadores.
Princípios dos graves
A princípio, um sistema de gerenciamento de graves consiste em filtros para os alto-falantes da esquerda, direita, centro e surround, mais um filtro de alta para o subwoofer (um filtro high-pass permite a passagem de altas freqüências e bloqueia as baixas; um filtro de baixa faz exatamente o contrário.) Existem dois objetivos básicos aqui: primeiro, o filtro de alta não permite que os sinais graves profundos sobrecarreguem os woofers de menor tamanho em seu sistema, o que minimiza a distorção e aumenta a vida útil do falante; segundo, o filtro de baixos mantém o midrange e as freqüências de agudos fora do sub, fazendo com que seus ouvidos não possam reconhecer o subwoofer (que geralmente é posicionado em um dos lados da sala ou em um canto) e as vozes não pareçam artificiais.
Geralmente, ativa-se estes filtros usando o menu no receiver ou pré-amplificador/processador. Escolhendo um alto-falante comum ou surround pequeno aciona os filtros de alta passagem, e quando escolher grandes falantes frontais desativa-os. No mesmo menu você irá também encontrar uma chave liga/desliga para o subwoofer. Alguns menus, no entanto, só permitem escolher a partir de uma pequena combinação de teclas.
Mas o gerenciamento de graves vai muito além disso. As freqüências que esses filtros operam têm grande efeito na performance do seu equipamento. Em alguns casos, os filtros de que você precisa podem não estar lá, ou eles devem ser consertados. Evite filtros que ficam sempre ligados. Infelizmente, não existe padronização no gerenciamento de graves.
Todos os equipamentos THX oferecem um ponto de crossover (freqüência de corte) de 80 Hertz, o que é bom, um divisor de freqüências geral para sistemas de home theater (alguns oferecem um divisor extra). A Dolby, no entanto, não é tão taxativa em relação ao gerenciamento de graves. Todos os processadores Dolby Digital e receivers devem oferecer ao menos um modo de gerenciamento de graves para todos os pequenos falantes satélite com subwoofer. E outro modo para falantes grandes esquerdo e direito (este modo pode oferecer a opção de se usar um subwoofer, mas a inclusão desta função não é exigência da Dolby). Um terceiro modo, requerido por alguns produtos Dolby, dá a opção de usar "grandes" falantes (esquerdo e direito) e surrounds com um pequeno falante central (novamente, a opção de usar um subwoofer neste modo não é obrigatória).
O manual Dolby recomenda a inclusão de funções mais avançadas de gerenciamento de graves, mas não as exige ou especifica divisores de freqüências. A Dolby só especifica o gerenciamento de graves em DD e Pro-Logic. Se você estiver ouvindo em estéreo ou algum tipo especial de surround, os fabricantes de receivers e processadores é que irão recomendar o mais conveniente.
Subwoofers maiores, de 15 ou 18 polegadas, são muito lentos para reproduções otimizadas de freqüências acima de 50 ou 60 hertz.
Erros de grave
Os modos de gerenciamento de graves requeridos pela Dolby são suficientes para muitos sistemas de falantes, desde que se tenha um razoável divisor de freqüências (algo como 80 hz). No entanto, já vimos alguns receivers e pre/pros que, embora utilizem as especificações Dolby, apresentam limitações no sistema de gerenciamento de graves que podem causar um impacto negativo na performance do sistema.
Há receivers e pre/pros que desativam o sistema de gerenciamento de graves quando você altera para estéreo - não importa a configuração que tenha sido feita para DD, eles alteram para grandes falantes (direito e esquerdo) e desativam o subwoofer quando em estéreo. A idéia por trás disso é que alguns audiófilos puristas que têm uma variada gama de falantes podem querer desativar o sub quando ouvem música. Neste caso faz sentido, mas você terá problemas com falantes frontais pequenos - quando altera para estéreo, os pequenos serão sobrecarregados de graves e provavelmente irão distorcer o som e até estourar. E, é claro, quando ouvindo música você vai querer se deliciar com aquele subwoofer que custo centenas ou milhares de reais !
Outros receivers e pre/pros que testamos só permitem o uso de caixas surround pequenas. Nós, particularmente, nunca achamos que fossem necessáriom vários falantes surround, mas muitos preferem o som de grandes falantes no fundo da sala. Também, como mencionei anteriormente, alguns receivers e pre/pros desativam o subwoofer quando você seleciona os grandes falantes frontais. Este é um grande problema para muitos entusiastas do home theater (especialmente aqueles que têm salas grandes) que precisam aumentar a performance de seus falantes de graves com um subwoofer.
Para melhor funcionamento, um receiver irá ajustar os falantes frontais e surround como "grande" ou "pequeno" independente de como os outros falantes estão ajustados. E também manterá a mesma configuração para qualquer surround que esteja sendo utlilizado, assim como permitirá utilizar um subwoofer existindo ou não grandes falantes frontais. A maioria dos receivers e pre/pros oferecem estas opções nos menus de gerenciamento de graves. Infelizmente, alguns não.
Graves ainda melhores
Alguns dos produtos que testamos dão uma opção de gerenciamento de graves extra que pode fazer grande diferença: divisores de freqüência múltiplos.
O divisor de freqüências de 80 Hz da THX funciona bem para os falantes THX, e, é claro, também para muitos falantes centrais de tamanho médio. No entanto, se você está utilizando várias caixas do tipo torre, isso não é bom - estas torres provavelmente funcionam bem abaixo de 25 e 50 Hz; se você usa um crossover de 80 Hz, toda aquela capacidade de reprodução de graves não é utilizada. Você deve, neste caso, guardar algum dinheiro e comprar caixas menores.
Você tem também outra opção - configurar o receiver ou pré/pro para grandes falantes frontais. Algumas caixas tower podem reproduzir graves altos. A maioria delas irá começar a destorcer se você tocar graves profundos como o de um órgão ou sintetizador e aumentar o sistema para além de 90 decibéis (a média do nível da pressão do som, medida em sua poltrona). Existe mais um problema com um divisor de freqüências de 80 Hz: muitos dos grandes subs não funcionam bem na freqüência de 80 Hz. Woofers menores, de 6 ou 8 polegadas - como aqueles encontrados em muitas caixas tower - têm som bem melhor nesta região, propiciando melhor definição.
Vocês percebem onde quero chegar? Que tal se você pudesse definir um corte de freqüências em, digamos, 50 Hz? Então seu grande subwoofer poderia suportar os graves profundos e as caixas tower ficariam com os graves mais altos. Você teria o melhor dos dois mundos. Bem, alguns pre/pros e receivers têm esta opção. Alguns, como o Theta Casablanca, permitem ajustar o ponto de corte com pequenos incrementos com um ajuste mais preciso. A maioria, no entanto, possibilita apenas a escolha de alguns pontos de divisão de freqüência, na maioria das vezes apenas três. Se eles forem os pontos certos, tudo bem. Creio que oferecer 40, 80 e 120 Hz como pontos de corte faz sentido - você tem o ponto de 40 Hz para as menores caixas tower, o ponto de 80 Hz para as caixas bookshelf e o ponto de 120 Hz para as menores satélites.
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