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Progressive Scan: A imagem do novo milênio
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Atualizado em 06/08/2008





Luciano Guimarães

O final do século 20 trouxe grandes avanços tecnológicos ao campo do entretenimento doméstico. O DVD tomou de assalto os lares americanos e segue o mesmo caminho no Brasil. A TV Digital deixou as pranchetas dos estudiosos e já é realidade. Entretanto, embora não seja de hoje que som e imagem caminhem juntos, sempre considerei que a qualidade do áudio estava algo à frente. Se nos últimos anos os avanços nesse setor nos fizeram reavaliar nossos costumes auditivos (notoriamente com o advento do áudio digital multicanal), em termos de imagem ainda faz-se uso da mesma tecnologia utilizada no início das transmissões de TV.

O DVD e a TV Digital vieram colocar a imagem no mesmo patamar de desenvolvimento do áudio, de forma que, pela primeira vez, o áudio hi-fi passou a ter uma companheira à altura. Ainda assim, o principio de formação de imagem permaneceu até então inalterado, pois ainda se faz uso do processo de campos com ?varredura entrelaçada? (interlaced scan). Atualmente, já no curso normal do desenvolvimento dos players DVD e da TV Digital, os fabricantes começam a introduzir novo conceito de formação de imagens: ?varredura progressiva? (progressive scan). Para entender as diferenças entre os dois sistemas é necessária noção, ainda que básica, sobre como as imagens de vídeo são formadas.

As imagens que chegam aos nossos lares, seja via satélite ou mesmo através de um DVD player, são preliminarmente captadas por câmeras profissionais, e é nesse estágio que se começa a definir os padrões de formação de imagens. Após passar pelo conjunto óptico da câmera, a imagem deverá ser interpretada por um dispositivo tecnicamente conhecido como CCD (Charge-Coupled Device). Após receber o sinal luminoso, o CCD o explora através de um feixe de elétrons e com freqüência constante. A esse trabalho de exploração damos o nome de ?varredura?, que acontece de duas formas: na vertical, a uma freqüência de 60Hz (a mesma freqüência fundamental de nossa rede elétrica), e na horizontal, com freqüência de 15,75KHz. Assim, o sensor formador de imagens é explorado 60 vezes por segundo na vertical e 15.750 vezes na horizontal. O que nos interessa aqui é a exploração no sentido horizontal.

A imagem formada em televisores é composta de linhas horizontais, sendo que a união de todas as linhas disponíveis forma a imagem por completo. Se o leitor se aproximar bastante da tela de seu televisor, verá claramente as linhas das quais estou falando. O padrão utilizado para transmissões no Brasil faz uso de 525 linhas horizontais (480 ativas e visíveis) em varredura entrelaçada. Em tal processo, a imagem é dividida em dois campos: campo de linhas pares e de linhas ímpares. Primeiramente, o feixe de elétrons passa formando as linhas ímpares, na seqüência 1,3,5, 7... até 525 (total de 263 linhas ímpares), levando para isso 1/60 de segundo. Após essa passagem inicial, o feixe retorna ao ?início?, para então começar a formar as linhas pares, na seqüência 2,4,6, 8... até 524 (262 linhas pares), levando para isso iguais 1/60.

Um dos inconvenientes do vídeo entrelaçado se manifesta quando da captação de imagens em movimento, pois os dois períodos de tempo necessários para formação de uma imagem completa se mostram excessivos. Após a formação do campo ímpar, o objeto filmado não mais estará no lugar original, só que ainda faltará a formação do campo par. Assim, faz-se uso de circuitos de correção, o que torna a imagem levemente distorcida nas bordas, e muitas vezes com brilho e cores inconstantes.

Há muito já se estuda uma maneira mais eficaz (e rápida) para formação de imagens. Desde meados da década de 90, inúmeras empresas passaram a testar a formação de imagens através de varredura progressiva. A Toshiba do Japão foi a primeira empresa a investir pesadamente na nova tecnologia, estendendo tal recurso a seus DVD players e televisores compatíveis com SDTV e HDTV. Mas em que a imagem progressiva difere da entrelaçada?

Na imagem entrelaçada existem dois campos de linhas a serem interpretados e formados; já na progressiva existe um único campo. O feixe de elétrons efetua a varredura no sensor, passando a formar imagens em linhas em ordem crescente e de forma seqüencial (1,2,3,4, 5... 525), gastando nesse processo 1/60 de segundo; exatamente o mesmo tempo necessário para a varredura de um único campo (par ou ímpar) na imagem entrelaçada. Isso significa que a varredura progressiva permite maior quantidade de informações de vídeo no mesmo espaço de tempo. Para isso acontecer, a velocidade de varredura deve ser maior, no caso 31,5KHz (o dobro da velocidade em varredura entrelaçada). O vídeo progressivo elimina os problemas manifestados na captação de imagens em movimento, pois consegue formar imagens completas na metade do tempo, o que elimina estágios de correção, tornando as imagens mais nítidas. Esse é um dos motivos pelos quais o vídeo de varredura progressiva mostrou-se ideal para transmissões de TV Digital.

Inicialmente, a proposta da Toshiba em disponibilizar saídas de vídeo progressivo em seus DVD players encontrou obstáculos, já que a varredura progressiva era incompatível com o já existente sistema anticópias ?Macrovision?. Como agravante, havia o fato de a maioria dos televisores existentes no mercado mundial serem incompatíveis com o vídeo progressivo, uma vez que faziam uso de formato entrelaçado para imagens.

Passado esse período inicial marcado por incompatibilidades (tanto técnicas como conceituais), vários fabricantes decidiram apostar na nova tecnologia, e já disponibilizaram ao mercado norte-americano diversos players e transportes DVD com conexões vídeo componente, que entregam sinal de vídeo progressivo. É o caso da própria Toshiba, Pioneer, Panasonic, JVC e Samsung, além de empresas do segmento high-end, como Proceed (Transporte PMDT) e EAD (e seu TheaterVision), isso só para citar alguns. Detalhe: a varredura progressiva só poder ser utilizada através de conexões de vídeo componente, o que obriga que todo player ou transporte Progressive Scan possua no mínimo um set de conectores desse tipo.

Em 1999, a Pioneer causou espanto ao anunciar seu primeiro player Progressive Scan (modelo DV-434) por preço inferior a US$ 500 no mercado americano. Para uma tecnologia nova (o que sempre implica em alto custo) e pouco usual, esperava-se aparelhos com preços mais elevados. Mas, como no mundo da tecnologia de ponta não existem milagres (pelo menos não quando o assunto é financeiro), a redução no preço final do aparelho veio acompanhada de recursos apenas básicos e de um gabinete de resistência questionável.

Para garantir o sucesso dos novos equipamentos, os fabricantes se viram obrigados a equipá-los igualmente com saídas de vídeo entrelaçado, possibilitando assim ao usuário escolher o formato mais adequado à sua utilização. Como toda novidade é benéfica ao aquecimento do mercado, a maioria dos lançamentos chega recheada de recursos, mostrando que as empresas não pouparam despesas.

Necessário foi também o desenvolvimento e lançamento no mercado de televisores e projetores capacitados a explorar a novo formato. Vale aqui destacar que todo disco DVD traz imagens originalmente gravadas em vídeo progressivo. Assim, os players (inclusive aqueles instalados em nossas residências) efetuam internamente a conversão para o formato entrelaçado, de maneira a torná-los utilizáveis junto a televisores comuns. O indispensável estágio de conversão é responsável por perdas de qualidade, de forma que melhor se faz utilizando a imagem em seu formato original.

Isso significa que para assistir imagens progressivas será necessário trocar o TV ou projetor? Infelizmente sim, exceto caso seu equipamento já possibilitar compatibilidade com formatos de DTV (TV Digital). Quando se fala em TV Digital, é plausível imaginar receptores com a maior qualidade de imagem possível. A transformação de sinais de imagem em bits possibilita inúmeras manipulações, mas principalmente a transmissão de imagens com maior quantidade de informações sem perda de qualidade.

Existem vários padrões de resolução para a TV Digital: 480i (?i? de interlaced, ou ?entrelaçado?), 480p (progressivo), 720p e 1080i. O formato SDTV (Standard Definition TV) faz uso das definições padronizadas para transmissões digitais, utilizando imagens com 480 linhas ativas (entrelaçadas ou progressivas). Já o padrão HDTV (High Definition) utiliza 720p ou 1080i, sendo estes verdadeiramente de ?alta definição?.

Mas, pelo menos inicialmente, toda essa tecnologia não estará acessível ao grande público, pois os DVD players com saída de vídeo progressivo já lançados ainda apresentam preços elevados até mesmo para o alto poder aquisitivo do consumidor norte-americano (o que dizer então quando chegarem ao Brasil?). Mas espera-se breve reversão nesse quadro, já que os fabricantes acenam com novos lançamentos ainda para o 1º semestre de 2001, por preços abaixo de US$ 500 nos EUA. Já quanto ao preço de televisores e projetores compatíveis com o formato... bem, isso já é outra história!

Obs.: veja na edição #57 da revista HOME THEATER uma tabela comparativa com os DVD players já lançados que possuem circuitos de processamento progresive scan.



* Vinicius Barbosa Lima é colaborador da revista HOME THEATER.







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