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Projetores: Iguais...pero no mucho
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Atualizado em 07/08/2008





Se você está se familiarizando agora com projetores, já deve ter reparado que alguns modelos se parecem incrivelmente com outros, de marcas diferentes. Você está enganado: eles não se parecem ? eles ?são? iguais. Ou quase isso. O motivo é a expansão do chamado OEM, uma estratégia de produção e de marketing que atualmente envolve a maioria das empresas do setor eletrônico e de consumo.

A sigla OEM atende pela definição de ?Original Equipment Manufacturer?, ou algo como ?fabricante original do equipamento?. Não se trata de exclusividade da indústria eletrônica, mas como nesse caso algumas tecnologias são ainda dominadas por poucas empresas é natural que o sistema OEM venha se proliferando. Isso não é necessariamente ruim: graças a essa estratégia, aumenta a concorrência em nível mundial, com os usuários tendo acesso a uma variedade muito maior de produtos.

Numa área de alta especialização, como é a de projetores, a prática do OEM é quase que obrigatória. São realmente poucas as empresas, hoje, que fabricam esse tipo de aparelho e/ou seus componentes. A maioria das marcas que estão no mercado vem de empresas que compraram de outras o direito de montar os produtos, ou de ? em alguns casos ? reconfigurá-los conforme as necessidades de seus clientes. Quando isso acontece, a empresa que adquiriu o direito pode então comercializar o mesmo produto com sua marca, o que nem sempre é visível para o usuário final.

É por isso que, em feiras de negócios e mesmo lojas especializadas, muitas vezes se encontram dois ou mais aparelhos que parecem exatamente iguais. Há casos em que a empresa compradora decide simplesmente manter-se fiel ao design original, apenas adicionando sua marca. Em outros, opta-se por alterar o design preservando as partes internas. Certas empresas adotam ainda uma terceira via: compram os componentes básicos e acrescentam circuitos, lâmpadas, lentes e até chassis, criando uma espécie de híbrido. Dependendo da estratégia de marketing, pode ser um bom negócio oferecer no mercado um produto semelhante a outro.

Do lado de quem vende os direitos, este também pode ser um bom negócio ? embora à primeira vista pareça quase uma concorrência desleal. Fabricar um aparelho e cedê-lo para que outra empresa comercialize pode maximizar os lucros e as possibilidades de distribuição em mercados a que o fabricante original não tem acesso. No segmento de projetores, são bem poucas as empresas que detêm todo o processo atualmente. Isso é ainda mais comum no sub-segmento de projetores portáteis, que é hoje o que mais cresce em todo o mundo. A maioria das empresas que compram não gostam de admiti-lo, preferindo induzir no usuário a idéia de que realmente fabricam os aparelhos, mas na prática nada há de errado nisso.

Um dos líderes mundiais hoje é a norte-americana InFocus, que teve no seu modelo LP330 um sucesso de vendas há dois anos. Pois o mesmo aparelho podia ser encontrado em lojas dos EUA com as marcas Kodak, IBM ou Toshiba, pois estas empresas haviam feito acordos com a InFocus para isso. Da mesma forma, a japonesa Plus desenvolveu junto com a NEC o ultracompacto U2-1080 e depois repassou os direitos de comercialização, via OEM, para Sharp, Panasonic e a própria NEC. No caso da Sharp, decidiu-se por algumas alterações no projeto, como a inclusão de conectores digitais.

Na verdade, muitos dos projetores ultraportáteis do mercado são fabricados por apenas duas ou três empresas que se especializaram nesse segmento. E todas estão vendendo basicamente a mesma máquina. Isso vale também para outros setores da indústria, e o único problema é que, ao tentar escolher, o consumidor pode ficar um pouco confuso.

Para entender melhor como essa engrenagem funciona, é bom conhecer um pouco de História. Há dez anos, quase não existia a produção em OEM. Cada fabricante fazia seus próprios projetores. Uma empresa que desempenhou papel fundamental nesse campo foi a americana Proxima, hoje incorporada pela InFocus, que participou ativamente do desenvolvimento dos painéis LCD, usados nos projetores de então, de tamanho grande, chamados over-head. Então chamada Computer Accessories, ela produzia todos os seus displays, mas comprava os painéis da japonesa Kyocera, acrescentando a eles seus circuitos impressos e montando os aparelhos em sua unidade no México.

A redução de tamanho dos projetores foi possível graças à construção monobloco, em que o conjunto todo era montado dentro de um kit contendo lâmpada, unidade óptica e um ou mais painéis LCD. Foi o embrião dos projetores portáteis como conhecemos hoje. A japonesa Epson foi uma das primeiras a vender projetores em sistema de OEM ? curiosamente, a InFocus foi seu cliente por um bom tempo. Mais tarde, a Sanyo lançou o projetor LCD de três painéis, maior e com mais brilho que o Epson, já incluindo resolução nativa VGA (grande avanço para a época), e fez acordo de OEM para distribuição pela Proxima.

Mas por que duas potências japonesas, como Epson e Sanyo, aceitaram esses acordos com empresas estrangeiras? Simples: InFocus e Proxima eram vistas então como grandes forças para impulsionar as vendas dentro do mercado americano, o maior do mundo. Na verdade, a Sharp era a única marca realmente forte em LCD naquele início de anos 90; outros gigantes ? como Sony, Mitsubishi e Panasonic ? preferiam concentrar-se em projetores maiores, do tipo CRT, que custavam em torno de US$ 30.000 e chegavam a pesar 150kg! Por muitos anos, criou-se uma divisão no mercado: de um lado, projetores leves, práticos e baratos, que as pessoas queriam levar para qualquer lugar; e, de outro, modelos grandes, caros e complicados de ajustar, mas que oferecem qualidade de imagem bem superior. Usuários de um lado em geral desprezavam os do outro.

A confusão sobre quem fabrica o quê começou quando InFocus e Próxima adotaram os modelos da Sanyo e da Epson mas fizeram questão de destacar suas próprias marcas, como se a produção fosse realmente sua. Os verdadeiros fabricantes não se importavam, até porque, se fosse um fracasso de vendas, a culpa não seria atribuída a eles. Mas não foi um fracasso, pelo contrário: foi um sucesso tão espetacular que em pouco tempo a tecnologia LCD passou a dominar o mercado.

As conseqüências desse êxito foram duas. Primeiro, com o crescimento do LCD, mais e mais companhias passaram a procurar o sistema de OEM, que por sua vez acabou se tornando um sucesso também. E, segundo, alguns dos fabricantes originais agora queriam os créditos por criar os projetores que outros estavam vendendo. O problema é que até hoje muitas empresas compradoras de OEM agora não querem dividir esses créditos!

Atualmente, o OEM é uma realidade incontestável. No setor de projetores, três empresas detêm as tecnologias mais importantes ? Epson, Sony e Texas Instruments. A Epson não vende projetores prontos a outros fabricantes, mas mantém acordos para fornecimento de painéis LCD, por exemplo. Assim como a Sony, fabrica todos os itens de seus projetores, incluindo os circuitos. Já a Texas introduziu os painéis DMD, que equipam projetores DLP, e os vende através de OEM. Mas não fabrica projetores.

Se, por acaso, alguém quiser comercializar um projetor, pode comprar da Epson os componentes internos e montá-los com um chassi qualquer. É o que muitas companhias fazem hoje. Outras preferem comprar cada componente de um fornecedor e fazer sua própria linha de montagem, criando assim novos produtos. É um caminho também, e não necessariamente pior ou melhor que o anterior. Na prática, uma empresa que encomenda peças de vários fornecedores tem condições de selecionar melhor o que compra e, portanto, otimizar sua produção. O único detalhe é que o consumidor deveria ser informado disso.

Na verdade, é praticamente impossível acompanhar esses acordos e checar quem está comprando de quem. Certos acordos duram anos, enquanto outros referem-se apenas a determinados itens que logo saem do mercado. Além disso, mesmo quando fecham acordos de OEM certos fabricantes promovem alterações na finalização, como introduzir um slot de PC Card ou mudar a posição das teclas de comando. Outra prática comum é um fabricante fabricar por sua conta certas linhas e adotar OEM para outras. Ou então adquirir sobras de estoque de outro, aplicando sua marca sobre o produto.

Alguns críticos questionam essas políticas, dizendo que isso não é OEM. O verdadeiro e saudável OEM, na verdade, seria uma espécie de cooperação entre duas empresas, com intercâmbio de idéias e experiências e investimento mútuo em pesquisas, de forma que ambas agreguem valor ao produto. Muito diferente daquele supermercado que simplesmente apanha o produto de alguém e coloca sua marca por cima. Se acontecer de você comprar um projetor nessas condições, não se esqueça de checar a garantia. Quando é um fabricante de verdade que está vendendo, ou seu distribuidor autorizado, você estará coberto. Agora, quando for a lojinha da esquina...

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Palavras-chave: Projetores | Iguaispero | No | Mucho | Mercado
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