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Propagação vegetativa do bacuri
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Atualizado em 14/01/2008

Métodos de Propagação do Bacurizeiro,

(Platonia insignis Mart.)

O bacurizeiro (Platonia insignis Mart.) é uma espécie arbórea de uso

múltiplo (fruto e madeira) nativa da Amazônia Oriental Brasileira. Os frutos

dessa Clusiaceae ocupam posição de destaque na preferência dos consumidores

dos Estados do Pará, Piauí, Maranhão e Tocantins, onde concentram-

se densas e diversificadas populações naturais. A madeira apresenta

boas características físico-mecânicas e vem sendo utilizada desde o

século XVII pelos habitantes da Amazônia na construção de casas e,

atualmente, tem larga aplicação na construção naval artesanal, em virtude

da sua adequabilidade para a confecção de determinados componentes de

embarcações de pequeno porte, amplamente disseminadas nos rios amazônicos.

Não obstante as múltiplas utilidades dessa planta, seu cultivo é

inexpressivo, sendo a quase totalidade da produção oriunda de exploração

extrativista. Tal fato é em razão das dificuldades de propagação, ao

crescimento relativamente lento e ao longo período de juvenilidade das

plantas.

Para a produção de mudas, pelo processo tradicional de propagação por

sementes, são requeridos de dois a três anos para que as mudas estejam

em condições de serem plantadas no local definitivo. Ressalte-se que

pomares estabelecidos com mudas oriundas de sementes, entram em fase

de frutificação somente dez a doze anos após o plantio, sendo que plantas

mais tardias requerem até 15 anos para produzirem os primeiros frutos.

No Banco de Germoplasma de Bacurizeiro da Embrapa Amazônia Oriental,

por exemplo, em acessos implantados com mudas oriundas de sementes,

apenas 20% das plantas frutificaram aos 11 anos de idade.

Além da propagação por sementes, o bacurizeiro também pode ser propagado

por processos assexuados, particularmente pela retirada de

brotações que surgem, espontaneamente, das raízes da planta-mãe ou por

enxertia. Outros sistemas, mais recentemente desenvolvidos, são baseados

na alta capacidade de regeneração da raiz primária de sementes em

início de germinação.

Com relação à micropropagação, os resultados até então disponíveis são

bastante incipientes, não se dispondo de protocolos que permitam a

regeneração de plantas de bacurizeiro a partir da cultura de tecidos.

Ressalte-se, no entanto, que poucas pesquisas foram desenvolvidas

dentro dessa linha.

2 Métodos de Propagação do Bacurizeiro, (Platonia insignis Mart.)

Propagação por Sementes

Características das sementes

As sementes do bacurizeiro são bastante

volumosas, com comprimento médio de 5,5

cm e largura de 3,5 cm, formato oblongoanguloso,

ligeiramente côncavas na porção

onde se encontra a linha da rafe e convexas no

lado oposto (Fig. 1a). O peso individual das

sementes varia de 5,6 g a 44,0 g. Em média,

mil sementes, com grau de umidade de 39,0%

pesam 24,4 kg. O número de sementes por

fruto depende do número de óvulos que são

fecundados. Na flor do bacurizeiro, a conversão

de óvulos em sementes é muito baixa, pois

em único ovário é possível encontrar até 70

óvulos, uniformemente distribuídos nos cinco

lóculos, enquanto os frutos, normalmente

apresentam número de sementes variando

entre um e cinco. Quando mais de um óvulo,

em um mesmo lóculo do ovário, é fecundado e

apresenta desenvolvimento normal, os frutos

podem conter número superior a cinco sementes.

As sementes oriundas de óvulos situados

em um mesmo lóculo do ovário são facilmente

identificadas, pois encontram-se levemente

soldadas entre si e apresentam, no ponto de

soldadura faces planas (Fig. 1b, 1c, 1d). Tipos

de ocorrência rara apresentam frutos desprovidos

de sementes, sendo propagados somente

por processos assexuados.

Fig. 1. Sementes oriundas da fecundação de um

(a), dois (b), três (c) e quatro óvulos (d), dentro de um

mesmo lóculo do ovário.

Extração e beneficiamento das sementes

O processo de extração das sementes envolve,

primeiramente, a abertura dos frutos que, em

decorrência da consistência rígido-coriácea da

casca, tanto pode ser efetuada com o auxílio de

uma faca ou com impactos efetuados sobre a

superfície do fruto. O segundo processo é mais

indicado por não provocar ferimentos nas sementes

e possibilitar maior rendimento de mão-deobra.

Após a abertura, as sementes são extraídas

da cavidade interna dos frutos, juntamente com

a porção da polpa que está aderida ao

tegumento. Essa porção da polpa é então removida,

manualmente, com o auxílio de uma tesoura

ou faca, pois as despolpadoras mecânicas,

disponíveis no mercado, não removem, com

eficiência, essa estrutura, além de provocarem

danos mecânicos acentuados nas sementes.

Com o processamento manual, resíduos de polpa

ainda permanecem aderidos às sementes, sendo

conveniente removê-los. Para tanto, as sementes

devem ser mantidas imersas em água, durante

48 a 72 horas, para que ocorra a fermentação

desses resíduos, o que torna mais fácil sua

remoção. Em seguida, as sementes devem ser

lavadas em água corrente até que se apresentem

com a superfície do tegumento limpa.

Após a extração e remoção da polpa, as sementes

devem ser semeadas imediatamente,

pois apresentam comportamento recalcitrante

no armazenamento, ou seja, não suportam

secagem. Sementes oriundas de frutos conservados

sob refrigeração, em temperaturas igual

ou inferiores a 10°C, perdem a viabilidade.

Germinação e formação de mudas

O principal obstáculo para a formação de

mudas de bacurizeiro por via sexuada é o

tempo requerido para que as sementes completem

o processo de germinação, devido apresentarem

um tipo particular de dormência, cujo

sítio de ação está localizado na gema apical. O

grau de dormência varia entre sementes, o que

condiciona acentuada desuniformidade na

emergência do epicótilo e, conseqüentemente,

c

a

b c d

Métodos de Propagação do Bacurizeiro, (Platonia insignis Mart.) 3

no período de formação das mudas. Outros

fatores que limitam a implantação de pomares

com mudas oriundas de sementes é o fato de o

bacurizeiro ser uma espécie essencialmente

alógama e o longo período de juvenilidade das

plantas. O primeiro fator condiciona acentuada

segregação, mesmo quando as plantas são

oriundas de sementes de um mesmo indivíduo. A

longa fase jovem das plantas propagadas por

sementes faz com que as mesmas só entrem em

fase reprodutiva 10 a 12 anos após o plantio.

O processo germinativo de sementes dessa

espécie apresenta características peculiares,

distinguindo-se quatro eventos morfológicos

bem definidos no tempo, conforme discriminados

a seguir:

a) O primeiro evento consiste na ruptura do

delgado tegumento pela raiz primária (Fig. 2) e

ocorre entre 12 e 35 dias após a semeadura,

ocasião em que a porcentagem de sementes

com raiz primária rompendo o tegumento

atinge valor de 100%.

Fig. 2. Fase inicial da germinação de sementes de bacuri.

b) O segundo evento é representado pelo

crescimento vigoroso da raiz primária, que

atinge 210 dias após a semeadura, comprimento

em torno de 180 cm. A taxa de crescimento

da raiz primária, nos primeiros 60 dias, é

inferior a 1 cm/dia, aumentando nos períodos

subseqüentes, até 120 dias, quando então

decresce, sendo particularmente baixa após

atingir 180 cm e até o momento do início da

emergência do epicótilo. Nessa fase, as raízes

secundárias, embora numerosas, são de tamanho

diminuto, com comprimento em torno de

3,2 cm (Fig. 3).

Fig. 3. Fase de crescimento

da raiz primária de sementes

de bacuri.

c) O terceiro evento é o mais lento e

desuniforme, e consiste na emergência do

epicótilo (Fig. 4). Em pequena proporção de

sementes, geralmente inferior a 2%, esse

evento manifesta-se 180 dias após a semeadura.

No entanto, para a grande maioria das

sementes, esse evento só ocorre 500 dias

após a semeadura. A gema apical, em algumas

sementes, apresenta grau de dormência tão

acentuado, de tal forma que a emergência do

epicótilo é extremamente lenta só se verificando

em períodos superiores a 900 dias após a

semeadura. Por ocasião da emergência do

epicótilo, a raiz primária apresenta comprimento

superior a 180 cm.

Fig. 4. Emergência do epicótilo na sementes do bacuri.

4 Métodos de Propagação do Bacurizeiro, (Platonia insignis Mart.)

d) No último evento ocorre a abertura do

primeiro par de folhas, estando a plântula,

então, com todas as suas estruturas essenciais

claramente definidas. Ressalte-se que, precedendo

a abertura do primeiro par de folhas, o

epicótilo cresce cerca de 3 cm a 6 cm, desenvolvendo

dois a cinco pares de folhas

escamosas (catáfilos) opostas.

Para a formação de mudas por sementes, o

mais indicado é a semeadura direta em sacos de

plástico com dimensões mínimas de 18 cm de

largura, 35 cm de altura e espessura de 200 m,

contendo como substrato a mistura constituída

de solo, esterco curtido e pó de serragem, na

proporção volumétrica de 3:1:1. Recipientes

com largura maior não são necessários pois,

até a muda atingir seu completo desenvolvimento,

o sistema radicular está representado,

em sua maior parte, pela raiz primária, com

raízes secundárias abundantes, porém, de

comprimento diminuto.

A semeadura em sementeiras, com posterior

repicagem para sacos de plástico, não é aconselhável,

pela dificuldade que se tem na retirada das

plântulas do substrato, em função do grande

comprimento da raiz primária. Eventualmente,

pode-se utilizar esse processo de semeadura, mas

a repicagem deve ser processada logo após o

início da emergência da raiz primária, ou seja,

entre 12 e 35 dias após a semeadura. No caso de

sementes que completam a germinação em

sementeiras, durante a operação de repicagem, a

plântula deve ser retirada do substrato com

segmento de raiz primária nunca inferior a 20 cm

de comprimento. Nessa situação, é necessário o

corte das folhas pela metade para reduzir a perda

de água e, as plântulas, após a repicagem, devem

ser mantidas em ambiente com bastante sombra

(70% de interceptação de luz), até o lançamento

de novas folhas, quando então poderão ser levadas

para viveiro com 50% de interceptação de

luz. Mesmo com essas medidas, a sobrevivência é

inferior a 60% e o crescimento das mudas é

retardado, pois haverá necessidade de certo

período para o lançamento de novas folhas e para

regeneração do sistema radicular, que foi cortado

durante a operação de repicagem. Enquanto a

muda obtida através de semeadura direta está em

condição de ser plantada no local definitivo 4

meses após a emergência do epicótilo, as

repicadas somente estão plenamente formadas 6

meses após serem repicadas.

A disposição dos sacos de plástico no viveiro,

até que 50% das sementes germinem pode ser

um ao lado do outro (Fig. 5). Posteriormente,

com o aumento da porcentagem de germinação

e com o crescimento das plântulas, há

necessidade de dispô-los em fileiras duplas,

distanciadas entre si em 40 cm (Fig. 6). Esse

procedimento tem por objetivo evitar o

estiolamento das mudas.

Fig. 5. Disposição inicial dos sacos de plástico no viveiro.

Fig. 6. Disposição das mudas em fileiras duplas.

O ordenamento dos sacos em fileiras duplas

exige poda da raiz primária, pois nessa ocasião

essa estrutura apresenta comprimento muito

superior à altura do recipiente, estando em sua

maior extensão abaixo da superfície do solo.

Para essa operação, é necessário que os sacos

de plástico sejam individualmente inclinados

em cerca de 45°, efetuando-se, então, com

um canivete ou faca, a poda da raiz primária,

Métodos de Propagação do Bacurizeiro, (Platonia insignis Mart.) 5

no nível do solo. Em muitos casos, a simples

inclinação do recipiente já provoca o

seccionamento da raiz. Essa mesma operação

deverá ser repetida quando a muda estiver completamente

formada, ou seja, com altura entre

40 cm e 45 cm, diâmetro basal entre 0,8 cm e

1,0 cm e com 20 a 22 folhas pois, nesse momento,

a raiz primária já apresenta novamente comprimento

superior à altura do saco de plástico. É

recomendável que essa segunda poda seja efetuada

15 a 20 dias antes do plantio no local definitivo.

Para facilitar a adubação das mudas, é importante,

quando da disposição dos sacos em fileiras

duplas, que dentro de um mesmo conjunto de

fileira sejam colocadas plantas em estádio de

desenvolvimento semelhante, por exemplo: fileiras

de sacos contendo sementes com epicótilo em

início de emergência, fileiras de sacos cujas

plântulas estejam com um par de folhas, fileiras

de sacos com plântulas apresentando dois a três

pares de folhas e assim por diante.

A adubação orgânica é efetuada por ocasião da

disposição dos sacos em fileiras duplas, adicionando-

se 200 mL a 300 mL da mistura de terra

preta com esterco de galinha curtido. Essa

mistura deve ser preparada na proporção

volumétrica de 1:1 e adicionada somente aos

recipientes cujas mudas já apresentem pelo

menos o primeiro par de folhas. Nos demais

recipientes, a adubação orgânica será efetuada

à medida que ocorrer a abertura do primeiro

par de folhas. A primeira adubação mineral

deverá ser realizada uma semana após a adubação

orgânica e repetida a cada sete dias, até

que as mudas estejam completamente formadas.

Para minimizar os custos com mão-deobra,

as adubações minerais poderão ser

efetuada irrigando-se as plantas com adubo

líquido. Resultados satisfatórios têm sido

obtidos com produtos comerciais que apresentam

6% de nitrogênio, 6% de P2O5, 8% de

K2O, 0,5% de magnésio, 0,5% de enxofre e

micronutrientes. O produto comercial é previamente

diluído em água na proporção de dois

mililitros por litro de água, irrigando-se cada

muda com, aproximadamente, 100 mL.

Propagação Assexuada

O processo de propagação assexuada mais

utilizado para o bacurizeiro é a enxertia por

garfagem no topo em fenda cheia. Nas populações

naturais, a regeneração se processa

eficientemente por brotações oriundas de

raízes de plantas adultas, mesmo após a derrubada

da planta-mãe. Essas brotações também

podem ser usadas para formação de mudas,

mas a taxa de sobrevivência das brotações no

viveiro é muito baixa, não se recomendando a

utilização desse método para produção de

mudas em escala comercial. Outros processos,

mais recentemente desenvolvidos, envolvem a

formação de mudas ou porta-enxertos a partir

da regeneração de segmentos de raiz primária.

Nesse caso, a semente é parte importante na

formação da muda, mas a plântula obtida não

será totalmente originada do embrião.

Propagação por regeneração da raiz

primária

Nesse sistema de propagação, são utilizadas

sementes, não sendo necessário, no entanto,

que estas completem o processo de germinação,

pois as mudas serão obtidas a partir de

estacas de raiz primária. As mudas podem ser

obtidas através da regeneração de estacas de

raiz primária com comprimento entre 7 cm e 8

cm, oriundas de sementes espalhadas em

sementeira ou através da regeneração do

segmento de raiz primária de sementes espalhadas

diretamente em sacos de plástico.

No primeiro caso, as sementes são semeadas

em sementeiras com profundidade de 1,20 m,

contendo como substrato areia e serragem

misturadas na proporção volumétrica de 1:1.

Decorridos 120 a 150 dias da semeadura, a

maioria das sementes já apresenta raiz primária

com comprimento superior a 1,10 m e são,

então, removidas, com cuidado, do substrato de

semeadura. A raiz primária é, em seguida,

dividida em segmentos com comprimento entre

7 cm e 8 cm, desprezando-se o terço inferior da

mesma, pois apresenta diâmetro reduzido e é de

difícil regeneração. De cada raiz primária é

possível obter-se aproximadamente 10 estacas.

6 Métodos de Propagação do Bacurizeiro, (Platonia insignis Mart.)

Após a obtenção das estacas, estas são plantadas

verticalmente, em sacos de plástico com

as mesmas dimensões dos usados no sistema

de propagação por sementes e contendo o

mesmo substrato. Durante a operação de

plantio, a porção proximal da estaca deve ser

orientada para cima e a porção distal para

baixo, pois, caso contrário, a plântula obtida

apresentará conformação anormal, ou seja, a

raiz emergirá da parte distal da estaca e dirigirse-

á para baixo, em função do geotropismo

positivo e, a parte aérea que originar-se-á da

porção proximal, dirigir-se-á para cima, em

função do geotropismo negativo.

A brotação da parte aérea é desuniforme,

ocorrendo entre 35 e 145 dias. Ao final de 150

dias, cerca de 70% das estacas já apresentam,

no mínimo, o primeiro par de folhas completamente

desenvolvido, e sistema radicular regenerado

(Fig. 7). Nessa ocasião, os sacos contendo

as plântulas ou as estacas nas quais a

regeneração da parte aérea ainda não se processou,

devem ser dispostos em fileiras duplas,

em blocos separados. Por esse processo de

propagação, as mudas estão aptas para serem

plantadas no local definitivo, cerca de 6 a 8

meses após a colocação das estacas no

substrato.

Fig. 7. Plântulas oriundas de estacas de raiz primária,

com todas suas estruturas essenciais.

Os procedimentos de adubação das plântulas

devem ser iniciados a partir do momento em

que os sacos são ordenados em fileiras duplas,

quando então, deverão ser adicionados 200 mL

a 300 mL da mistura de terra preta com esterco

(proporção volumétrica de 1: 1). Semanalmente,

as plantas devem ser irrigadas com a

mesma formulação e dose de adubo mineral

indicada para o sistema de formação de mudas

por sementes.

A utilização desse sistema de propagação

somente é indicada quando se dispõe de pequena

quantidade de sementes e se deseja

obter o maior número possível de plantas pois,

normalmente, as mudas assim obtidas apresentam

crescimento mais lento que as mudas

oriundas de sementes e são menos vigorosas,

com diâmetro do caule bem menor, o que exige

tutoramento, tanto na fase de viveiro como

após o plantio no local definitivo, da maioria

das plantas. Esse sistema também não contorna

os problemas concernentes ao longo período

de juvenilidade das plantas e os decorrentes da

segregação.

O sistema em que se utiliza a semeadura direta

em sacos de plástico, com posterior separação

da raiz primária da semente que a originou é

mais eficiente que o anterior e mais fácil de ser

executado. Nesse sistema, a porcentagem de

regeneração da parte aérea é maior e não há

necessidade de tutoramento das mudas na

fase de viveiro, pois estas são mais vigorosas,

em função de que o segmento de raiz é maior e

a sua porção terminal permanecerá inicialmente

intacta.

Os procedimentos para obtenção de mudas por

esse sistema obedecem as seguintes etapas:

a) A semeadura deverá ser efetuada em sacos

de plástico com 18 cm de largura, 35 cm de

altura e espessura de 200 m, contendo como

substrato a mistura de três partes de solo, uma

de serragem e uma de esterco curtido. Os

sacos deverão ser completamente cheios com

Métodos de Propagação do Bacurizeiro, (Platonia insignis Mart.) 7

essa mistura e a semente colocada sobre o

substrato, de tal forma que o ponto de onde

emergirá a raiz primária coincida aproximadamente

com o centro do recipiente (Fig. 8a). Em

seguida, coloca-se um anel protetor de plástico

rígido ou alumínio, com altura entre 7 cm e

8 cm e diâmetro entre 10 cm e 11 cm. Esse

anel é preenchido com pó de serragem,

recobrindo totalmente a semente (Fig. 8b).

Garrafas de refrigerantes tipo PET, com capacidade

para dois litros podem ser usadas para a

confecção desses anéis, obtendo-se até três

anéis de 7 cm de altura de cada garrafa.

b) Decorridos 70 a 100 dias da semeadura,

ocasião em que a raiz primária da quase totalidade

das sementes já atingiu a parte inferior do

recipiente, o anel é retirado, removendo-se,

concomitantemente, o substrato, de tal forma

que a semente e a porção basal da raiz primária

fiquem expostas (8c). Após essa operação,

a raiz primária é separada da semente que a

originou (Fig. 8d), com um corte transversal

efetuado com canivete a uma distância de

0,5 cm a 1,0 cm da semente. O substrato, em

volta do segmento da raiz primária, que permaneceu

no saco de plástico, deve ser comprimido

com os dedos visando deixar 1,0 cm da

parte superior da raiz exposta à luz.

Os sacos de plástico devem ser mantidos em

viveiro, com cobertura de tela de plástico que

permita 50% de interceptação de luz e podem

ser mantidos justapostos (Fig. 5), por até 130

dias após o corte da raiz primária. A partir de

então, devem ser dispostos em fileiras duplas

(Fig. 6), pois a quase totalidade dos segmentos

de raiz já apresentam epicótilo regenerado e

com folhas. As fileiras, preferencialmente,

devem ser orientadas no sentido leste-oeste e

distanciadas entre si em cerca de 40 cm, para

evitar o estiolamento das mudas.

O início da regeneração da parte aérea torna-se

visível, em alguns segmentos de raiz, 35 dias

após o corte. Por volta de 105 dias, a porcentagem

de segmentos de raiz com início de

regeneração do epicótilo atinge valor superior a

90%. Uma pequena proporção de segmentos,

geralmente inferior a 5%, demanda maior tempo

para que ocorra a regeneração, requerendo

períodos superiores a 180 dias. Após o início da

regeneração, são necessários cerca de 18 dias

para que ocorra a abertura do primeiro par de

folhas, e quatro a cinco meses para que a muda

esteja completamente formada, ou seja, com

altura entre 40 cm e 45 cm, diâmetro basal

entre 0,8 cm e 1,0 cm e com 20 a 22 folhas.

Fig. 8. Disposição da semente sobre o substrato (a);

colocação do anel de plástico (b); retirada do anel de

plástico (c); e separação da raiz primária da semente (d).

8 Métodos de Propagação do Bacurizeiro, (Platonia insignis Mart.)

A utilização desse sistema permite a formação

de mudas ou porta-enxertos de bacurizeiro no

prazo de 12 meses, conforme esquematizado

na Fig. 9.

Fig. 9. Seqüência da formação de mudas de bacurizeiro

através da regeneração da raiz primária de sementes em

início de germinação.

Os seguintes procedimentos de adubação

devem ser adotados para que as mudas estejam

aptas para o plantio, com a idade de um ano:

a) Logo após a abertura do primeiro par de

folhas, efetuar adubação orgânica, adicionando-

se, em cada recipiente, 200 mL a 300 mL

da mistura de terra preta com esterco de

galinha, na proporção volumétrica de 1:1.

b) Semanalmente, irrigar as mudas com adubo

foliar contendo 6% de nitrogênio, 6% de P2O5,

8% de K2O, 0,5% de magnésio, 0,5% de

enxofre e micronutrientes. Essa formulação

deverá ser previamente diluída em água na

proporção de dois mililitros do produto comercial

por litro de água, aplicando-se, aproximadamente,

100 mL do produto diluído por planta.

Propagação por brotações naturais de

raízes de plantas adultas

O bacurizeiro apresenta capacidade de emitir

abundantes brotações a partir de raízes de

plantas adultas. O número dessas brotações é

particularmente expressivo após a derrubada

da planta-mãe, podendo cobrir quase que

totalmente a superfície do solo (Fig. 10),

dependendo do número de plantas derrubadas.

Esse processo de regeneração natural, aparentemente

constitui-se em método fácil para

formação de mudas. No entanto, a quase

totalidade dessas brotações não apresenta

sistema radicular independente (Fig. 11). Assim

sendo, quando da retirada da brotação com

parte do segmento de raiz que a originou, a

sobrevivência é muito baixa, pois o

enraizamento das brotações é muito difícil,

mesmo com o uso de substâncias indutoras do

enraizamento, como o ácido naftaleno-acético

e o ácido indol-butírico.

Fig. 10. Brotações espontâneas

oriundas de raízes de bacurizeiro adulto.

Fig. 11. Brotação oriunda de raiz de

bacurizeiro adulto, sem sistema

radicular independente.

Semeadura Muda

Ní vel do solo

12 meses

70 a 100 dias

Métodos de Propagação do Bacurizeiro, (Platonia insignis Mart.) 9

Resultados mais satisfatórios são obtidos,

quando se utilizam rebentos com altura inferior

a 20 cm e estes são retirados no período de

chuvas mas, mesmo nessa situação, a sobrevivência

no viveiro é inferior a 25%.

Para contornar parcialmente esse problema,

recomenda-se a separação da brotação da

planta-mãe, durante o período de chuvas,

seccionando-se a raiz a cerca de 5 cm da

brotação, sem retirá-la do solo. Como em um

metro linear de raiz podem ser encontradas dez

ou mais brotações, é aconselhável o

seccionamento também no outro lado, de tal

forma a separar o rebento de outros que surgiram

na mesma raiz. A remoção da muda só

deve ser efetuada 40 a 50 dias após a separação

da planta-mãe. Nessa ocasião, observa-se a

formação de raízes adventícias na base do

caule, o que aumenta sobremaneira as chances

de sobrevivência da muda. Para que as raízes

não sejam danificadas, a muda deve ser removida

do solo com torrão (Fig.12) e transplantada

para sacos de plástico com dimensões de 25

cm de largura e 35 cm de altura e 200 m de

espessura, contendo como substrato a mesma

mistura indicada para os sistemas de formação

de mudas anteriormente descritos. As mudas

devem ser mantidas, logo após o transplantio,

em ambiente protegido com tela de plástico que

permita 70% de interceptação de luz, até que

apresente lançamentos novos, quando então

poderão ser levadas para viveiro com 50% de

interceptação de luz. Após o transplantio, são

requeridos cerca de 5 a 6 meses para que a

muda esteja completamente formada.

A grande vantagem desse método, é que as

plantas assim propagadas apresentam menor

período de juvenilidade, atingindo a fase de

produção 5 a 6 anos após o plantio no local

definitivo. Além disso, mantêm o mesmo padrão

de crescimento de mudas oriundas de sementes

ou de segmentos de raiz primária, com fuste

retilíneo, o que é importante se o objetivo da

plantação for tanto a produção de frutos como a

produção de madeira.

Fig. 12. Retirada de brotação natural

de raiz com torrão.

Convém ressaltar que a propagação através de

estacas de raízes de plantas adultas também é

muito difícil. Essas estacas emitem com facilidade

brotações aéreas, sem que ocorra desenvolvimento

de raízes, e fenecem logo após o

esgotamento de suas reservas. Nesse sistema,

a porcentagem de mudas formadas é sempre

inferior a 5%, não sendo indicado para a propagação

do bacurizeiro em escala comercial.

Propagação por enxertia

O processo convencional de enxertia do

bacurizeiro envolve primeiramente a formação

do porta-enxerto, que é o próprio bacurizeiro

obtido por sementes ou por qualquer dos

processos anteriormente descritos. A enxertia

por garfagem no topo em fenda cheia, além de

ser um método de fácil execução e com maior

rendimento de mão-de-obra, proporciona maior

porcentagem de enxertos pegos que a

garfagem lateral no alburno. Em ambos os

métodos, a brotação dos enxertos inicia-se 20

dias após a enxertia, podendo, no entanto,

prolongar-se por até 80 dias, ocasião em que a

porcentagem de enxertos brotados atinge valor

em torno de 80% e 42%, para os métodos de

garfagem no topo e garfagem lateral no

alburno, respectivamente.

10 Métodos de Propagação do Bacurizeiro, (Platonia insignis Mart.)

O sucesso da enxertia depende, dentre outros

fatores, da época de retirada das ponteiras. Normalmente,

obtém-se maior porcentagem de enxertos

pegos quando as ponteiras são retiradas antes

da troca total das folhas da matriz que se deseja

propagar. Geralmente, no período compreendido

entre os meses de novembro a maio, as ponteiras

estão em estádio ideal para serem enxertadas, com

folhas maduras, tecidos lenhosos e gemas ainda

em fase de dormência. Quando são utilizadas

ponteiras oriundas de plantas que estejam em fase

de renovação de folhas, a brotação dos enxertos

ocorre antes de sua soldadura com o porta-enxerto

e a quase totalidade dos enxertos morre.

O diâmetro das ponteiras deve ser aproximadamente

igual ao diâmetro do porta-enxerto, no

ponto onde será efetuado a enxertia. Normalmente

esse diâmetro varia entre 0,5 cm e 1,0 cm. O

comprimento dos garfos deve se situar entre 10

cm e 15 cm e a porção a ser enxertada deve ser

parte do último lançamento do ramo.

As ponteiras devem ser retiradas de ramos

guias da matriz que se deseja propagar e submetidas

à toalete, eliminando-se todas as folhas,

com exceção das duas situadas na extremidade

apical do garfo, que são cortadas transversalmente,

de tal forma que permaneçam com

comprimento do limbo de apenas 5 cm

(Fig. 13). Na impossibilidade de se efetuar a

enxertia no mesmo dia de retirada dos garfos, é

necessário que os mesmos sejam acondicionados

entre folhas de papel-jornal umedecidos

com água e embalados em sacos de plástico.

Fig. 13. Segmento de ramo de onde será retirada a

ponteira (a) e ponteira submetida à toalete (b).

Durante a operação de enxertia, no caso de

garfagem no topo em fenda cheia, a primeira

etapa consiste na decapitação do porta-enxerto,

com um corte transversal, e deve ser

executada em altura cujo diâmetro seja semelhante

ao diâmetro basal do garfo a ser enxertado.

Em seguida, efetuam-se cortes na parte

basal do garfo, em bisel duplo, em forma de

cunha, inserindo-o, posteriormente, em incisão

vertical de 4 cm a 5 cm aberta na parte central

do ápice do porta enxerto. Após a incisão, o

enxerto é amarrado com fita de plástico e

envolvido com saco de polietileno transparente

(Fig. 14), previamente umedecido com água

em sua parte interna, com o objetivo de evitar

o ressecamento do enxerto. As mudas recémenxertadas

devem permanecer em ambiente

que evite a incidência direta de raios solares.

Fig. 14. Enxerto coberto com câmara

úmida.

Quando as duas primeiras folhas oriundas do

enxerto estiverem completamente desenvolvidas,

retira-se a câmara úmida, permanecendo

as mudas no mesmo local durante 10 dias,

quando então poderão ser levadas para viveiro

com 50% de interceptação de luz, até atingirem

o tamanho adequado para serem plantadas

no local definitivo. Normalmente as mudas

estão aptas para o plantio três a quatro meses

após a brotação do enxerto, ocasião em que

deverão apresentar altura em torno de 40 cm e

12 a 16 folhas completamente expandidas.

Métodos de Propagação do Bacurizeiro, (Platonia insignis Mart.) 11

Outra alternativa para obtenção de mudas enxertadas

envolve a inserção do garfo diretamente na

raiz primária, muito antes que ocorra a emergência

do epicótilo. A enxertia é efetuada por

garfagem no topo da raiz primária, em fenda

cheia. Para facilitar a operação de enxertia, a

semeadura deve ser efetuada de maneira análoga

ao descrito para o processo de formação de

mudas por regeneração da raiz primária, excetuando-

se o fato de que as sementes devem ser

semeadas em plano ligeiramente superior ao da

superfície superior do saco de plástico. Entre 100

e 120 dias após a semeadura, efetua-se a separação

da raiz primária da semente que a originou,

com um corte transversal. Em seguida abre-se

uma fenda longitudinal de cerca de quatro a

cinco centímetros no topo da raiz e introduz-se o

enxerto, que deve estar com sua porção basal

cortada em forma de bisel. Após a inserção do

enxerto, efetua-se o amarrio com fita de enxertia

e cobre-se o enxerto com saco de plástico

transparente previamente umedecido com água

em sua parte interna. O revestimento com saco

de plástico tem por objetivo evitar ressecamento

do garfo e só deverá ser removido após a

brotação do enxerto. A muda enxertada está em

condição de ser plantada no local definitivo entre

6 e 8 meses após a enxertia (Fig.15).

Fig. 15. Enxerto após o amarrio (a) e

muda enxertada (b).

Palavras-chave: Bacuri | Mudas | Sementes | Mangostão | Agronegócio
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