
A redução na meta de consumo de energia anunciada pelo governo nesta quinta-feira vai estimular o uso de produtos eletrônicos, permitindo a continuidade da trajetória de recuperação apresentada pelas vendas desses produtos nos últimos quatro meses, disse o presidente da Eletros (associação nacional de fabricantes de produtos eletroeletrônicos).
Apesar de acreditar que a perspectiva é de aumento nas vendas, Paulo Saab preferiu não dar uma estimativa precisa.
Em outubro, as vendas de eletrônicos cresceram 16,59% em relação a setembro, por conta de uma melhora no cenário econômico do país e diminuição das incertezas do mercado internacional, informou em comunicado a instituição.
Em comparação a outubro do ano passado, porém, houve um recuo de 14,83% no mercado nacional de eletrônicos.
O corte na meta de consumo de energia anunciado pelo ministro Pedro Parente, de 20 para 12%, vale para as residências e comércios nas regiões Sudeste e Centro-Oeste a partir de dezembro com validade até fevereiro. Na região Nordeste, as metas foram reduzidas de 20% para 17% para residências e comércio em geral, e para 12% nos municípios considerados turísticos.
Recuperação gradual
As vendas de eletrônicos caíram em uma base de comparação mensal durante abril, maio e apresentaram uma piora em junho, quando recuaram 30% por causa do início do programa de racionamento no consumo de energia elétrica. No entanto vêm mostrando uma recuperação média de 15% a cada mês desde então.
O consumidor notou que os eletrônicos não eram os vilões da crise e também, nos últimos cinco anos, os fabricantes nacionais voltaram seu foco ao consumidor, trabalhando no aprimoramento dos produtos para uma economia de energia elétrica de até 50% em relação aos equipamentos anteriores, explicou Saab.
A linha de imagem e som ?como televisores, sistemas de som e videocassete? puxou as vendas de outubro, com alta de 31,96% em comparação ao mês anterior, seguida dos produtos eletroportáteis ?que incluem aspiradores de pó, secadores e liquidificadores?, com recuperação de 8,13%.
No acumulado do ano, as vendas de eletroeletrônicos apresentam queda de 8% em relação ao mesmo período de 2000, pressionadas pela alta dos juros, a crise argentina e o racionamento de energia.
Para o ano de 2001, a expectativa do presidente da Eletros é que o volume de vendas de eletroeletrônicos seja próximo ao do ano passado, quando as receitas atingiram cerca de R$ 12 bilhões.
O mercado brasileiro está mais maduro para uma recuperação dos percalços de 2001, completou Saab.
Fonte Reuters
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