Olhando para trás, é duro acreditar que estejamos vivos até hoje.Nós viajávamos em carros sem cintos de segurança ou air bag. Não tínhamos nenhuma tampa à prova de crianças em vidros de remédios, portas ou armários e andávamos de bicicleta sem capacete, sem contar que pedíamos carona. Bebíamos água direto da mangueira e não da garrafa. Comíamos manga verde com sal depois de haver ingerido leite e depois ficávamos observando se íamos passar mal, descobrimos que isto não era verdade e pudemos passar a comer muita manga, mas sempre às escondidas. Nós gastamos horas construindo nossos carrinhos de rolimã para descer ladeira abaixo e só então descobríamos que tínhamos esquecido dos freios. Depois de colidir com algumas árvores, aprendemos a resolver o problema. Saíamos de casa pela manhã e brincávamos o dia inteiro, só voltando quando se acendiam as luzes da rua . Ninguém podia nos localizar. Não havia telefone celular. A gente nadava nos rios, às escondidas, nada de shistosoma, nem alergia... nem morremos afogados. Fechávamos o trânsito por própria conta, nos fins de tarde, para jogar queimada ou voleibol e como os motoristas sabiam de nosso jogo, desviavam sua rota, pois os seres humanos eram mais importantes que os carros e as motos.
Nós quebramos ossos e dentes, e não havia nenhuma lei para punir os culpados. Eram acidentes. Ninguém para culpar, só a nós mesmos. Nós tivemos brigas e esmurramos uns aos outros e aprendemos a superar isto.
Nós comemos doces e bebemos refrigerantes, mas não éramos obesos. Estávamos sempre ao ar livre, correndo e brincando. Compartilhamos garrafas de refrigerante, bebendo na boca da mesma garrafa e ninguém morreu por causa disso.
A gente não tinha relógio de pulso antes dos 15 anos, pois era muito caro e mesmo com um só relógio na casa a gente não chegava atrasada. Juntávamos uns trocados para ir no bar sujo da esquina, antes do almoço, para comprar suspiro, Maria mole e chicletes, mas depois confessávamos o nosso pecado. Sabíamos reconhecer os nossos erros. Não tivemos Playstations, Nintendo 64, vídeo games, 99 canais a cabo, filmes em vídeo, surround sound, celular, computadores ou Internet. Nós tivemos amigos. Nós saíamos e os encontrávamos. Íamos de bicicleta ou caminhávamos até a casa deles e batíamos à porta. Imagine tal uma coisa! Sem pedir permissão aos pais, por nós mesmos! Lá fora, no mundo cruel! Sem nenhum responsável! Como fizemos isso? Os portões não tinham cadeados e podíamos entrar nas casas das amigas pela porta da cozinha, apenas com um gritinho: Oi, Fulana! Às vezes vinha um dog e levávamos mordida e nunca tomamos vacina anti rábica. Nós fizemos jogos com bastões e bolas de tênis, pulamos cordas e amarelinhas. Nós só podíamos pegar na mão do namorado, nas matinês, depois que tocava o som de apagar as luzes... mesmo assim quando os pais descobriam, levávamos uma surra de verdade. Nos jogos da escola, nem todo mundo fazia parte do time. Os que não fizeram, tiveram que aprender a lidar com a decepção... Alguns estudantes repetiam o ano! Que horror! Não inventavam testes extras. Éramos responsáveis por isso. A idéia de um pai nos protegendo, se desrespeitássemos alguma lei, era inadmissível! Eles protegiam as leis! Imagine só isso! Nossa geração produziu alguns dos melhores compradores de risco, criadores de soluções e inventores. Os últimos 50 anos foram uma explosão de inovações e novas idéias. Tivemos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade, e aprendemos a lidar com isso. Você é um deles. Parabéns! Você venceu...
|