 Na guerra criada para promover os videogames de próxima geração - Playstation 3, XBox 360 e Nintendo Revolution -, muito se falou sobre as características de cada um, embora nenhum deles tenha chegado às prateleiras até o momento. E na esteira desse diz-que-me-diz, surgiu em cena um processador do tamanho de uma tachinha e que promete revolucionar tudo o que entendemos por multimídia, o Cell.
A tecnologia
Antes de chegar às especificações desse processador desenvolvido pela IBM em parceria com as japonesas Sony e Toshiba, vamos à tecnologia que o compõe. Ela se chama Power e foi criada pela IBM em 1993, sendo direcionada principalmente para o desenvolvimento dos supercomputadores da empresa norte-americana. Em resumo: o desempenho do Cell no Playstation 3 equivalerá ao de um supercomputador da IBM de 1998, com capacidade de processamento de dois teraflops. Vale lembrar que, apesar do Cell ser o processador do Playstation 3, a tecnologia Power está presente tanto no XBox 360, chamada de Power Broadway, quanto no Nintendo Revolution, denominada Power WaterNoss.
Do que é feito o Cell Um dos maiores diferenciais do Cell reside no fato de ele ser um processador multicore, ou seja, com múltiplos núcleos. Ele tem uma arquitetura escalonável, que combina um chip Power de 64 bits com oito núcleos de 128 bits especializados, chamados de Máquinas de Processamento Cooperativo (SPE, em inglês) e que podem realizar várias operações simultâneas. ?Enquanto os desenvolvedores de PCs discutem como criar processadores de núcleo duplo, o Cell já utiliza nove núcleos em um mesmo processador?, diz Armando Toledo, diretor da divisão de System Seals da IBM no Brasil. ?Tecnicamente, o processador funcionaria a 3.2 GHz, mas o fato de ser multicore torna-o superior a qualquer outro processador disponível no mercado para PCs domésticos?, garante.
Trocando em miúdos: quando um PC doméstico roda a uma velocidade de 3.2 GHz ou mais, ele consegue executar uma série de funções, mas o fato de ter um só núcleo acaba sobrecarregando-o e comprometendo seu desempenho. Como o Cell tem um núcleo central e oito subnúcleos auxiliares, as funções são dividas entre esses "cérebros", o permite que o processador execute um número maior de funções, com mais estabilidade.
As probabilidades O Cell foi desenvolvido por meio de uma parceria entre IBM, Sony e Toshiba. Portanto, ele terá aplicabilidade em aparelhos dos mais variados seguimentos. O mais aguardado, obviamente, é o Playstation 3, cujo lançamento está previsto para julho de 2006 e que, segundo promete a Sony, será, antes de mais nada, um mídia center. O PS3 trabalhará com até sete joysticks via bluetooth, conexões para Internet e Wi-Fi, duas saídas de alta-resolução, padrão HD-MI, seis portas USB, entrada para cartões de memória no padrão SD e Compact Flash. O console rodará ainda mídias no formato Blue-Ray, que tem capacidade de armazenamento seis vezes maior que um DVD. ?Para efeito de comparação, comenta-se que o PS3 será até 26 vezes mais poderoso que o seu antecessor, o PS2. Videogames demoram para serem lançados, mas quando o são, eles não avançam um degrau acima, mas uma centena deles?, diz Toledo.
Deixando o console da Sony um pouco de lado, falemos agora de outras utilidades do Cell. Além do PS3 já se sabe que ele será utilizado também nos televisores de alta definição da Toshiba. ?No campo das possibilidades, o Cell pode proporcionar em televisores desse tipo, experiências de interatividade inimagináveis. Por exemplo, você, da sua casa, assistindo a um jogo de futebol, pode escolher em qual ângulo do estádio deseja ver a partida, sendo possível acompanhá-la até mesmo de dentro do campo. Claro que isso dependerá de uma série de fatores, mas o Cell será um componente essencial para que isso seja possível?, diz Armando Toledo.
Outra hipótese muito comentada é a possibilidade do processador permitir o funcionamento de sistemas operacionais. ?Testamos em nosso Blade Center uma lâmina utilizando o Cell, mas não foi comentado que tipo de ambiente operacional estava rodando ali?, diz Toledo. ?O que eu posso dizer é que em todos os processadores com tecnologia Power rodam Linux. Tire daí sua conclusão?, sugere.
E quem pensa que o Cell terá aplicações apenas voltadas para o consumidor final engana-se. A empresa também fechou um acordo com a norte-americana Mercury Computer Systems, que utilizará o processador em equipamentos de ressonância magnética na medicina, e em radares de mísseis e sistemas de sonar para uso militar. ?A IBM possui uma área especial que desenvolve o Cell também para uso corporativo. Essa equipe reúne-se com o cliente e modifica o Cell de acordo com sua necessidade, mas sem precisar redesenhá-lo?, conclui Toledo.
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