A síndrome do desconforto respiratório atinge milhares de recém-nascidos no Brasil todos os anos. Quando a criança nasce e não chora, os alvéolos pulmonares não abrem e o bebê, sufocado, morre em poucos minutos. Para evitar o problema, é aplicado um biofármaco produzido a partir do surfactante pulmonar de suínos.
Com apoio da FAPESP e do Ministério da Saúde, pesquisadores do Instituto Butantan desenvolveram um processo de fabricação de surfactante pulmonar que deverá baixar em quatro vezes o custo do produto, que hoje é importado, permitindo o suprimento da demanda das maternidades públicas do país.
Com um acordo firmado com o Instituto Sadia de Sustentabilidade, que fornecerá a matéria-prima, o Instituto Butantan montou uma fábrica de surfactante que produzirá, a partir de novembro, 100 mil doses anuais do biofármaco.
De acordo com o presidente da Fundação Butantan, Isaias Raw, o suprimento deverá reduzir drasticamente o número de crianças mortas no dia do nascimento, que chega hoje a 50 mil anualmente. No Estado de São Paulo, o acesso ao surfactante poderá reduzir pela metade a mortalidade infantil.
Há mais dois projetos relacionados. Um consiste em fazer uma formulação de surfactante para pacientes com pneumonia. Como o surfactante é proporcional ao tamanho da pessoa, é impossível pagar essa conta, a não ser que seja muito barato. O outro é o desenvolvimento, a partir das sobras do surfactante, da aprotinina, usada para controlar hemorragia durante a substituição de uma ponte de safena no coração. Essas proteínas normalmente seriam descartadas.
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