 Sky lança o primeiro PVR do mercado brasileiro.
Assinante ganha o poder de personalizar sua programação. Marcando seus sete anos de operação no Brasil, a Sky anunciou no início de novembro o lançamento do primeiro serviço de PVR (Personal Video Recorder) da América Latina, o Sky+ (Sky Mais). Na ocasião, a operadora lançou também seu novo logotipo e uma revista comemorativa.
O PVR, que vem fazendo grande sucesso nos poucos países onde é comercializado, é um dispositivo que na visão de muitos estudiosos da indústria pode gerar uma verdadeira mudança na forma de se assistir à televisão, mais que a simples interatividade ou outros serviços agregados à tela de TV. A caixa, na verdade um gravador digital, permite entre outras coisas que o assinante monte sua própria programação, selecionando o que quer assistir e a que hora. Conceitos como "grade", "horário" e até "canal" passam a ser irrelevantes. Vale o programa, o conteúdo.
Claro que, como toda inovação, o PVR ainda é para poucos. O set-top da Sky custará R$ 1.499,00 ao consumidor final, além de um acréscimo de R$ 19,90 ao valor do pacote escolhido pelo assinante. Mas a tendência é de queda de preços, à medida em que a produção local ganhe escala. O IRD será produzido no Brasil, em Manaus, pela Thomson, com tecnologia da sul-africana UEC e software da NDS. PAY-TV apurou que devem ser produzidas inicialmente entre 4 mil e 5 mil caixas ao mês. Ainda em novembro, enquanto a produção local não começa, a Sky importará caixas da África do Sul para atender o mercado antes do Natal.
A caixa do Sky+ tem um hard disk (HD) de 80 Gb, capaz de gravar aproximadamente 50 horas de programação (o número varia em função do tipo de programa gravado, devido à compressão digital. Programas de estúdio, por exemplo, consomem menos disco que filmes de ação). Conta com recursos avançados, como saída óptica de som (para conexão com home theaters), porta USB (para conexão de periféricos), decoder Dolby Digital 5.1, modem de 56 kbps e controle remoto universal. O pacote inclui ainda o TV Link, um dispositivo que permite que o IRD seja controlado remotamente de um outro aposento, como "escravo". É como se fosse um segundo ponto, mas sem a possibilidade de se sintonizar canais diferentes nos dois pontos. A caixa, aliás, conta com dois tuners, o que permite ao assinante gravar um canal enquanto assiste-se a outro. No futuro, esta característica pode permitir outras funcionalidades, como o "picture in picture" ou a gravação simultânea de dois canais.
Nos EUA, a tecnologia ganhou fôlego e muitos acreditam que em alguns anos ninguém mais verá TV da mesma forma. O instituto de pesquisas norte-americano Yankee Group estima em 2,5 milhões e 2,8 milhões o número atual de usuários nos EUA, para uma base de 110 milhões de domicílios com TV. Eles se dividem entre os que usam uma caixa independente, como a TiVo, marca mais conhecida, com 17% do mercado, ou caixas integradas a IRDs ou set-tops digitais de cabo (em tempo: o modelo da TiVo vem se esgotando à medida em que as operadoras, tanto de cabo digital quanto de DTH, incorporam as funcionalidades do PVR em seus set-top boxes. As ações da empresa despencaram e agora ela quer mudar seu modelo de negócios, fornecendo apenas a tecnologia e não mais vendendo caixas e o serviço avulso aos assinantes). Em setembro, a operadora de DTH Echostar anunciou que atingiu a marca de um milhão de assinantes equipados com a tecnologia. A DirecTV norte-americana tem o mesmo tanto. No reino Unido, a BSkyB investiu £ 20 milhões para lançar o serviço por ali, também chamado de Sky+. Os assinantes britânicos que já tenham pacotes master da Sky não terão que pagar pela caixa com o PVR. Além de EUA e Inglaterra, a tecnologia já existe comercialmente no Canadá e na França.
No Brasil, a expectativa da Sky para um primeiro momento é atingir 10% de sua base, ou cerca de 80 mil assinantes. Segundo o CEO da empresa, Ricardo Miranda, os investimentos no desenvolvimento do serviço (inclusive da caixa) consumiram US$ 1,5 milhão.
Um possível calcanhar-de-aquiles para o novo set-top é o destino que será dado aos IRDs atuais dos assinantes. Pelo modelo da Sky, os IRDs são vendidos, e não cedidos em comodato ou alugados. Assim, quem comprar a nova caixa terá que se desfazer do set-top atual ou usá-lo para um segundo ponto. A operadora não absorverá estes equipamentos.
Satisfação Pesquisa feita com usuários nos EUA mostra que o uso do PVR aumenta o tempo médio do assinante em frente à TV. Um dos efeitos observados foi a migração de 18% da base para pacotes mais avançados. Segundo Rosamélia Girão, gerente de produtos interativos da Sky, os resultados mostram que os usuários de PVR assistem a uma variedade maior de canais e de programas, e que consideram que vêem TV com mais "qualidade".
É claro que nem todos se entusiasmam com a tecnologia. Alguns executivos do setor argumentam que o produto é muito caro e tem algumas desvantagens, como não permitir ao assinante transportar o conteúdo ou colecionar programas e filmes, como faz com o videocassete (na verdade, pode-se passar o conteúdo do PVR para o vídeo, através da saída analógica). Ouve-se também o argumento de que não é tão fácil mudar um hábito de mais de 30 anos do telespectador, de assistir aos programas em horários determinados.
No final, o mais provável é que as duas coisas convivam durante um bom tempo. Afinal, sempre haverá conteúdos que "pedem" transmissão ao vivo, como o esporte, ao passo que outros, como filmes ou jornalismo, podem ser assistidos com o "time shift". O importante mesmo é que o assinante passa a ter algo com que não contava antes: a opção.
APROVEITAR O CONTEÚDO Uma percepção comum do mercado de TV por assinatura é de que muitas vezes o assinante não dá o valor devido ao produto por não perceber todas as suas possibilidades. Da mesma forma que o PVR funciona neste sentido, permitindo ao assinante aproveitar melhor as horas e horas de conteúdo recebido, outras iniciativas também buscam aumentar a percepção de valor do serviço de pay TV.
No início de novembro, a DirecTV lançou uma nova funcionalidade para os seus IRDs interativos (cerca de 63% da base). Batizado de DirecTV Personal Video Recorder (DPVR), o sistema consiste em um software e um cabo, que será enviado aos assinantes que optarem pelo serviço, ao custo de R$ 50,00. Com isso, o assinante pode usar o IRD para programar gravações de programas em seu videocassete. O cabo é colocado em frente ao VCR e funciona como um controle remoto, acionando a gravação no horário e canal determinado pelo assinante. A programação é feita a partir de uma tela do menu da DirecTV e suporta até oito programas diferentes.
A tentativa de facilitar a vida do assinante não é nova. Nos primórdios da TV paga, em 1996, a TVA lançou o VCR Plus, um controle remoto que programava o VCR a partir de um código publicado junto a cada programa na revista de programação e em alguns jornais. Não deu certo.
Fonte: Tela Viva
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