A partir do cálculo de milhões de dados, ambientais e econômicos, o software SimAmazônia é capaz de criar modelos digitais, detalhados e complexos, para prever o comportamento ou a evolução ambiental de uma região específica, como a da floresta Amazônica. Parte das propostas desenvolvidas com base no software foi apresentada na 13ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13), na Indonésia.
?O mais interessante é que o programa passou a ser utilizado para subsidiar novas políticas públicas para a região?, disse Britaldo Silveira Soares Filho, um dos coordenadores do projeto de desenvolvimento do SimAmazônia, conduzido no âmbito do Programa Cenários, vinculado ao Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA).
O Projeto Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), apoiado pelo governo brasileiro e por instituições como Banco Mundial e WWF-Brasil, utiliza informações geradas pelo SimAmazônia para identificar as áreas mais ameaçadas pelo desmatamento na região. O objetivo é torná-las áreas de conservação permanente, uma das saídas consideradas mais eficientes para a preservação da floresta. Os cenários são criados a partir da inserção de dados político-econômicos, além de sociais.
?Com o software é possível identificar as áreas mais ameaçadas pelo desmatamento, ou de maior pressão, e utilizar essas informações para orientar investimentos futuros?, explica Soares, que também é professor da Universidade Federal de Minas Gerais.
Segundo o geólogo, as informações serão decisivas nos rumos do Arpa, que até 2013 pretende consolidar 50 milhões de hectares em unidades de conservação, com investimento de R$ 390 milhões. Só em 2006, o projeto beneficiou quatro unidades de conservação em Rondônia, que, juntas, receberam R$ 4,3 milhões. Nos próximos anos, o Arpa planeja investir na criação de 19,5 milhões de hectares de unidades de conservação de proteção integral.
O governo do Amazonas utilizou o SimAmazônia para subsidiar o documento que levou a Bali, intitulado Iniciativa Amazonas para as mudanças climáticas globais e desenvolvimento sustentável. O texto apresentou a estruturação de um mecanismo financeiro para a remuneração dos serviços ambientais prestados pelas florestas das unidades de conservação do Amazonas como estratégia de contenção do desmatamento e mitigação das mudanças climáticas.
Tanto o documento como os estudos da Arpa reforçaram a necessidade de estruturação de ?mercados verdes?. ?Os resultados dos trabalhos apontam para a necessidade de valoração dos serviços ambientais prestados pelas unidades de conservação?, enfatizou Soares.
Toneladas de carbono
A Amazônia poderia colocar em um futuro mercado de carbono, até 2050, devido ao desmatamento reduzido, cerca de 17 bilhões de toneladas de carbono que seriam emitidos para a atmosfera, caso persista um cenário de desmatamento pessimista.
Isso seria o equivalente a poupar quatro anos das emissões globais de poluição. As projeções são do SimAmazônia, programa de modelagem computacional desenvolvido para simular cenários na região.
Estimativas como essa, conseguidas a partir da utilização do software, estão subsidiando a formulação de novas políticas públicas para a região amazônica, com vistas à valoração dos serviços ambientais e, conseqüentemente, ao combate ao desmatamento e às emissões de carbono na atmosfera. Os resultados apontam caminhos para que o Brasil comece a vender carbono para países desenvolvidos dispostos a pagar pela não-emissão.
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