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Sony e Samsung: Trabalhando em equipe?
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Atualizado em 07/08/2008











Elas estão lado a lado nas prateleiras da BestBuy, Wal-Mart e CompUSA, com ses televisores, gravadores de DVD e câmeras de vídeo: a Sony, o mais conhecido fabricante de eletrônicos do mundo, e a Samsung, o novo-rico que chega a todo vapor. Numa postura que é emblemática do que as empresas pretendem para os próximos anos, a Sony vem buscando se aproximar da Samsung para tentar reviver seus melhores dias. E a Samsung, que por muito tempo foi vista como fabricante de equipamentos low-end, se vê cortejada pela Sony justamente por causa de sua capacidade de produção e de inovação tecnológica.



E por boas razões. Pela primeira vez, a marca Samsung vale hoje mais do que a marca Sony, de acordo com uma pesquisa anual da Interbrand e da revista Business Week sobre as 100 maiores marcas globais, divulgada em 21 de julho último. O levantamento, que considerou os lucros que essas marcas podem gerar, mostrou a Samsung no 20o. lugar, com a Sony caindo para 28o. Mas, em lugar de se conformar com a inversão de posições, a Sony encarou o fenômeno de frente, propondo uma série de acordos que significam verdadeira virada de mesa em relação a sua antiga postura. As duas companhias investiram juntas US$ 2 bilhões numa sofisticadíssima fábrica de displays de cristal líquido na Coréia; desde abril, vem saindo de lá a chamada ?sétima geração? de painéis LCD, ajudando a Samsung a consolidar sua posição como um dos maiores fabricantes de LCD do mundo e dando à Sony um belo sopro, num segmento onde a empresa patinava. As duas empresas também são parceiras no Blu-Ray Group, um dos consórcios que tentam estabelecer um padrão para a próxima geração de DVDs. E, num acordo ainda mais ambicioso, decidiram em dezembro compartilhar nada menos do que 24 mil patentes que cobrem ampla gama de componentes e processos de produção.



Essa parceria chega num momento crucial para a Sony, que tenta cortar custos em sua divisão de eletrônicos. Analistas dizem que a Sony, embora esteja anunciando lucros, deverá demonstrar perdas de aproximadamente US$ 134,8 milhões (15 bilhões de ienes) no trimestre encerrado em junho, pois as vendas de eletrônicos no Japão caíram e os preços da maioria de seus principais produtos simplesmente despencaram. Já a Samsung, por sua vez, anunciou este mês um faturamento líquido de US$ 1,59 bilhão no mesmo trimestre.







Com sua marca e seus produtos sob ataque, juntar-se à Samsung é um sinal de que a Sony, antes uma empresa ferozmente independente, precisa se apoiar cada vez mais em outros para competir no mercado. ?Agora que entramos na era das redes digitais, não dá mais para fazer tudo sozinho?, disse Yoshihide Nakamura, vice-presidente da divisão de propriedade intelectual da Sony. ?Percebemos que precisávamos ter algum tipo de relacionamento com a Samsung ou iríamos enfrentar sérias conseqüências?.



Para a Samsung, os acordos são um reconhecimento de sua crescente importância como um player global, com poder industrial, influência financeira e produtos populares, capazes inclusive de derrotar seu mais prestigioso rival em áreas muito significativas. Afinal, a estrutura de capitalização da empresa coreana equivale hoje a mais do dobro da Sony, e somente no ano passado seus lucros somaram mais de dez vezes o da companhia japonesa. Ao associar-se a esse concorrente, a Samsung espera aprender muito do seu fantástico design e de seu marketing. ?A Sony é sem dúvida uma das poucas empresas de eletrônicos cujas marcas são reconhecidas como ícones?, disse Woo-Sik Chu, diretor de relações com investidores da Samsung, falando por telefone. ?Temos muito que aprender com a Sony. Mas, nesta era digital, tudo começa no mesmo patamar. Eles também querem saber por que nossa marca está crescendo?.



As raízes da aliança Sony-Samsung vêm do final dos anos 90. Foi quando a samsung, maior corporação da Coréia do Sul, emergiu da crise financeira da Ásia como uma força empresarial, graças a uma política incansável de corte de custos e marketing agressivo. A empresa causou sensação ao patrocinar, por exemplo, a Copa do Mundo de 2002. Rapidamente, sua marca estava em todo lugar, vendendo semicondutores, televisores, celulares, players de música e câmeras digitais.







Na mesma época, o chairman da Sony, Nobuyuki Idei, reconhecia que a distribuição de entretenimento pela internet estava tornando cada vez mais difícil para a empresa restringir-se a suas tecnologias próprias, como havia feito durante décadas. Construir parcerias com empresas de vários ramos não poderia mais ser a exceção, e sim a regra. A Sony viu seus mercados caírem em diversos setores, mais notadamente os de TVs de tela plana e monitores de computador. A empresa ainda continuava presa à tecnologia CRT, enquanto os consumidores corriam atrás de TVs LCD e plasmas, cujos preços declinavam graças ao trabalho de concorrentes como Samsung, Sharp e outros.



A Sony também demorou a reduzir seus custos de produção, apesar de eliminar milhares de empregos, fechar fábricas e trocar executivos. Era crucial encontra fornecedores mais baratos e parceiros mais confiáveis para dividir os custos de desenvolvimento. ?A Sony sustentou-se apenas sobre sua marca por muito tempo?, diz Paul O?Donovan, que analisa a indústria de eletrônicos para o instituto de pesquisas Gartner Group. ?Mas nos últimos dois anos ela percebeu que a marca já não é suficiente?. Até que a empresa tentou encontar parceiros japoneses, mas muitos deles enfrentavam o mesmo problema de corte de custos. Além disso, a rivalidade com concorrentes do país era muito grande para que a Sony fosse além de alguns poucos acordos.



À primeira vista, uma aliança entre uma empresa japonesa e outra coreana parecia pouco provável também. Além da histórica rivalidade entre as duas nações, muitas companhias japonesas ainda enfrentavam disputas judiciais contra rivais coreanas. No ano passado, por exemplo, a Toshiba acionou a Hynix, fabricante coreana de chips, acusando-a de violar algumas de suas patentes. A Mitsubishi também foi à Justiça contra a LG, outra grande corporação coreana, alegando uso ilegal de sua patente para displays de plasma. Outra que também está em litígio judicial com empresa coreanas é a Fujitsu.



Mas Sony e Samsung enxergaram além dessas disputas. Executivos das duas companhias vêm se encontrando há anos para discutir estratégias e tecnologias. A Sony até ganhou um sinal positivo quando a Samsung começou a produzir, sob licença, o cartão de memória Memory Stick, em 2001, expandindo esse acordo em 2003. Embora venha investindo também na China com o objetivo de reduzir custos de produção, a Sony sabe que juntar-se à Samsung significa uma outra forma de cortar custos. Permite-lhe participar ativamente dos esforços da empresa coreana em áreas como LCD e chips.







Claro que a Sony ainda é uma potência em termos de pesquisa e desenvolvimento, mas a Samsung vem registrando mais patentes nos EUA nos últimos seis anos. Ao juntar suas patentes, as duas empresas podem reduzir os custos judiciais necessários para controlar o pagamento de royalties entre ambas. Elas não quiseram informar quanto pagam uma à outra anualmente, mas ambas disseram que a Sony vem recebendo mais da Samsung.



Abrir mão de boas receitas de royalties para manter uma parceria estratégica foi um risco calculado da Sony, segundo Nakamura. ?O ponto principal é permitir que nossos engenheiros tenham acesso às propriedades intelectuais de que precisam em seu trabalho de pesquisa e desenvolvimento, de modo que a Sony volte a ser a primeira do mundo. Atingir esse objetivo é difícil, mas não impossível?.



Sony e Samsung não são as únicas empresas do setor eletrônico que vêm buscando alianças. LG e Philips, por exemplo, juntaram-se numa empresa de displays. A Matsushita, dona da marca Panasonic, tem alianças com Toshiba e Hitachi para fabricar LCDs. E a própria Sony tem parcerias adicionais, com a Ericsson na área de celulares com a Philips em outros setores. Essas parcerias, porém, são construídas em torno de determinados produtos, ou para o desenvolvimento de uma tecnologia específica, como é o caso dos DVDs Blu-Ray. Raramente duas companhias tão grandes quanto Sony e Samsung se unem de forma tão abrangente.



Mas, no mundo da eletrônica de consumo, onde as mudanças tecnológicas vivem criando vencedores e perdedores, o conceito tradicional de negócio está mudando. Como diz Richard Doherty, diretor de pesquisas do instituto Envisioneering Group, até empresas ?solitárias? como a Sony ? que sempre decidiram sozinhas seus próprios destinos ? tiveram que mudar de postura e transformar seus inimigos em amigos.



* © THE NEW YORK TIMES





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