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Telefônica não descarta erro humano por falha em rede
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Atualizado em 27/09/2008

O presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, não descarta falha humana na pane ocorrida na rede de dados da operadora que prejudicou assinantes do Speedy (serviço de banda larga), empresas públicas e privadas. Em encontro com jornalistas na tarde desta sexta-feira para prestar esclarecimentos sobre a interrupção dos serviços, Valente disse que a operadora ainda não tem informações sobre as reais causas da pane. O executivo disse que os clientes residenciais serão ressarcidos com descontos na fatura.  

O que se sabe é que a falha partiu de um roteador localizado na camada mais baixa da rede, chegando a atingir as mais altas, que não conseguiram identificar e se defender. O equipamento teria feito imagens falsas que foram replicadas pelos demais aparelhos. Entre as possíveis causas para o alastramento do bug estão a interoperabilidade entre os roteadores ou a inserção de comando equivocado dentro do processo nornal de atualização do sistema, diz Valente. "Se o problema fosse simples e normal, certamente teríamos identificado rapidamente a causa. Foi uma situação fora do normal", afirma Valente. Quando perguntado sobre possível ataque de hacker, o representante da companhia descartou a possibilidade, mas não negou uma chance de sabotagem. "Não descarto 100% a possibilidade de sabotagem, mas não sabemos o que é exatamente. O que queremos identificar é porque os sistemas de proteção de alguns de alguns nós não funcionaram. Essa é a pergunta que nós nos fazemos", diz Valente.

A resposta deverá sair em dez dias corridos, que é o prazo dado aos especialistas do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) para encontrar a resposta do detonador da falha. De acordo com Valente, o roteador onde o problema começou está lacrado e somente os técnicos do CPqD terão acesso ao equipamento. Clientes atingidos De acordo com balanço divulgado pela Telefônica, o bug atingiu diretamente 3,5 mil clientes corporativos dos  7 mil que utilizam os serviços dedicados da rede IP. Valente informou que, até às 16 horas desta sexta-feira, a rede já estava estável e que a maioria dos serviços públicos atingidos já estava com a conexão normalizada, como é o caso do Poupatempo; postos do INSS; CET; Secretarias de Saúde. No entanto, a rede de seis de 650 Tribunais de Justiça ainda apresentam instabilidades. 

A operadora não forneceu balanço de usuários domésticos do Speedy. O presidente da empresa informou que todos serão ressarcidos dos prejuízos, mas não deu esclarecimentos de como isso ocorrerá. ?A Telefônica não vai fazer cobrança de um serviço que não prestou?, diz Valente. A companhia não deu detalhes de como fará o desconto na conta dos usuários da pane que começou às 11h de quarta-feira e terminou às 23 de quinta-feira, período, de acordo com a Telefônica, que o serviço foi afetado. Multas De acordo com a Lei Geral de Telecomunicações, a empresa estaria sujeita à multa de até R$ 50 milhões. No entanto, Valente acredita que a empresa naõ chegará a arcar com valores desse porte. IDEC A advogada do Instituto de Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), Daniela Trettel, considerou a pane sofrida pela Telefônica um problema grave e alertou para o monopólio do serviço de banda larga. Para Daniela, por tratar-se de um serviço essencial para a sociedade, só a competitividade no setor aumentaria a qualidade nos serviços oferecidos. ?É de extrema urgência que se pense em formas alternativas de acesso à Internet e que se concretize, de uma vez por todas, a concorrência e a competição que deve existir, com a inserção e atuação significativa de novos agentes no mercado?

Daniela defende ainda que a Telefônica deva indenizar os consumidores diretos e indiretos pelos danos sofridos, como perda de prazo de entrega de trabalhos, pagamento de contas, negócios não concretizados e dia de trabalho perdido. A advogada e outros membros de serviços de defesa do consumidor estiveram reunidos na tarde desta sexta-feira com o presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, para definir as ações que a empresa tomará em relação aos problemas em sua rede. Segundo nota divulgada pelo Procon, a empresa assegurou que irá adotar procedimentos alternativos para a reparação dos prejuízos sofridos pelos assinantes do Speedy e das pessoas físicas atingidas de forma indireta pelo episódio, mas não definiu a maneira com que o fará. Uma nova reunião está marcada para segunda-feira, dia 7 de julho para definir as ações da empresa de telefonia.

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Palavras-chave: Telefonica | Nao | Descarta | Erro | Humano
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