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Testando caixas acústicas - Parte II
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Atualizado em 07/08/2008





A segunda dificuldade é que a audição de caixas em ambientes diferentes falseia inevitavelmente os resultados, pois as diferenças de acústica entre esses ambientes podem realçar ou atenuar determinadas características do áudio das caixas avaliadas. Isso não quer dizer, no entanto, que as comparações que você fizer nessas condições serão inúteis, mas que deverão ser cuidadosamente ponderadas. Por outro lado, um determinado modelo ou sistema de caixas também pode agradá-lo tanto que você não terá dúvida alguma em escolhê-lo como o seu preferido.

Quando as audições comparativas tiverem início, o primeiro conselho é não ter pressa. Nessas comparações, é muito freqüente achar que determinado modelo é o vencedor e depois mudar completamente de idéia. Motivo: trocar um disco apenas instrumental por outro contendo vozes, ou um disco de rock por um de música sinfônica. Agora, se nenhuma das caixas ou sistemas que você ouvir conseguir se destacar sobre as outras em todos os estilos musicais, procure escolher aquelas que se saíram melhor na reprodução do seu estilo preferido. Porém, para chegar a esta ou a outra conclusão com suficiente grau de segurança, prepare-se para um longo jogo de pingue-pongue entre as caixas que estão sendo consideradas. Essas comparações deverão ser feitas duas a duas, ou seja, as caixas ?A? deverão ser comparadas com as caixas ?B?. Quem vencer, seguirá para a disputa com as caixas ?C? e assim sucessivamente. No caso de sistemas completos para surround, faça as comparações ouvindo CDs no modo estéreo e filmes no modo Dolby Digital ou DTS.

Outro detalhe a ser observado é que as caixas comparadas devem estar posicionadas mais ou menos de forma semelhante dentro do ambiente de audição. Mudanças consideráveis de posição poderão fazer com que a acústica do ambiente venha a favorecer ou prejudicar o desempenho de uma caixa ou sistema. Quando falamos em posicionamento, estamos nos referindo à distância das caixas de cada sistema entre si, das paredes laterais e da parede frontal ou traseira. Numa audição em estéreo, por exemplo, a caixa esquerda ?A? deverá estar ao lado da caixa esquerda ?B? e a caixa direita ?A? ao lado da caixa direita ?B?.

Vale ficar atento também ao nível de volume das caixas comparadas, que deve ser o mais uniforme possível. Na ausência de diferenças mais flagrantes entre duas caixas, nossa tendência natural é preferir aquela que estiver tocando mais alto. Uma diferença de apenas 1dB já é suficiente para favorecer a caixa de volume mais elevado. Como você irá observar, não basta que o controle de volume do amplificador ou receiver se mantenha o mesmo. Devido às diferenças de sensibilidade entre as caixas, a probabilidade de que toquem em volume idêntico é muito pequena. Assim será necessário reajustar o volume do amplificador ou receiver a cada troca de sistema. O ideal seria que esse ajuste fosse feito com o auxílio de um medidor de pressão sonora, bem mais preciso do que os nossos ouvidos. Como dificilmente este instrumento estará disponível, o ajuste acabará tendo de ser feito na base do ?orelhômetro? mesmo, o que não é de todo ruim, desde que feito com cuidado.

Um dos aspectos mais importantes a serem avaliados nas caixas acústicas é a capacidade de projetar uma imagem acústica ou palco sonoro com características de tridimensionalidade. Para isso, nas audições em estéreo, procure ficar sentado exatamente entre as duas caixas frontais a fim de avaliar o seu desempenho nessa área. Nos discos com solistas vocais, a voz do cantor(a) deverá ficar o mais nitidamente possível focalizada no meio dessas duas caixas, como se estivesse sendo reproduzida por uma caixa central. Nas músicas instrumentais, você poderá avaliar o desempenho das caixas em termos de largura, profundidade e altura da imagem sonora, bem como a capacidade de localizar precisamente o posicionamento de cada instrumento dentro do palco sonoro.

Se você nunca houver feito antes esse tipo de avaliação, irá ficar surpreso com o grau de realismo atingido por algumas caixas. Você irá perceber que os sons se estenderão lateralmente bem além da posição ocupada pelas duas caixas. Terão ainda uma profundidade que criará a ilusão de que o áudio vem de um local atrás das paredes à sua frente. Em outras palavras, as duas caixas deverão ?desaparecer? como as fontes dos sons reproduzidos. O grau de precisão com que as caixas comparadas atingirem esses efeitos irá determinar qual delas é a melhor nesse aspecto.

Em uma avaliação desse tipo, o mais aconselhável é a utilização de discos contendo música sinfônica, geralmente os mais bem gravados. Nesses discos, a gravação é feita com microfones cuidadosamente posicionados para obter os efeitos desejados de largura e profundidade da imagem sonora e de localização dos instrumentos. Embora esse tipo de cuidado também possa ser encontrado em algumas gravações de música popular, a maioria é feita de uma forma que torna impossível esse tipo de avaliação. É comum, por exemplo, que a gravação da voz do vocalista e de cada instrumento ou grupo de instrumentos seja feita separadamente e depois mixada com as demais vozes e instrumentos. Além disso, as gravações de música popular normalmente utilizam compressão de áudio, o que reduz a sua faixa dinâmica, ou seja, a diferença de intensidade entre os sons mais baixos e os mais altos.

O ideal de todo audiófilo é escolher caixas acústicas de acordo com a fidelidade de timbres, a neutralidade na reprodução de todos os tipos de vozes e instrumentos. O que esse público busca é criar em suas salas a ilusão de estar presente em uma apresentação ao vivo. Em outras palavras, o maior realismo possível. Assim, para avaliar a qualidade de um sistema de caixas acústicas ou de qualquer produto de áudio, sua referência é sempre a música ao vivo ou, no caso do home theater, os sons como eles se apresentam na natureza. Embora teoricamente este seja o critério correto de avaliação, a grande verdade é que, de tanto ouvir sistemas de áudio de má qualidade ou por pura e simples desinformação, a maioria das pessoas já está viciada em determinados exageros. Enquanto algumas gostam mais de uma certa exacerbação dos agudos, outras são do tipo ?bass-freaks?, que adoram uma boa dose de exagero nos graves.

Se você se identifica com um desses tipos de ouvintes, quem sabe não seria a hora de rever os seus conceitos de qualidade. Através de uma reeducação dos hábitos de audição, você iria descobrir que um som mais equilibrado ou realista acaba sendo mais agradável e muito menos cansativo, principalmente em audições prolongadas, do que outro com exageros em qualquer faixa de freqüência. No caso específico dos graves, uma reprodução equilibrada não significa graves anêmicos. Pelo contrário. Mesmo sem qualquer realce artificial, eles podem ser potentes e impactantes, secos e precisos, desde que as caixas e/ou o subwoofer tenha(m) a necessária qualidade e o receiver ou processador de surround esteja bem ajustado. Essa naturalidade ou fidelidade a que estamos nos referindo é especialmente importante na reprodução dos diálogos dos filmes. Aqui, qualquer exagero acaba tornando a seqüência pouco natural e comprometendo a sua inteligibilidade.

Por último, mas não menos importante, esqueça qualquer tipo de opinião preconcebida a respeito da marca ou procedência das caixas avaliadas. Sim, é verdade que determinadas marcas costumam oferecer um nível de qualidade mais elevado em qualquer faixa de preços. Mas isso não impede que possam ser igualadas ou até superadas por produtos concorrentes com preços até inferiores. Por isso, para eliminar a poderosa influência desse fator subjetivo na avaliação de caixas acústicas, os grupos de audição dos fabricantes e alguns críticos de áudio costumam até ocultar as caixas avaliadas atrás de uma cortina, impedindo a sua identificação. Nesse aspecto, você precisará estabelecer o que é mais importante para você: impressionar os amigos comprando uma marca de prestígio ou levando para casa o melhor em uma determinada faixa de preços, não importando a sua marca ou país de procedência.







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Palavras-chave: Testando | Caixas | Acústicas | - | Parte
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