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Tocando filmes da Web na sua TV
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Atualizado em 07/08/2008





O pesquisador em tecnologia Michael Cai viu a promessa da convergência de mídias em primeira mão, mais de dois anos atrás, quando um amigo o convidou a assistir o filme Harry Potter e a Pedra Filosofal. O filme foi pirateado da Internet e tocado do PC para uma grande tela de TV usando a tecnologia da X10, disse ele, referindo-se ao fabricante das pequenas câmeras digitais cujos anúncios pop-up inundaram a Web naquela época.



Com a entrada de um novo ano, o mundo é, ao mesmo tempo, bem similar e bastante diferente para os entusiastas do vídeo, que querem tirar filmes da Internet, armazená-los em seus PCs e assisti-los em telas gigantes de TV.



O que é novidade é a lista de dispositivos que podem ligar esses dois mundos, seja com cabos ou até mesmo com tecnologias sem fio. Mas uma coisa não mudou: é a carência de conteúdo legal de boa qualidade que justifique o investimento de mais pessoas.







Esforços para disponibilizar mais conteúdo estão em curso, mas ainda vai demorar um pouco para que eles alcancem os avanços em hardware.



Os preços para dispositivos de redes domésticas como roteadores wireless caíram um bocado em 2004 e os consumidores reagiram abrindo suas carteiras. Mas os consumidores ainda estão usando estes produtos mais para compartilhar conexões de banda larga.



Facilitar tocar e distribuir conteúdo multimídia irá trazer uma nova dimensão para o mundo dos produtos eletrônicos, ao mesmo tempo em que vai impulsionar a transição da indústria para o conteúdo digital. Enquanto a lista de produtos que fazem isso vai crescendo, as vendas tem sido desapontadoras até o momento, de acordo com a CEA (Consumer Electronics Association).



Acho que nós nem acompanhamos essa categoria, disse o porta-voz da CEA Sean Wargo. A categoria é muito nova.



Vendas desapontadoras não são por falta de tentativas. A indústria de eletrônicos fez uma investida nesse mercado em 2002, quando a Intel desenvolveu um modelo de referência para um adaptador de mídia e os ofereceu aos fabricantes. Houve apenas um interesse limitado na ocasião mas mais recentemente alguns grandes fabricantes de PCs como a HP e a Gateway, e fabricantes de produtos wireless como a Linksys, Netgear e D-Link, lançaram adaptadores de mídia que conectam PCs à TV por canais sem fio, usando várias versões do padrão WiFi.



Além disso, vários DVD players high-end de marcas pouco conhecidas como GoVideo, Amoi, e KISS contam com recursos Ethernet ou WiFi que permitem a TVs acessarem arquivos em computadores como fotos, músicas no formato MP3 e a maioria dos formatos de vídeo.



Procure pela etiqueta DivX



A KISS, uma fabricante alemã de componentes de áudio e vídeo high-end começou a produzir um DVD player com um conector de redes Ethernet dois anos atrás, e agora oferece diversos modelos que variam de US$ 250 a US$ 400. Estes equipamentos, que suportam o formato de arquivos DivX, têm um atrativo extra para os aficcionados por Internet que usam redes peer-to-peer como BitTorrent e eDonkey para armazenara imensas bibliotecas de vídeo no formato DivX.



A DivX Networks, empresa que criou o formato, está trabalhando duro para se transformar em um provedor legítimo de tecnologias para mídias digitais e fechou acordos com a maioria dos fabricantes de chips para DVDs, visando licenciar sua tecnologia, que comprime enormes arquivos, facilitando o seu download pela Web. A companhia argumenta que os consumidores já criaram bilhões de arquivos com o codec DivX, muitos dos quais estão disponíveis on-line, com ou sem permissão dos seus detentores de direitos autorais. Grandes marcas como JVC e Panasonic hoje vendem DVD players compatíveis mas sem oferecer funcionalidades como conexões Ethernet ou WiFi options.



Outros estão indo em frente com adaptadores multimídia que suportam formatos de vídeo que são padrões da indústria mas menos usados em redes peer-to-peer como MPEG-1, MPEG-2, MPEG-4 e o Windows Media Video-9.



Só em dezembro, a Netgear lançou um player de mídia digital wireless por US$ 220 (MP115) que emite conteúdo digital a partir de um PC ou da Internet para TVs ou aparelhos de som. O dispositivo chega ao mercado cerca de um ano depois que a empresa lançou um player de música com funcionalidades de rede por apenas US$ 149.



Quem também mira no mercado de vídeo é a Linksys, que anunciou seu DVD player com o Wireless-G Media Link em janeiro do ano passado, junto com seu player para músicas em rede.Com a lenta adoção desses dispositivos, Cai disse que eles podem ser ultrapassados por dispositivos convergentes de novas gerações que trazem recursos de banda larga diretamente ao aparelho de TV. Alguns destes dispositivos já estão disponíveis atualmente, incluindo uma TV de tela plana da Sony cujo codinome é Altair.



Os gravadores de vídeo digitais (PVRs - personal video recorders) com links diretos para modems de banda larga também poderiam eliminar a necessidade para os dispendiosos DVD players com recursos de rede ou adaptadores de mídia digital. A TiVo, por exemplo, anunciou ter planos para criar um serviço de download de vídeo em parceria com a Netflix.



Vídeo Wireless: ainda em desenvolvimento



Conectar um PC à TV com cabos pode ser bem trabalhoso mas os consumidores também devem ser cuidadosos com as propostas dos fabricantes sobre a transmissão de vídeo sobre redes WiFi. O padrão Wi-Fi não inclui nenhum controle para a qualidade do serviço, disse Cai. Isso pode levar a alguns problemas à medida em que surgirem problemas de flutuação na banda de transmissão.A qualidade do vídeo em uma rede promete melhorar com uma nova especificação do protocolo WiFi, chamada 802.11e, que pretende garantir que fluxos de vídeo não sofram interrupção.



O porta-voz da Netgear Doug Hagan disse que enquanto a qualidade do vídeo possa ser um problema, os roteadores wireless estão melhorando sua performance nesse tópico. Novos padrões em desenvolvimento como o 802.11n deverão resolver estes gargalos, com os primeiros produtos devendo chegar ao mercado no início de 2005, antes mesmo da especificação estar fechada.



O padrão 802.11n está prestes a ser finalizado. Uma vez completo, ele permitirá que os dados sejam transmitidos em redes sem fio em velocidades em torno de 100 mbps. Propostas para o padrão 802.11n estão sendo avaliadas pelo IEEE (Institute of Electrical and Electronic Engineers), que determina os padrões da indústria e que não deve estar pronto pelo menos pelos próximos três anos.



Nesse meio tempo, companhias como a Netgear estão explorando o padrão 802.11a para aprimorar a qualidade do vídeo, afirma Hagan.



O padrão 802.11a é menos suscetível a interferências em comparação com os padrões 802.11g e 802.11b, que usam as mesmas freqüências de rádio que as microondas e alguns telefones sem fio, e podem usar mais canais para enviar e receber dados, evitando que um sinal de vídeo sofra interrupções.



Outros esforços para conectar produtos eletrônicos e dispositivos de computação também estão em andamento. A especificação Universal Plug and Play, pode permitir que diferentes dispositivos possam interagir, tocando os mesmos arquivos em diferentes tipos de equipamentos. Esta plataforma, desenvolvida pelo UPnP Fórum, conta com o apoio de grandes empresas como Microsoft, Philips, Sony, Intel, IBM e Hewlett-Packard. O objetivo maior do Fórum é ajudar nesse crescimento ao fazer com que produtos existentes ou novos dentro do ambiente doméstico sejam mais fáceis de usar.



Tornar a multimídia fácil de tocar é complicado e muitas das partes que podem tornar isso mais fácil não estão nos seus devidos lugares, diz Stephen Baker, um analista da NPD Techworld. Tocar vídeo ainda não progrediu tanto quanto a música já o fez.



O mundo da convergência é consideravelmente menos amigável para os consumidores que querem assistir a vídeo legalmente adquirido do que para aqueles que querem fazer a mesma coisa com música. Os audiófilos podem explorar os serviços como a loja de música iTunes, da Apple, ou o novo serviço de assinaturas chamado Rhapsody, lançado em conjunto pela Napster e RealNetworks.



Além disso, há um número considerável de dispositivos que podem extrair música do PC para um som doméstico, como o roteador sem fio AirPort Express, da Apple, ou o Roku Soundbridge. Diversas lojas de vídeo por download agora existem online, como MovieLink e CinemaNow, oferecendo para os internautas uma pequena coleção de filmes para aluguel e compra.



Alguns analistas dizem que mais conteúdo está a caminho, graças aos esforços da Digital Living Network Association (DLNA), um grupo da indústria que está negociando o licenciamento de conteúdo e as plataformas tecnológicas com Hollywood. Cai disse que a DLNA deve fazer alguns grandes anúnicos no próximo ano, que poderão abrir mais conteúdo e fazer a convergência PC-TV mais atraente para o consumidor médio.



Baker concorda que 2005 poderia ser o ano decisivo para Hollywood e fabricantes de eletrônicos que querem sedimentar a demanda de consumo para dispositivos domésticos com conectividade.Se você tem uma estratégia de entretenimento digital, diz Baker, este é o ano para você executá-la.











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