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Tutorial: compartilhamento torrencial de arquivos
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Atualizado em 26/09/2008

Dizem que a atividade é responsável, sozinha, por mais de um terço do tráfego de dados na Internet. Alguns condenam a prática e pedem ações das autoridades. Outros não vêem nada de mal nela e já não vivem sem. Descrevendo assim, poderíamos até estar falando do spam, as mensagens não-solicitadas que todos amamos odiar, mas o assunto aqui é outro: quem movimenta 35% dos bytes da rede mundial, hoje, são os arquivos distribuídos via BitTorrent, atual líder dos sistemas peer-to-peer, ou P2P, de compartilhamento de arquivos.

Opa! P2P e compartilhamento de arquivos remetem imediatamente à pirataria de música, não é? Sim, essas tecnologias ficaram conhecidas na época do Napster, Morpheus, Kazaa... Seria ingenuidade dizer que com o BitTorrent é diferente. Se bem que, de certa forma, até que é: a maior eficiência do sistema e as conexões mais rápidas que as de anos atrás fizeram de vídeos e games ? DVDs inteiros, em seus múltiplos gigabytes de glória ? o contrabando favorito dos compartihadores torrenciais!

Bem ou mal?

Só que, assim como seus antecessores, o BitTorrent tanto pode ser usado ?para o mal?, na cópia de arquivos protegidos por direitos autorais (prática que o WNews condena veementemente), quanto para agilizar o distribuição de conteúdo livre, freqüentemente incentivado pelo próprio autor. Neste caso, usar o BitTorrent livra o dono original do conteúdo de arcar com pesados custos de banda de conexão para suportar milhares de downloads, já que tudo é repartido entre os ?peers?.

A grande vantagem do protocolo BitTorrent é que os arquivos são quebrados em dezenas de fragmentos e, assim que se começa a baixá-los, os blocos já recebidos ficam disponíveis para o resto da rede (evitando que muitos baixem de poucos). O sistema também é ?inteligente? o suficiente para enviar primeiro os blocos mais raros, de modo a tornar o arquivo o mais distribuído possível pela rede.

Pointer, tracker e client são indispensáveis

Produtores de games baseados em cobrança de assinatura, desenvolvedores de software open source, diretores de cinema independentes e músicos pouco conhecidos são apenas alguns dos criadores que podem se beneficiar do BitTorrent para disseminar, legalmente, sua obra. O advogado e criador do Creative Commons Lawrence Lessig já divulgou torrents de suas palestras, como o debate sobre ?Quem é o dono da cultura??, na Biblioteca de Nova Iorque, que usaremos como exemplo neste tutorial.

Outra característica marcante do BitTorrent é que o sistema em si não oferece um mecanismo de busca ? o que costuma ser usado como argumento para mostrar que ele não incentiva a pirataria. É preciso conhecer o nome e a localização do ?pointer?, arquivo que lista os blocos do download e aponta para o ?tracker?, que os encontra em computadores mundo a fora. No caso da palestra de Lessig, o link foi divulgado em seu blog: http://www.prodigem.com/torrents/download/lessig/lessig-LessigNYPL.torrent.

O endereço do torrent pode ser localizado via Google ou algum outro mecanismo de busca. Se digitar as palavras Lessig e torrent, acabará encontrando o link acima em alguma página. Mas o melhor caminho para procurar conteúdo novo é nos sites especializados em torrents, como o http://www.legaltorrents.com, que lista apenas arquivos legalmente compartilhados. Como o documentário brasileiro sobre gamers, em http://www.legaltorrents.com/bit/gamer_br.torrent. É claro que existem inúmeros sites de torrents ilegais, mas esses você vai ter que encontrar por sua conta e risco.

Se você nunca mexeu com torrents e clicar nesses links, porém, seu computador não saberá o que fazer com eles. É preciso antes instalar um programa cliente. Sim, pois BitTorrent é o nome do sistema e do protocolo de troca de arquivos, mas existem diversos programas baseados no padrão. Vamos usar um dos mais populares, o Azureus, que pode ser baixado gratuitamente de http://azureus.sourceforge.net/.

Só o sapo assusta no assistente de instalação

A instalação do Azureus, cujo ícone é um lustroso (e venenoso quando encontrado em seu habitat natural, no Suriname) sapo azul de nome científico Dentrobates azureus, não podia ser mais simples. De cara, o assistente pergunta qual idioma deve ser usado, e o português não só aparece na lista ? coisa rara em softwares não-comerciais ? como pode ser do Brasil ou de Portugal (Figura 1).

Em seguida, temos que informar para o assistente nosso nível de conhecimento de Internet. Como tudo o que queremos por agora é baixar alguns torrents (e não criá-los ou manter um tracker, por exemplo) sem maiores preocupações com portas de TCP e outros detalhes técnicos, escolhemos a opção ?Iniciante?, ou beginner (Figura 2).

Na tela seguinte, precisamos escolher a velocidade de nossa conexão à Internet. As opções são auto-explicativas e, como estamos no modo iniciante, nem é preciso (ou possível) definir a velocidade máxima de upload. Repare que, de acordo com a velocidade informada, o programa mostra qual será o máximo de torrents ativos e de downloads e uploads simultâneos (Figura 3).

O próximo passo é o mais complicado do processo: escolher a porta de TCP que o programa usará para se comunicar com a Internet. Felizmente, é possível testar a sugestão do assistente e, na maioria dos casos, deixar assim mesmo (Figura 4). Se não funcionar, será preciso entrar no gerenciador do seu firewall e abrir a tal porta ? algo relativamente simples de fazer quando se está familiarizado com o firewall, mas que pode ser impossível na rede de uma empresa. A última tela do assistente permite escolher a pasta onde serão gravados os torrents e ativar ou desativar o recurso de reinício rápido, que, entre outras coisas, permite reinciar o download de blocos parcialmente baixados (Figura 5). Depois, é só clicar em ?Terminar? e pronto. O Azureus está instalado e pronto para começar a receber seus torrents. Para testar, é só clicar em um daqueles links lá de cima.

Colocando o primeiro torrent na fila

A tela principal do Azureus, tal como aparece logo que o programa é executado pela primeira vez, não diz muita coisa (Figura 6). Sua única aba, ?Meus Torrents?, deveria exibir, na metade de cima, os arquivos em processo de download e, na de baixo, as torrentes que só estão sendo enviadas. Por enquanto, está tudo vazio, e o único botão ativo é o ?Abrir?. Tratemos de clicá-lo, então.

Na janela de abertura de arquivos (Figura 7), temos botões para adicionar arquivos (se você tiver baixado um daqueles .torrent dos links do início do tutorial, por exemplo) e links para eles, inclusive direto da área de transferência do Windows (basta copiar o link do navegador e clicar em Add from Clipboard para começar a baixá-lo). Se você optar por ?Abrir URL?, o link da área de transferência já virá preenchido (Figura 8).

Se o programa conseguir acessar o tracker (às vezes a torrente já saiu do ar), exibirá nesta mesma tela (Figura 9) os arquivos presentes na torrente, permitindo que selecionemos o que baixar. Alguns torrents contêm apenas um arquivo. Outros, como este, trazem junto a licença de uso (cujo download é obrigatório). E alguns, listam mais de dez arquivos ? as músicas de um CD, por exemplo ? justificando a possibilidade de se escolherem apenas os que nos interessam. Aqui também devemos escolher em que pasta os arquivos serão guardados e a posição deste torrent na fila de downloads, que até agora estava vazia.

Depois que fecharmos a tela de abertura de torrents, voltaremos àquela tela inicial, onde agora deve aparecer nosso primeiro torrent, na metade superior (Figura 10). Como o vídeo da palestra tem menos de 50 MB, não deve demorar muito para baixar. Já se você resolver pegar o documentário sobre games, de 750 MB, pode esperar deitado. É coisa para alguns dias de download.

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Palavras-chave: Tutorial | Compartilhamento | Torrencial | De | Arquivos
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