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Tutorial: o que fazer com o computador velho (Parte 2)
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Atualizado em 24/09/2008

Na primeira parte deste tutorial, listamos os upgrades mais simples que podemos fazer num computador já meio antigo a fim de lhe proporcionar uma sobrevida. Na segunda parte do guia, abordaremos alguns usos alternativos que se pode dar ao computador velho de guerra antes de o deixar partir para uma instituição de caridade, de preferência, ou para reciclagem.

Na área de comentários da primeira parte, entre argumentos contra e a favor dos upgrades, fomos criticados por não mencionar a alternativa de instalar o sistema operacional Linux e um pacote de aplicativos de escritório e Internet. De fato, como o Linux é mais leve e estável, esta pode ser uma solução para a lentidão do micro com os atuais programas do mundo Windows ? especialmente o próprio.

Como desbravar um sistema operacional desconhecido não é o passatempo preferido da maioria das pessoas normais, é compreensível que, o dinheiro permitindo, se opte por um micro novo para as tarefas importantes. Mas que tal aproveitar que a velha carroça vai ficar sem uso e usá-la de cobaia para suas primeiras experiências no mundo do software livre? Dedique algumas horinhas a aprender um pouco sobre Linux ? você não vai se arrepender! Como veremos adiante, dá para fazer muita coisa com um velho PC movido a Linux. Se você quer aprender os primeiros passos do pingüim, leia o nosso tutorial.

Segurança metamórfica

As melhores idéias do que fazer com um micro antigo envolvem transformá-lo em um computador dedicado a uma determinada tarefa que não o sobrecarregue demais, livrando os demais (ainda que seja só um) PCs da responsabilidade. Uma dessas tarefas é a filtragem do que entra e sai da sua rede para evitar ataques ou invasões. Em outras palavras, o PC velho vira um firewall.

Entre os programas mais tradicionais para isso estão o SmoothWall Express, e seu ?descendente? IPCop, ambos firewalls de código aberto baseados (adivinhem?) em Linux, mas que dispensam qualquer conhecimento do sistema operacional do pinguim para sua instalação e configuração. Se você sabe gravar um CD a partir de um arquivo de imagem (ISO) e o micro velho tem drive de CD-ROM, não terá grandes dificuldades em baixar e instalar um desses programas.

Para que o velho PC possa ser usado como firewall, entretanto, ele precisará de duas placas de rede ? uma para conectá-lo à Internet, geralmente via modem banda larga (cabo ou DSL), e outra para ligá-lo ao resto da rede (direto no computador novo, se não houver mais nenhum, ou no hub/roteador, em redes maiores). A exceção é se o seu modem banda larga for USB ? neste caso, basta a placa para o resto da rede. De resto, qualquer Pentium (ou mesmo um 486 rapidinho) com 64 MB de RAM dá conta.

Transforme o computador num roteador ou servidor

Se você precisa compartilhar arquivos, impressoras ou a conexão à Internet entre mais de um computador, o micro velho pode servir. Para transformá-lo em um servidor de arquivos ou impressão, basta que esteja conectado à rede e com o recurso em questão compartilhado ? quase todas as versões do Windows permitem isso. Desta forma, só ele precisará ficar ligado o tempo todo.

O único upgrade que pode ser necessário é de disco rígido, se o objetivo for compartilhar toda a sua biblioteca multimídia na rede. A vantagem é que o espaço passa a ser ocupado em apenas um computador, eliminando a necessidade de replicar os arquivos em cada máquina da rede (ou deixar todas ligadas) e simplificando o processo de backup (você faz backup, né?).

Já se a idéia for transformar o PC num roteador para dividir a conexão à Internet, vale a mesma lógica do firewall: se o seu modem banda larga não for USB, o micro velho precisará de duas placas de rede ? uma para o modem, outra para o resto da rede local. Como uma nova custa menos de R$ 50, bem menos que um roteador ou servidor de impressão dedicado, pode valer o investimento.

O problema é que esta solução é um pouco mais difícil de configurar. As instruções (em inglês) de como fazê-lo usando o Gentoo Linux você encontra aqui. Ah, e vale lembrar que um computador completo, ainda que com o monitor desligado, consome mais energia que um roteador ? pense nisso na hora de calcular o custo total da brincadeira. O lado bom é que, se você souber o que está fazendo, poderá personalizar seu roteador com muito mais flexibilidade do que se fosse um aparelho dedicado.

Canibalize

Se está difícil achar uma utilidade para o computador inteiro e você não está disposto a executar idéias idiotas como transformar o coitadinho em um aquário ou churrasqueira, talvez o melhor seja adotar a velha tática do ?dividir para conquistar?. Se você tiver alguma experiência com montagem de PCs, saberá desmontá-lo com facilidade. Se não tiver, é uma boa oportunidade de aprender.

Algumas peças do micro velho podem ter utilidade no novo: o HD, se não for muito pequeno, pode servir para guardar arquivos menos importantes ou backup ? sem falar que reaproveitá-lo no micro novo garante que não perderemos nada na migração. Uma placa de vídeo PCI pode ficar de reserva ou ser instalada junto com a principal, AGP ou PCI Express, permitindo que se trabalhe com dois monitores. E se o micro velho tem modem e o novo, não, pode ser uma boa idéia guardá-lo para uma emergência ? se a conexão de banda larga falhar na hora de enviar um trabalho importante, por exemplo.

Por fim, se vender um computador velho é um tanto difícil, suas peças podem ter demanda na Internet. Fotografe cada uma delas em detalhe, copie todas as especificações e anuncie em fóruns especializados ou sites de leilão. Você pode não ganhar muito dinheiro com isso, mas fará alguém que precisava da sucata muito feliz e, no caso do site de leilão, ainda ganhará algumas avaliações positivas.

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