
Depois do decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que optou pelo padrão de TV Digital Japonês, o ISDB, a grande pergunta é: o que muda a partir de agora? ?De imediato nada vai mudar na vida do brasileiro. Os primeiros sinais
devem demorar entre 12 e 18 meses para começarem a ser testados e isso acontecerá, inicialmente, somente nas capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro?, diz Ricardo Benetton Martins, diretor de TV Digital do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações).
Carlos Ferraz, diretor do CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife), concorda que a transição será demorada. ?O prazo de 10 anos determinado pelo governo é bem otimista. A Inglaterra iniciou a implantação há 15 anos e adiou o encerramento das transmissões analógicas, agora previsto para 2012, duas vezes?, pondera Ferraz.
Mas Benetton explica que este prazo é para a implantação da cobertura do sinal e não para o encerramento das transmissões analógicas. ?O governo não tem como controlar isso, não pode obrigar as pessoas a comprarem equipamentos para receber o novo sinal?. Por outro lado, os dois especialistas acreditam que o mercado investirá em incentivos para a digitalização. ?O governo deve contribuir com isenção fiscal e as empresas com subsídios e promoções, como na época da substituição dos celulares analógicos por digitais?, completa Ferraz.
TV Digital Móvel deve chegar primeiro
Tanto Benetton, quanto Ferraz apostam que a TV Digital poderá chegar primeiro aos celulares do que nos televisores domésticos. ?É mais viável para o consumidor investir num aparelho móvel de última geração do que num televisor novo?, analisa Ferraz. Benetton completa ainda que, nas pesquisas do CPqD, detectou que grande parte dos brasileiros das classes C e D ganham televisores usados de terceiros. ?A pessoas não têm condições financeiras de adquirir TVs de plasma ou LCD, capazes de receber sinal digital?, alerta o pesquisador do CPqD. ?Além disso, o mercado de celulares evolui muito mais rápido?.
Set Top Box é a saída
Os set top boxes, equipamentos que captam a transmissão digital e convertem em sinal digital para os televisores comuns, deverão chegar ao mercado a um preço médio de R$ 200, antecipa Benetton. "Futuramente o preço deve cair ainda mais?. O especialista acredita que fabricantes, operadoras, emissoras e o próprio governo terão que estimular a compra de conversores. "Assim como as operadoras de telefonia móvel incentivaram há alguns anos a troca de aparelhos analógicos por digitais", compara Benetton. Até porque, segundo o pesquisador, chegará um momento que ficará muito caro para as emissoras e retransmissoras sustentarem dois modelos de sinais. "O mercado vai ditar o ritmo e definir o que as emissoras vão fazer de diferente para que o cidadão tenha interesse em fazer a troca", aposta.
Quer ouvir a íntegra das entrevistas com Ricardo Benneton e Carlos Ferraz? Clique abaixo:
Carlos Ferraz, diretor do CESAR (Centro de Estudos Avançados do Recife)
Ricardo Benneton, diretor de TV Digital do CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações)