
A decisão sobre a escolha do padrão de TV Digital no Brasil está na reta final. Tudo indica que no anúncio, previsto para sexta-feira (10/03), o governo optará pelo sistema ISDB-T, também conhecido como japonês. Com a decisão tomada, um dos próximos passos é saber como os fabricantes colocarão equipamentos no mercado que permitam usufruir desta nova tecnologia.
Set top box: ponto de partida
A televisão está presente em mais de 90% das moradias brasileiras, segundo a última PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o que representa mais de 50 milhões de aparelhos analógicos espalhados pelo País. Por isso, o ponto de partida da migração para o sinal digital é o set top box.
"Não pode-se esperar que todas essas pessoas substituam seus televisores de uma hora para a outra", alerta Walter Duran, diretor executivo da Philips. Segundo o relatório do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), o Brasil levará pelo menos seis anos para concluir a transição para TV Digital.
Quanto custará
De acordo com o diretor da Philips, na Inglaterra, onde o sistema adotado é o DVB, os set top boxes são vendidos por cerca de R$ 76. ?Para o sistema japonês, os equipamentos sairão por volta de R$ 450?, revela. O relatório do CPqD prevê que o custo do conversor ficará entre R$ 276 e R$ 761, dependendo da complexidade do sistema. No final de 15 anos, esses valores somariam um gasto de aproximadamente R$ 14 bilhões para a população.
Quem vai produzir
Duran afirma que a Philips vai produzir o conversor para o mercado brasileiro, mesmo discordando do sistema japonês. ?Nossa preocupação não é produzir, é vender?. Ao contrário da Philips, a LG e a Samsung se mostraram animadas com a propensão do Governo ao padrão japonês.
No entanto, a LG pretende produzir set top boxes. Fernanda Summa, gerente de produtos da companhia, afirmou que serão produzidos aparelhos de TV de Plasma, LCD e Flatron equipados com sintonizadores para sinal digital. E a Samsung ainda não tem definições sobre produção. A Pionner, que também apoia o sistema japonês, afirma que tem condições de importar a qualquer momento aparelhos de TV Digital para o Brasil.
Mobilidade
Já a Siemens e a Nokia declaram que não produzirão equipamentos para o sistema de TV Digital japonês. Para as duas companhias, adeptas ao padrão europeu (DVB), o alto custo da fabricação dos produtos e a falta de flexibilidade do sistema japonês, inviabilizam a produção. "Em nenhum lugar do mundo a Nokia fabrica celulares com TV Digital no modelo japonês, sairia caro demais, pois no Japão não existe tecnologia GSM", afirma Cláudio Raupp, gerente geral da Nokia no Brasil.
Qualidade de imagem
Quanto à qualidade da imagem, se você não faz parte de uma pequena fatia da população que já tem em casa uma TV de alta definição, com monitor de plasma ou LCD, precisará mais do que de um set top box ou conversor de sinais para usufruir da era da TV Digital. Segundo Duran, da Philips, 85% das TVs vendidas pela companhia são de 14 e 20 polegadas. ?Esses aparelhos não têm capacidade para exibir imagens de alta definição?. Duram explica que o set top box apenas capta o sinal digital e o converte para que a TV analógica possa transmitir. ?A qualidade da imagem depende do televisor?, completa.