
Geração de empregos na indústria, que vai renovar um parque estimado em 100 milhões de aparelhos de televisão no prazo de 10 anos, e novas oportunidades de negócios com programação e publicidade interativas. Esse pode ser o grande negócio da década no Brasil com a entrada da TV digital, na avaliação do ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga.
Segundo dados da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a indústria terá que investir 100 milhões de dólares em cada fábrica para a atualização tecnológica. As redes de TV brasileiras devem gastar 1,7 bilhão de dólares em 10 anos para se capacitarem a transmitir sinais digitais.
Mas todo esse investimento só vai começar a circular quando o governo brasileiro se definir por um dos três padrões tecnológicos de TV digital desenvolvidos no mundo - o americano ATSC, o europeu DVB e o japonês ISDB.
É preciso ter garantias nas penosas negociações com esses países que detêm a tecnologia, afirmou Pimenta da Veiga na abertura do congresso da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações (SET 2001). O ministro quer garantias de investimento na produção de aparelhos de qualidade a preços baixos.
É importante considerar também que o Brasil seja uma plataforma de exportação, declarou o ministro, referindo-se a discussões com os países latino-americanos para que seja adotado um padrão digital comum. Isso nos dá grande poder de negociação, disse.
Dados do Ministério das Comunicações indicam que haja entre 60 e 70 milhões de aparelhos de TV no país, que podem chegar aos 100 milhões no final da transição do sistema analógico para o digital. Segundo o ministro, toda a América Latina forma um mercado de 400 milhões de aparelhos.
A Abert estima que existam hoje no Brasil 54 milhões de aparelhos de TV, cerca de 60 por cento de todo o Mercosul. Para o presidente da Abert, Fernando Bittencourt, o mais importante não é o padrão que será escolhido, mas o modelo de transferência de tecnologia.
Não pode ser uma caixa-preta, corroborou o ministro das Comunicações. Precisamos de garantias de que vai haver transferência e atualização de tecnologia, disse Pimenta da Veiga. É preciso considerar que talvez seja o maior negócio da década no Brasil, afirmou.
Mas segundo o presidente da Abert, a TV digital só vai ganhar escala no Brasil após 3 ou 4 anos da escolha do padrão tecnológico. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está analisando comentários da segunda consulta pública ao relatório elaborado pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD). A definição do padrão digital não tem prazo. A expectativa é que a decisão saia ainda este ano.
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