Incluir os alunos com paralisia cerebral na sociedade digital é o objetivo do projeto TA (Tecnologia Assistiva), criado pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). O programa tenta levar para o computador tecnologias especiais que possam ser manuseadas pelos estudantes com dificuldade de coordenação motora.
O projeto de extensão da UFSCar, chamado "Alta Tecnologia Assistiva e Inclusão", é voltado para a busca da implementação de alta tecnologia específica para a escolarização de alunos com paralisia cerebral.
A TA relaciona-se a todo e qualquer item, equipamento, produto ou sistema usado para minimizar eventuais limitações físicas ou funcionais de pessoas com as mais variadas necessidades especiais, como visual, auditiva, mental ou múltipla.
Essa tecnologia estuda recursos como cadeiras de rodas, próteses, órteses e uma série infinita de adaptações, aparelhos e equipamentos para atender necessidades pessoais como comunicação, alimentação, mobilidade, transporte, educação, lazer e trabalho.
O projeto de extensão foi criado na UFSCar em 2005, com foco no desenvolvimento de conhecimento que pudesse ser aplicado diretamente no processo de escolarização de crianças com paralisia cerebral.
Enicéia Mendes, professora do departamento de Psicologia da UFSCar, que atua na coordenação do projeto, explica que alunos com esse tipo de deficiência apresentam dificuldade de movimento, o que pode afetar a capacidade de expressão e de recepção de mensagens audiovisuais típicas da linguagem humana.
Diante disso, a professora avalia que o computador pode significar um grande salto na qualidade de vida de estudantes com paralisia cerebral. Além de facilitar a aprendizagem acadêmica e a comunicação, o equipamento garante a participação e a inclusão social desses alunos em casa, na escola, no trabalho e na comunidade.
Atividades
Nas atividades do projeto são utilizados recursos como mouses e teclados adaptados, acionadores e softwares especializados. Desde o início de suas atividades, o projeto já conseguiu implementar esses recursos com seis estudantes portadores da deficiência, entre 5 e 11 anos de idade, que freqüentam escolas regulares públicas no município de São Carlos, no interior de São Paulo.
As atividades são praticadas em uma sala de recursos especiais liberados pela prefeitura local, onde os alunos realizam atividades paralelas às desenvolvidas nas aulas regulares, através de diversos equipamentos que facilitam a execução das tarefas.
O projeto também realiza outros trabalhos, que estão em processo de finalização: criação de um banco de dados sobre recursos de TA disponíveis no mercado nacional; desenvolvimento de instrumentos e procedimentos de avaliação para prescrição desses recursos a partir das demandas motoras da criança com paralisia cerebral.
De acordo com Enicéia Mendes, em outros países muitas pesquisas têm sido desenvolvidas sobre TA, enquanto o Brasil tem tido um avanço lento nessa área.
Ela avalia que além de desenvolver mais estudos sobre os recursos de alta tecnologia assistiva, é preciso investir também na capacitação de profissionais, para que os recursos sejam adequadamente prescritos e implementados.
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