
Conversamos com Márion Strecker, diretora de conteúdo do UOL. Entre os temas do nosso papo está um breve balanço sobre os 10 anos do portal, concorrência e a reaproximação com o Grupo Abril. Confira:
WNews: Qual o balanço que faz desses 10 anos do UOL, destacando os pontos positivos e negativos?
Márion Strecker: É fascinante colaborar para escrever a história de um meio de comunicação que 10 anos atrás praticamente não existia e hoje atinge um público superior a 30 milhões de pessoas no Brasil. O ponto mais importante é que o UOL teve um papel essencial nesse processo. A interatividade, a falta de fronteiras geográficas e a virtual falta de limites de tempo e de espaço, tão presentes em outros meios de comunicação, e quase que inexistentes na Internet, tornam esse meio de comunicação muito especial. Para mim, o principal ponto negativo nesses 10 anos que se passaram foi a bolha e o conseqüente estouro da chamada bolha da Internet. Entrou muito dinheiro e entraram muitos aventureiros nesse mercado, que depois sumiram, deixando um rastro de empresas que foram desaparecendo do mercado.
WNews: O UOL foi pioneiro em diversas ações e muitos de seus contemporâneos não resistiram à Internet. Qual foi o maior acerto do UOL e que garantiu a sobrevivência do portal?
Márion Strecker: Acho que o maior acerto do UOL foi ter definido claramente desde o início a que veio e ter mantido uma trajetória linear. O UOL nasceu como um portal de conteúdo, interessado em atender as demandas de informação, serviços e entretenimento de um público de massa, e adotou desde sempre um modelo de negócios baseado tanto em receita publicitária quanto em receita de assinaturas.
WNews: No início da Internet, o UOL tinha concorrentes nacionais muito importantes. Agora, ao contrário, a força da Web no Brasil está em grandes grupos internacionais, como o Google, o Yahoo e o MSN. Como a senhora analisa esta mudança de cenário?
Márion Strecker: O UOL ainda tem concorrentes nacionais muito importantes, como o Globo.com, por exemplo, e ainda o iG. Mas é fato que essas grandes empresas sediadas nos EUA entraram com tudo no Brasil, para disputar o mercado conosco. Essas empresas não têm tido uma atuação muito importante no Brasil na área jornalística, por exemplo, mas são concorrentes fortíssimos em assuntos como Busca, Links Patrocinados, E-mail grátis e comunidades, entre outros. Para nós, é um grande desafio competir com empresas tão grandes. Mas não nos sentimos intimidados! Temos uma vantagem competitiva muito importante: nós conhecemos muito melhor o mercado no qual atuamos, estamos 100% focados nesse mercado, e não temos de subordinar nosso trabalho à estratégia de nenhuma matriz no exterior.
WNews: O UOL vem lançando serviços semelhantes aos oferecidos pelo Google, com links patrocinados e o UOLKut, por exemplo. Como vocês se posicionam e enxergam o Google?
Márion Strecker: O Google é mais um concorrente a disputar a atenção do público da Internet. É fortíssimo em busca, mas ainda não é muito importante em conteúdo editorial, por exemplo. Vemos a concorrência com grande respeito, mas cada empresa tem suas qualidades e suas especialidades. O UOL tem muitos canais diferentes com altíssimos índices de audiência no Ibope, enquanto o Google por enquanto tem pouquíssimos, pelo menos no Brasil. A diversidade do UOL é muito maior, enquanto a especialidade do Google é muito clara.
WNews: Um dos pontos fortes do UOL sempre foi o conteúdo. Qual será a aposta de conteúdo do UOL para os próximos anos?
Márion Strecker: Quanto ao conteúdo editorial, este ano estamos investindo forte na cobertura da Copa e das Eleições. Estamos também apostando mais fichas no conteúdo em áudio e vídeo, nas produções próprias da TV UOL, nos podcasts e nos canais que recebem participação do público, por exemplo os blogs profissionais, como o de Juca Kfouri ou de Marcelo Tas. Vamos prosseguir investindo em cada vez mais em conteúdos para os quais a banda larga é vital. Na área de produtos interativos, estamos investindo bastante no desenvolvimento do UOL K e vamos lançar novos serviços para comunidades. Penso que a mobilidade da Internet também vá crescer bastante nos próximos anos, o que vai nos obrigar a dedicar mais trabalho em conteúdo para equipamentos portáteis.
WNews: E em relação à Internet, Márion, para onde a Web caminha? O UOL acredita que a rede se tornará cada vez mais multimídia, integrando diferentes tipos e formas de conteúdo? E para que isso se torne factível é preciso que a banda larga se dissemine de fato no país, certo? Como este processo se dará?
Márion Strecker: A banda larga está crescendo rapidamente no Brasil. Com ela, é natural que os conteúdos multimídia se desenvolvam. Mas, principalmente, com a banda larga aumenta o tempo que cada pessoa dedica à Internet em geral. Em resumo, quanto mais as pessoas usam acesso à Internet em alta velocidade, mais as pessoas navegam e consomem todos os tipos de serviço e conteúdo disponíveis. A Internet não será nunca sinônimo de televisão. A Internet é muito mais complexa do que isso. Ela será cada vez mais usada no ambiente profissional, no ambiente escolar e também para serviços e entretenimento no ambiente doméstico.
WNews: Estamos sabendo que a Abril vai voltar a ter uma forte parceria com o UOL. Como isso vai funcionar exatamente?
Márion Strecker: A parceria de conteúdo com a Editora Abril nunca deixou de existir. Recentemente, estreitamos o contato entre as equipes editoriais das duas empresas e acho que estamos aproveitando melhor as oportunidades de oferecer ao público do UOL o conteúdo da Abril. Um exemplo é o UOL Estilo, a nova estação dedicada à qualidade de vida que acabamos de lançar e onde as revistas da Abril terão bom destaque.
Confira o especial que o WNews preparou sobre os 10 anos do UOL.