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Uso do ouvido para aprender músicas
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Atualizado em 20/10/2007

Uso do ouvido para aprender músicas

 

         A expressão ?tirar a música de ouvido? é muito mais complexa do que pode parecer. Um arranjo musical possui diversos parâmetros que precisam ser localizados pelo ouvido e identificados:

 

Velocidade (relativa ao andamento)

Compasso (relativo ao andamento)

Tom

Harmonia

Métrica da música

Arranjo ? cadência e melodia

Dinâmica de intensidade

Timbre

 

         Velocidade (relativa ao andamento)

 

         Identificar a velocidade de uma música é muito importante em especial para os bateristas, que ditam o ritmo à banda. Porém, para o músico solo ou mesmo para o músico de conjunto é fundamental conhecer a velocidade de uma música, especialmente para treina-la.

         A melhor forma é a utilização de um metrônomo e tentar sincroniza-lo com a música, checando se ele está atrasado, adiantado ou em sincronia com a música.

 

Compasso (relativo ao andamento)

 

         Compasso significa qual o valor rítmico da música. Por exemplo, para dançar uma valsa conta-se até 3 porque o valor rítmico é 3. Cada compasso da música terá três tempos. Geralmente na música popular o compasso utilizado é 4/4. Alguma vezes são usados o 3/4 e o 6/8.

         O compasso é identificável pela capacidade do intérprete de contar até um determinado número repetidas vezes sem sair de sincronia com a música. Dessa forma, ele saberá quantos tempos terá cada compasso. Lembrando: o compasso pode ser quebrado (divisível por 8): 7/8, 5/8, 9/8, etc.

         Algumas músicas tem várias mudanças de compasso. Nelas é fundamental a identificação de todos os compassos com precisão para evitar falhas na rítmica das notas.

 

Tom

 

         Trata-se de descobrir em que tom a música está, o que ajudará a descobrir os outros acordes (que na maioria das vezes são acordes relacionados/próximos ao tom da música e sua escala). Geralmente, o primeiro acorde da música fornece o tom em sua tônica. Identificando se esse acorde é maior, menor, diminuto, aumentado, etc saberemos qual o tom da música.

 

         Harmonia

 

         Esse é o processo da identificação dos acordes. São raríssimos arranjos de músicas em que o instrumentista apenas executa tríades fundamentais até o fim da música, ou mesmo apenas tríades invertidas. Geralmente existe um arranjo complexo. Porém, podemos identificar um resumo do campo harmônico do acorde para gerarmos um arranjo semelhante. No início, essa parte é difícil e é necessário estar com um instrumento para consulta das notas.

         O primeiro passo é a identificação da tônica. É fundamental ouvir e tocar ao mesmo tempo a nota para confirmar se está correta, caso contrário todas as outras notas estarão erradas. O baixo é uma boa referência para indicar qual a tônica em determinado momento da música, porém, muitas vezes pode estar invertido então é necessário cuidado.

         Após descobrir a tônica, deve-se analisar qual a intenção do acorde, fornecida pela terça. A terça pode ser maior, menor, 9sus, 4sus ou não existir (bordão). Lembrando que a sonoridade da terça maior será alegre e a da terça menor será triste. Feito isso, devemos conferir se a quinta é justa (o mais provável), diminuta ou aumentada.

         Por fim, checamos se o acorde possui alguma nota complementar como sétima, sexta, quarta ou nona. Obviamente, existem ainda outros intervalos que podem ser usados nos acordes (intervalos aumentados ou diminutos). Pode ser ainda que o acorde sofra alguma variação durante o compasso, tendo alguma nota variando. O intérprete deve ficar atento caso haja alguma mudança muito marcante na música.

         O intérprete pode aproximar com ainda mais fidelidade do acorde executado se checar qual a inversão que está sendo utilizada. Geralmente, checar qual a nota mais aguda no acorde ajuda a se aproximar da inversão, assim como checar em seu instrumento se trata-se de uma inversão fechada ou aberta.

Existem casos em que um trecho da música possui uma inversão que omite alguma dessas notas. O intérprete, se quiser ser fiel ao arranjo, pode também emitir. Porém, se executar a nota omitida e esta estiver dentro do campo harmônico, não estará errado. Será apenas uma interpretação diferente do arranjo.

         Em casos de improvisos, deve-se lembrar: o campo harmônico que estiver sendo executado fornecerá as notas que podem ser usadas pra improvisação e deixará algumas notas em aberto. O músico deve completá-las de modo que o campo não fique chocante em relação à música, usando seu bom senso e ouvido.

        

Métrica da música

 

         Arranjo

 

Os instrumentistas tem a opção de executar diversos tipos de arranjo em cada trecho de música. O intérprete deve primeiramente checar qual a intenção do instrumentista naquele momento:

 

Textura ou cama é a simples execução do acorde segurando as notas sem nenhum tipo de cadência. Sua função é de preenchimento.

O termo levada geralmente se refere à rítmica da música, como se um instrumento seguisse um padrão que é repetido por muitos compassos. No caso de instrumentos como baixo e bateria, na maior parte da música são executadas levadas. Sua função é ditar o andamento da música.

Melodia são as notas que estão em destaque numa música, como por exemplo as notas cantadas por um vocalista. Existem vários tipos de melodia:

Frase - uma pequena melodia instrumental que tem papel marcante em algum trecho da música. Quando a frase é repetida muitas vezes e aparece em posição de destaque na música, ela é chamada de tema. É como se fosse uma virada de bateria, porém, com notas.

Riff ou lick ? Uma levada ou tema que possa possuir qualquer papel de destaque em algum trecho da música. Podem ser na base ou em uma posição de destaque na música, soando como uma frase.

Solo é um determinado momento da música em que o destaque principal passa a ser uma melodia executada por um dos instrumentistas. É diferente da frase por ser mais longo e por só aparecer uma vez na música.

 

Identificar qual desses diferentes tipos de arranjo o músico está executando é fácil e nítido. O difícil está em identificar qual a melodia e a rítmica que estão sendo aplicadas.

 

Rítmica e melodia

 

A rítmica é determinada pela posição das notas - onde começam e onde terminam. Um trecho com duas semínimas possuem uma cadência diferente da que possui um trecho com uma semínima e duas colcheias. Identificar a rítmica, seja num riff, melodia ou levada é sempre difícil.

Nos riffs e levadas, a tendência é a repetição contínua por vários compassos com pequenas variações. Uma música pode e geralmente possui vários riffs e levadas, uma para cada parte diferente. Os solos ou frases aparecem menos vezes, mas são longos e muito mais complexos de serem descobertos.

Para descobrir a rítmica de um trecho, usa-se a mesma técnica da leitura de partitura com colcheias e semicolcheias: contar o compasso com 8 ou 16 ao invés de 4. Dessa forma perceberemos onde as notas começam e terminam. Por exemplo:

F vai do tempo 1 ao 1,5

G# vai do 1,5 ao 2,5

A# vai do 2,5 ao 1 do compasso seguinte

 

Caso o intérprete julgue mais fácil não escrever as notas em partituras, podemos escrever usando linguagem de cifra colocando a duração das notas sobre elas, o que torna a leitura mais fácl do que o exemplo acima:

0,5  1      2,5

F G# A#

 

         Seja em solo, riff, ou levada, o ideal é que o músico primeiramente descubra e anote qual o quantidade de notas utilizadas. Feito isso, anotar onde cada uma começa e termina. Assim ele terá a rítmica e somente depois disso deve tentar descobrir quais são as notas. Como um músico poderia tentar descobrir uma frase inteira sem antes disso saber quantas notas são executadas?

 

Dinâmica de intensidade

 

É a força com a qual o músico executa as notas em determinados trechos. É fácil ser percebida pois os instrumentos sofrem mudanças de volume e timbre conforme a força utilizada pelo instrumentista.

 

Timbre

 

São as características do som do instrumento utilizado. Pode ser um piano aberto ou fechado, um órgão com ou sem distorção, um timbre agudo ou grave, sintetizado ou acústico, etc.

Reproduzir um timbre com fidelidade pode ser fácil dependendo da complexidade do timbre e semelhança do equipamento do intérprete com o utilizado na música desejada.

Palavras-chave: Música | Ouvido | Notas | Aprender | Musical
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