Visando combater a inadimplência e furtos e promover a inclusão social, um projeto desenvolvido no Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE), da USP, oferece um sistema mais acessível de pagamento de contas de energia elétrica, e ainda inédito no Brasil. O responsável pela pesquisa, o engenheiro elétrico José Edimilson Canaes, explica que o cartão, que funciona no sistema pré-pago, facilitará o controle de gastos e também a cobrança pelo serviço.
O Cartão Vale Energia é como um cartão telefônico utilizado em telefones públicos, em que o usuário paga uma certa quantia reconhecida pelo sistema, que permite o uso do serviço até que os créditos se esgotem. Quando os créditos acabarem, basta comprar um novo cartão. O sistema é constituído de uma unidade leitora de cartões e de uma unidade de controle de energia que é conectada com o medidor de energia elétrica por intermédio de uma interface padrão. ?Trabalhamos apenas com produtos já existentes no mercado, com tecnologia nacional, para projetar um sistema que não dependa da coleta de dados e possa beneficiar a toda a população?, comenta Canaes.
Os maiores objetivos do sistema de cartão são a inclusão social, permitindo que mesmo moradores de lugares de difícil acesso pelos agentes de medição possam pagar para ter o serviço; combate à inadimplência, uma vez que o morador consome apenas a energia pela qual já pagou; e inibição de furtos de relógios de medição centralizando os medidores ou instalando-os na parte alta dos postes.
Modelos
Foram projetados dois tipos de sistemas: o isolado e o centralizado. No sistema isolado, cada casa tem seu próprio medidor eletrônico. O custo é um pouco maior, mas é ideal para áreas rurais e urbano-rurais, em que as casas são muito afastadas umas das outras. Já para as cidades, está sendo desenvolvido o sistema centralizado. Ele consiste em ter uma unidade central localizada em algum ponto de fácil acesso, por exemplo um local comercial como supermercado, e que atenda a uma região inteira, por sistema wireless (sem fio). Isso diminuiria os custos, mas a única limitação seria o alcance de cada medidor ? cogita-se que cada unidade possa atender de 100 a 200 domicílios.
Sistema desenvolvido em teste no laboratório com medidor eletromecânico
Mesmo a população de baixa renda, que hoje tem acesso a programas do Governo que fornecem energia elétrica gratuitamente mediante comprovação de consumo e renda familiar, poderia se beneficiar do projeto. De acordo com o engenheiro, até mesmo os subsídios seriam facilitados. ?As concessionárias não precisariam mais de um software complicado e caro para controlar os usuários e os gastos de cada um. O cartão pode ser fornecido pelo próprio Governo com os limites de subsídio, inibindo também as fraudes?, sugere Canaes.
Implantação
O projeto tem o prazo de três meses para ser concluído, para então serem iniciados os primeiros testes. A princípio serão apresentados os sistemas isolados para, depois, serem trabalhados os sistemas centralizados para a Grande São Paulo, que possui 500 mil usuários de energia elétrica não cadastrados, ou seja, que usufruem do serviço de forma gratuita e ilegal por meio dos ?gatos? (ligações clandestinas).
Estima-se que o custo do medidor no sistema centralizado seja de R$ 70,00 a R$ 100,00 para uso em grande escala. Já em sistemas isolados, onde cada usuário possui uma unidade leitora de cartões, o custo aumentaria para R$ 500,00. ?De qualquer forma, em dois anos e meio o sistema de cartão compensaria todos os custos, mesmo com baixa produção, porque evitaria desperdícios e falta de pagamentos?, conclui o engenheiro.
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