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O que vem a ser THX?
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Atualizado em 01/08/2007


THX OUVE O CHAMADO DOS CONSUMIDORES

 

Em 1983, o cineasta George Lucas, famoso pela trilogia Star Wars, iniciou uma verdadeira cruzada contra a má qualidade de som das salas de cinema. Sistemas de ar-condicionado barulhentos, caixas acústicas abafadas e o vazamento de ruídos externos para dentro das salas de projeção estavam, segundo ele, obscurecendo os efeitos sonoros cuidadosamente produzidos de seus filmes.

Para enfrentar esses problemas, Lucas fundou a THX, empresa cuja missão seria cuidar para que o ambiente acústico dos cinemas pudesse reproduzi o som dos filmes exatamente como os cineastas quisessem. Por causa disso, o público passou a adorar Lucas. Mais de duas décadas depois, essa empresa pioneira espera que uma de suas novas tecnologias, chamada Blackbird, tenha o mesmo impacto sobre a indústria eletrônica.

A idéia da THX é que DVDs, CDs, videogames e até o material digital baixado da internet "conversem" com o equipamento em que serão reproduzidos. Um código embutido no próprio conteúdo permitiria o ajuste automático do equipamento, de modo a otimizar tanto áudio quanto vídeo - é o que dizem executivos da empresa.

Com a aproximação do 25o. aniversário da empresa, a THX tenta se redesenhar. Em meados dos anos 80, quando aquele logotipo mágico aparecia na tela, a platéia vibrava. O logo vinha sempre acompanhado do som que virou marca registrada - aquele que começa baixinho e vai crescendo até encher toda a sala. A marca THX simbolizava não apenas os filmes de Lucas, mas alta tecnologia e maravilhosos efeitos especiais.

Hoje, essa empresa tão inovadora tem de enfrentar uma nova realidade, uma indústria de cinema mais consolidada e um setor de entretenimento totalmente envolvido pelas tecnologias digitais. Para se manter, a TXH teve que ampliar suas áreas de atuação, deixando de ser apenas uma certificadora de sistemas. O primeiro passo para tornar realidade o Blackbird é convencer os estúdios de Hollywood e os fabricantes de equipamentos a assinar embaixo esse novo formato, o que não é propriamente uma tarefa fácil.

"É o nosso maior desafio até hoje", admite Robert Hewitt, vice-presidente de vendas. Como o Blackbird ainda está em desenvolvimento, a empresa não revela detalhes sobre ele. Mas o problema é semelhante ao de quando Lucas fundou a THX, só que, em vez de persuadir os donos de cinemas a adotarem a novidade, a missão agora é mostrar aos consumidores como montar novas salas de entretenimento. Afinal, muitos compram DVDs e computadores caros, mas não fazem a menor idéia de como extrair deles o melhor som.

Para entender o tamanho do desafio, basta olhar para o histórico da THX. Apesar de admirado pelo público, o sistema de processamento lançado pela empresa nunca foi revolucionário. No filme "Aliens, o Resgate", por exemplo, quando Sigourney Weaver enfrenta aquela criatura horrorosa, ouve-se a respiração do monstro como se ele estivesse sentado ao nosso lado; em "O Resgate do Soldado Ryan", as balas dos soldados parecem raspar em nossas cabeças. Quem assistiu aos filmes provavelmente deu os créditos para os dois diretores, respectivamente James Cameron e Steven Spielberg, quando na verdade foi a THX quem garantiu o sucesso daqueles efeitos.

Não é pouca coisa. Nos cinemas certificados pela THX, engenheiros da empresa ajudaram a desenhar as salas para uma perfeita performance acústica. Para isolar o som das áreas próximas, cada auditório deve ser revestido com grossas paredes e tapetes. Superfícies duras podem causar reverberação indesejada.

É um tipo de trabalho que não parece excitante, nem tem muito a ver com a imagem do próprio Lucas e suas parafernálias intergalácticas. Mas o fato é que sua empresa vem dando lucro há anos, segundo Hewitt. Para cada cinema certificado, ela cobra um fee mensal entre 9 e 15 mil dólares, e há mais de 2.000 deles espalhados pelo mundo. Um sucesso tão grande que, cinco anos atrás, a THX separou-se a Lucasfilm, produtora de Lucas, e decidiu investir na sua reputação para competir em outros setores.

Hoje, a THX certifica não apenas equipamentos de áudio residenciais como também sistemas automotivos, videogames, televisores e projetores high-end, discos DVD e até estúdios de gravação. Visitando os laboratórios da empresa há alguns dias, pudemos ver coisas realmente impressionantes, como um sistema em forma de cogumelo, chamado Mako 2.1, com duas caixas acústicas do tamanho de uma xícara, que geram 100 watts de potência. Dentro de cada uma, há um pequeno tweeter e um falante de médios, este apontado para baixo. A idéia é que o som se espalhe harmonicamente pela sala, mesmo que seja um pequeno escritório (chega ao mercado americano no 2o. semestre, ao preço de US$ 299).

Esse tipo de produto é interessante porque mostra a iniciativa da THX de desenvolver idéias, e não apenas certificá-las. Agindo assim, é possível convencer os fabricantes de que oferecer preço competitivo não significa necessariamente sacrificar a qualidade. "Se não mostrarmos que é possível, um produto não vai sair das linhas de montagem pelo processo normal", diz Laurie Fincham, cientista-chefe da THX. "A maioria das empresas está terceirizando seus departamentos de pesquisa e desenvolvimento e confiando em fornecedores externos, e estes simplesmentes fazem o que é encomendado. Queremos mostrar que há outros caminhos".

(c) CNET News  27/07/2007, por Greg Sandoval

 

Palavras-chave: Thx | Star Wars | Dvds | Cds | Blackbird
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