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Vinton Cerf, pai da Web, fala do futuro da Internet
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Atualizado em 26/09/2008

Visionário, gênio, ditador de tendências. Sobram adjetivos para definir Vinton Cerf. E não é pra menos. Considerado o pai da Internet, Cerf é co-desenvolvedor do protocolo TCP/IP e da arquitetura Internet. O protocolo IP versão 4.0 foi desenvolvido em 1978 e é usado até hoje. O próximo passo é migrar para a versão 6.0, que aumentará o número de terminações disponíveis. Outro dos feitos de Cerf foi trabalhar no desenvolvimento do primeiro serviço comercial de e-mail, o MCI Mail. "Você não vai acreditar, mas cobrávamos US$ 1 por mensagem enviada. As pessoas pagavam para enviar e-mails. Hoje, pagam para não receber e-mails. Pagam por filtros anti-spam", diverte-se.

O fenômeno do spam é uma das surpresas que o pai da Web teve com o desenvolvimento da Rede. "Quando colocamos a Internet no ar, eu não tinha idéia de que as pessoas queriam tanto partilhar informação. A quantidade de informação é enorme, mas há aquela inútil e a que não tem preço", completa Cerf, ressaltando que a dificuldade é selecionar qual informação de fato é relevante em meio a tantos dados. A variedade de gadgets com conectividade também surpreendeu Cerf. "É um negócio de louco ver prancha de surfe e geladeira que se conectam à Internet", ressalta.

Atualmente, Vinton Cerf é CIE (Chief Internet evangelist) do Google. Uma de suas atribuições é estudar novas tecnologias para dar suporte ao desenvolvimento de produtos e serviços do Google. Mas além do Google, Cerf participa do ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers) e do Fórum de Governança da Internet, que discute políticas públicas para a Web.

Desafios para a Web

Para ele, alguns dos desafios que a Internet enfrentará são a disseminação de infra-estrutura que facilite o acesso à Rede e a adequação da interface Web para dispositivos móveis. ?Há dois bilhões de celulares no mundo. Uma fração significativa dos usuários pode ter o seu primeiro contato com a Internet pelo celular, daí nossa preocupação em tornar os serviços mais acessíveis por meio desses equipamentos?, justifica Cerf. ?Hoje não usamos vários dispositivos ao mesmo tempo para acessar a Internet, por limitações como tamanho do visor e taxa de transmissão de dados, mas acredito que essa é uma tendência sem volta?, acredita.

Outro desafio é a definição de questões de política pública da Internet, com a criação de leis que determinem questões ligadas a privacidade, fraude e proteção à propriedade intelectual na Web. ?É preciso definir regras internacionais para evitar ou coibir este tipo de prática?. Além de políticas públicas, fraudes podem ser impedidas, em parte, por um maior nível de autenticação do usuário. ?Hoje, a autenticação é por meio de senha, um dos desafios é aumentar esse nível de autenticação?, completa.

Uma das apostas de Cerf é a valorização da informação geograficamente indexada. Isso permitirá, por exemplo, que ao acessar um serviço de mapas pelo seu celular, você possa ver onde está o posto de gasolina ou o caixa eletrônico mais próximo. Na opinião de Cerf, a indexação geográfica de informações também criará novas possibilidades para a publicidade.

Nova geração

E quando o assunto é a nova Internet, a Web 2.0, Vinton Cerf é otimista. Para ele, a nova geração de usuários Web gosta de partilhar informações, de dividir suas descobertas. E se isso é muito positivo, também traz a invasão de privacidade.

?Garantir a privacidade de dados é uma das grandes preocupações do Google. Quando começamos nosso serviço na China, tivemos a preocupação de não colocar máquinas lá, para que o governo não tivesse acesso aos dados físicos. Com o tempo, no entanto, percebemos que era preciso colocar as máquinas na China para que pudéssemos oferecer um bom serviço. Nossa opção, então, foi não oferecer serviços pessoais, como o Gmail, o Orkut e o comunicador instantâneo?, conta.

Ficção científica?

Cerf trabalha no desenvolvimento da Internet interplanetária desde 1998, no laboratório de propulsão da Nasa. Segundo ele, até 2010 haverá rede de comunicação entre a Terra e Marte. O objetivo do projeto Internet planetária é padronizar os protocolos de comunicação usados em missões espaciais. "Já vimos o que a padronização de protocolos pôde fazer aqui na Terra. O desenvolvimento da Internet mostra claramente. Imagine o que pode fazer com nossas missões espaciais", afirma Cerf.

Com o projeto, as missões espaciais farão parte de uma rede que, inicialmente, ligará os planetas do nosso sistema solar. "Muita gente diz que esse projeto não faz sentido, porque temos problemas de saúde e pobreza na Terra. Mas o fato é que a ciência quer descobrir se há vida em outros planetas e outras questões. A Internet interplanetária pode ajudar nisso", acredita.

O projeto Internet interplanetária é um das principais questões da Web para as próximas décadas, na opinião de Cerf. Outra tendência é o desenvolvimento de interfaces neurais de acesso à Internet. "Já temos alguns trabalhos em desenvolvimento, como o brain port", conta Cerf. O brain port é um projeto do ?Florida Institute for Human and Machine Cognition? que transmite informações por meio dos nervos da língua, permitindo que os devices complementem as informações sensoriais do usuário. O dispositivo poderá ser usado, por exemplo, por doentes do mal de Parkinson, por exemplo.

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Palavras-chave: Vinton | Cerf | Pai | Da | Web
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