
Cabe a toda publicação séria a missão de satisfazer a curiosidade e
entendimento de seu público alvo. Para isso, muitas vezes assuntos semelhantes
e correlatos são abordados com freqüência, correndo o risco de serem
considerados repetitivos. Tal procedimento é necessário, pois uma publicação
vitoriosa ganha novos leitores a cada dia, o que requer que certos temas voltem
constantemente à pauta de redação. Para nós não é diferente, sempre
buscaremos a satisfação do leitor, seja o que nos acompanha desde o início,
seja o adepto recente. O segredo para contentar a todos parece estar, não
apenas nos assuntos abordados, mas também na maneira como isso é feito.
Para
muitos creio que o assunto cabos digitais já não desperte curiosidade. Para
outros, possa ser a resposta final, o ?Santo Graal? na busca incessante pela
excelência em reprodução eletrônica do som.
Equipamentos
digitais merecem especial atenção, pois a maioria admite conexões analógicas
e digitais. Para quem estiver atualizado com as melhores tecnologias disponíveis
para o cinema doméstico (entenda-se DVD, Dolby Digital e DTS), é certo que o
receiver ou processador/DAC (Conversor Digital/Analógico) permitirá conexões
digitais.
Quando
se fala em som digital, faz-se referência à combinação binária de 0 e 1.
Embora usual, ?som digital? é força de expressão, já que cada manifestação
sonora que percebemos ocorre em meios analógicos, uma vez que nossos ouvidos
interpretam sinais mecânicos. Para compreendermos sinais digitais, é necessária
a conversão prévia para o formato analógico.
Ideal
é ouvir o som na forma original, o que determina que, para máxima pureza, a
conversão para o analógico ocorra o mais tarde possível, nos últimos estágios
do sistema, fazendo com que o som trafegue maior tempo em formato digital, até
porque todo tipo de conversão acarreta perda de qualidade.
Sinais
digitais possuem ?protocolos?, os quais devem possibilitar a correta
conversação entre equipamento emissor e receptor. Essa linguagem comum é dada
por uma interface, um conjunto de normas e especificações que
determinam as características do sinal. Vamos nos prender a AES/EBU (destinada
aos segmentos profissional e high end) e a denominada S/PDIF (Sony/Philips
Digital Interface), versão ?for consumer? do AES/EBU e
encontrada em equipamentos domésticos. Segundo a norma IEC958
(International
Engineering Consortium), o padrão
AES/EBU (Tipo I) exige conexão através de cabo blindado balanceado (3 pinos,
XLR) com impedância de 110 ohms, nível de sinal de 3 V a 10 V e resolução máxima
de 24 bits.
Quem
não possui equipamentos profissionais ou high end, pode ter certeza de que
todas as conexões digitais são S/PDIF (Tipo II), a qual segundo a norma, pode
utilizar vários tipos de terminais (conectores): RCA, BNC (mesma utilização
do RCA, diferindo na forma de engate), Toslink (conector óptico desenvolvido
pela Toshiba) e ?Glass? ou ST (óptico, cujo cabo é feito de quartzo, caro
e frágil, e por isso pouco usual).
Para
conexões RCA ou BNC, as especificações IEC 958 determinam utilização de
cabo coaxial não balanceado, com impedância de 75 ohms, comprimento máximo de
15 metros, nível de sinal de 0,5 V e banda passante entre 100 KHz a 6 MHz.
Em
conexões ópticas Toslink, é utilizado cabo com condutor interno feito em polímero
(plástico) translúcido, com 1mm de espessura e comprimento máximo de 10
metros.
Cabe
uma curiosidade a respeito do padrão S/PDIF, que quando foi criado em meados
dos anos 80, regulamentava a transmissão de áudio digital em apenas dois
canais, com resolução padrão de 20 bits (máxima de 24 bits) e freqüência
de amostragem máxima de 48 KHz.
Entretanto,
a norma não estava preparada para o advento do áudio multicanal. Em 1998, a IEC958
foi rebatizada de IEC60958 (S/PDIF), sendo dela feita uma adaptação para a
transmissão de sinais de áudio em multicanal, criando-se aí a norma IEC61937
(para áudio DTS, AC3/DD, MPEG, etc.).
Independente
do tipo de cabo, ele será responsável pela condução do sinal digital entre
fonte (DVD, CD, LD, etc) e conversor (DAC, receiver DD/DTS, etc.), bastando a
observância do tipo de conector presente nos equipamentos. Em geral, a maioria
permite ambas as conexões. No caso do cabo digital coaxial, deve-se procurar
pela respectiva entrada/saída no painel traseiro dos equipamentos, tomando
cuidado para não confundir, já que esse cabo utiliza terminação RCA (idêntica
às comuns conexões analógicas). Para conexão óptica (Toslink), não há
como confundir, pois o conector difere de todos os demais. De formato quadrado,
apresenta uma pequena tampa plástica, a qual protege o LED (Diodo Emissor de
Luz) do acumulo de poeira.
Mas
se ambas estão presentes e disponíveis ao uso, qual utilizar? Analisemos mais
profundamente sinais elétricos e ópticos.
Ambos
carregam o sinal em sua forma original (digital), mas o fazem de maneira
bastante diversa. Em cabos coaxiais digitais, faz-se uso de pulsos elétricos
(semelhante ao processo analógico), só que tais pulsos carregam informações
binárias. Em cabos ópticos, o sinal que trafega pelos circuitos internos dos
equipamentos é enviado a um conversor foto/elétrico, o qual gera pulsos
luminosos de baixa potência e freqüência, enviando as informações binárias.
Cabos
que conduzem sinal elétrico sempre interagem com o mesmo. Não importa o tipo
de cabo, sequer o material que o compõem (cobre, prata, ouro, carbono, etc.), não
existe cabo elétrico que seja verdadeiramente neutro, que não interfira no
sinal. Sinais elétricos são transmitidos através das vibrações dos elétrons
que compõem o cabo. O número de elétrons pelo caminho, grau de pureza do
material, arranjo molecular, freqüência do sinal e temperatura ambiente são
fatores que afetam a propagação em cabos elétricos.
Alguns
consumidores demonstram preferência por cabos coaxiais, creditando a eles
melhor reprodução sonora do que aos ópticos. Acredito num princípio: o cabo
serve ou não. Como em cabos coaxiais o sinal sofre inúmeras influências
durante o trajeto, é correto dizer que o cabo possui o poder de alterar (para
melhor ou pior) o sinal e, conseqüentemente, a reprodução sonora. Cabos
coaxiais acrescentam características ao sinal, uma assinatura sônica, que pode
ou não agradar aos ouvidos. Independente disso, o sinal foi modificado durante
o trajeto, e o que deixou o player não é efetivamente o que chega ao receiver
ou processador/DAC.
Em
cabos ópticos acontece algo diferente, já que a luz possui características atípicas,
contras as quais não há comparações. Exemplos: a velocidade de uma onda mecânica
(sonora, ou mesmo as dos oceanos) depende da velocidade da onda imediatamente
anterior. O espaço que essa onda percorrerá num intervalo de tempo será
ditado pela força e energia que a onda anterior lhe fornecer. Vale também para
sinais elétricos, onde a longevidade do sinal dependerá da energia que um elétron
passa a outro.
As
ondas citadas necessitam de um meio de propagação. O som utiliza um fluído
para se propagar (no caso o ar atmosférico), as ondas do mar utilizam a água.
Os sinais elétricos, os elétrons. É aqui que um raio de luz (visível ou não)
se difere, pois ele não precisa de ar (propaga-se no vácuo) ou qualquer outro
meio de propagação (propaga-se onde sequer existe matéria), possuindo freqüência
e energia bilhões de vezes maior.
Um
raio de luz é composto de fótons (por definição, partículas de luz). Quando
em 1905 Albert Einstein e sua Relatividade Especial??? (ou Restrita)
apresentaram uma nova visão sobre tudo ao nosso redor, a luz passou a ser
encarada de forma substancialmente diferente. E=mc2 causou
espanto ao definir em apenas três letras, todo o processo de criação e
aniquilação da matéria. Igualmente surpreendente foi a definição de que,
sob certo ponto de vista, a luz é matéria, pois fótons possuem massa (peso).
A partir daí, como qualquer outro material, a luz poderia ser colocada em uma
balança e pesada. Revolucionárias, tais idéias foram comprovadas pela ciência
moderna. Porém, causa inquietação o fato de a luz apresentar características
comuns à matéria, mas comportamento tão diferente. Com tantas
particularidades, é possível concluir existir vantagens do raio de luz sobre
sinais elétricos, ou seja, de cabos ópticos sobre coaxiais.
Cabos
coaxiais são suscetíveis a interferências eletromagnéticas (RFI/EMI), sejam
oriundas da rede elétrica, emissoras de rádio e TV, ou mesmo dos próprios elétrons
que compõem o cabo, já que qualquer partícula eletricamente carregada gera
campo eletromagnético. Em que pese a adequada malha de blindagem existente em
cabos coaxiais de bom padrão, não há como barrar 100% essas interferências.
Mesmo o amontoado de cabos na face traseira de uma configuração A/V é
suficiente para gerar campo eletromagnético.
Agravante é que os pólos negativos de todas as conexões elétricas dos
equipamentos estão ligados ao terra dos mesmos, ou seja, às carcaças metálicas.
Quem faz uso de cabos elétricos, digitais ou não, deve obrigatoriamente contar
com um sistema de aterrramento eficiente, sob a pena de ter a qualidade sonora
deteriorada. Tal problema não se aplica a conexões ópticas, pois como são
feitas de material isolante, não interagem com o terra dos equipamentos.
Muitos afirmam que uma conexão Toslink soa menos musical, atribuindo
isso à ocorrência de jitter ou necessidade de conversão do sinal elétrico
em luminoso. A esses parece faltar compreensão do que vem a ser o tal de jitter.
Toda
matéria é composta por átomos (exceto a luz), sendo que esses átomos vibram
em freqüência definida pela natureza, emitindo, durante cada ciclo de vibração,
luz invisível. Como a freqüência dessa luz é perfeitamente constante,
qualquer átomo é um relógio natural, muito mais preciso do que uma máquina
suíça. Essa precisão possibilita que a luz emitida seja utilizada em relógios
internos em conversores D/A, os chamados ?clocks?, onde a freqüência
destes é definida pela dos átomos do material utilizado, em geral cristais de
quartzo. Quando ocorre variação anormal na vibração dos átomos de quartzo,
dizemos que o clock do conversor D/A está oscilando (jittering). Essa
oscilação fora de hora pode ser causada por inúmeros motivos, como por
exemplo, a introdução de harmônicos na rede elétrica ou excesso de vibração
sonora no ambiente onde estiver instalado o DAC. A oscilação do clock, se
pronunciada, pode deteriorar o sinal digital, fazendo com que ouvidos
experientes percebam a diferença. Mas notem que, audível ou não, o jitter
ocorre dentro do equipamento, o que está relacionado à qualidade do mesmo. A
partir do momento que o sinal luminoso deixa o player, a única força existente
capaz de altera-lo é a gravidade.
Se
luz é matéria, pode ser afetada pela gravidade (força G), uma das poucas forças
conhecida capazes de deter um raio de luz, ou faze-lo propagar-se com velocidade
menor. Quanto maior a gravidade, maior a interferência. Um player DVD instalado
na cidade de La Paz (Bolívia, 3.610m acima do nível do mar), apresenta freqüência
de amostragem ligeiramente maior, como se o clock adiantasse alguns bilionésimos
de segundo (nano segundos), isso porque quanto mais longe do centro do planeta,
menor a gravidade. Da mesma maneira, se instalado na cidade do Rio de Janeiro,
apresentará um atraso no clock, e com isso amostragem ligeiramente menor. As
normas S/PDIF admitem jitter máximo de 40 ns, prevendo quaisquer influências
da natureza sobre a freqüência do sinal digital.
Alguns
fabricantes, na ânsia em propalar o desempenho de seus produtos, acabam por
divulgar números que muitas vezes não passam de curiosidade. Lembro de um anúncio
em uma revista estrangeira, onde era alegado que os cabos transmitiam o sinal em
velocidade próxima a 95% da velocidade da luz, conferindo aos produtos
?rapidez? e detalhamento sonoro. Tal informação pode ser de relativa
importância aos projetistas da empresa, mas para o consumidor é tão
significativa quanto o caminhar de uma formiga em meio a uma manada de
elefantes. A luz, movendo-se a velocidade de 297.600 Km/segundo no vácuo, é o
veículo mais veloz que existe ou existirá. Nada pode iguala-la, mesmo chegar
perto é praticamente impossível.
Como
destaquei, esse é o valor para a propagação no vácuo. Na atmosfera, ou ainda
através de substâncias ou materiais, esse valor cai consideravelmente. Não
obstante a qualidade do produto, se no citado cabo o sinal propagasse a uma
velocidade que fosse apenas uma fração da velocidade da luz, digamos cerca de
1% (2.976 Km/segundo), nenhum ser vivente seria capaz de detectar a diferença,
como também impossível é perceber o jitter causado pela gravidade, já que se
trata de uma variação extremamente pequena, próxima ao imensurável. Apenas
para comparação, o pulso elétrico que percorre nosso corpo, levando informações
ao cérebro - onde são interpretadas ? o faz a apenas 250 Km/h.
Concluo
que não há como encontrar em nossas residências quaisquer condições favoráveis
à alteração das características de um feixe luminoso. Possíveis interferências
nesse sentido estariam relacionadas a imperfeições nas paredes internas do
cabo óptico, já que estas agem como um espelho, refletindo o feixe luminoso inúmeras
vezes, fazendo com que a luz que entrou por um lado, saia pelo outro. A
qualidade de um sinal dependerá da qualidade do ?espelho refletor?, ou
seja, do cabo óptico. Se o cabo for de boa qualidade, construído dentro de
padrões técnicos adequados, posso-lhes afirmar que o sinal que deixa a saída
digital de DVD e CD players será absolutamente idêntico ao que chegará ao
conversor D/A existente em receiveres e processadores, algo que não acontece
com cabos coaxiais.
Independente
do tipo a ser utilizado, jamais se deve abrir mão de cabos digitais, pois eles
ainda são garantia de que a reprodução sonora esteja o mais próxima possível
do som originalmente gravado.
Vinicius Barbosa Lima é engenheiro e colaborador da revista HOME THEATER
|
É com enorme orgulho e satisfação que criamos este guia para seu conhecimento e satisfação.
Prezado leitor! Para que entendamos que foi útil este guia, pedimos com muito prazer e gentileza que antes de sair desta página, que vá até o final e responda a pergunta:

O seu voto nos motivará a descrever mais conhecimento a você e com isto menos erros em vossas compras. |
| Acredito ter lhe ajudado, com estas informações.
Por favor e gentileza, não deixe de nos agradecer com seu voto.
Um grande abraço.
|
|