
Uma das mais promissoras tecnologias do mercado de Telecom/TI é o Wi-Fi. A sigla, que significa wireless fidelity, ganhou as manchetes nos últimos tempos principalmente por conta do rápido crescimento de pontos públicos de acesso à Internet em banda larga, os hotspots. A febre do acesso público e sem fio é tão forte, que algumas pessoas passaram a contar com redes Wi-Fi em suas residências e corporações.
A aposta de fabricantes de equipamentos e provedores de rede e de acesso no Wi-Fi justifica-se pelo potencial do mercado nacional. O Brasil tem mais de dois milhões de usuários de banda larga e a previsão é que o país encerre 2005 com 3,5 milhões. A Linksys, fabricante de equipamentos de redes, estima que de 10% a 15% desse total são usuários potenciais redes Wi-Fi, sejam elas residenciais, corporativas ou públicas, em hotspots.
?O potencial do mercado é enorme. Só o Brasil deve representar 40% das nossas vendas da América Latina em 2005 e nossa principal linha de produtos é de equipamentos Wi-Fi? ? diz Emerson Yoshimura, gerente regional para a América do Sul da Linksys, fabricante de equipamentos de rede.
A Vex, que tem uma das maiores redes de hotspots do Brasil, conta com 15 mil usuários que utilizam os cerca de 600 pontos de acesso públicos em todo o Brasil. O número de usuários triplicou em relação a 2004 e a Vex diz instalar de 20 a 30 novos hotspots por mês. Essa média deverá chegar a 60 no segundo semestre de acordo com cálculos da empresa.
Para Roberto Ugolini Neto, presidente da Vex, a capilaridade da rede vem incentivando a utilização, que tem crescido de 30% a 35% ao mês. ?O Brasil tem cerca de 500 mil usuários de laptops. Se 15% utilizassem hotspots, triplicaríamos nosso número de usuários. O fator que ainda é barreira para um crescimento ainda maior é a divulgação. Os provedores de acesso não têm investido em divulgação como acreditamos ser necessário?.
Mas o potencial do mercado de Wi-Fi também envolve os PCs, já que há placas Wi-Fi USB disponíveis no mercado para libertar os computadores de mesa dos fios. ?O acesso em hotspots é para uma parcela dos possíveis usuários dessa tecnologia, que são as pessoas que têm laptops. Para que uma pessoa acesse a Internet em um ponto de acesso público é preciso ter o hábito de usar uma rede Wi-Fi em casa ou no escritório. Criar este hábito é o que pode escalonar o uso do Wi-Fi no Brasil?, diz Yoshimura, da Linksys.
Para o consultor de telecom Michel Hannas, o mercado de Wi-Fi está baseado em um tripé. Redes residenciais, corporativas e públicas têm a mesma importância para disseminar o uso dessa tecnologia no Brasil. Hannas acrescenta que embora o número de hotspots tenha crescido muito, o Brasil ainda está engatinhando quanto à utilização da tecnologia Wi-Fi. E, na opinião do consultor, o acesso à Internet em hotspots acontecerá mais facilmente se o usuário já usar uma rede sem fio em casa ou no trabalho.
?O número de hotspots vai crescer à medida que as barreiras de utilização da tecnologia caiam. Se as pessoas estiverem habituadas a usar Wi-Fi em suas empresas, com certeza usarão pontos públicos de acesso. O uso residencial, o corporativo e o público andam em paralelo?, analisa Michel Hannas.
O diretor de vendas e marketing para a América Latina da Intel, Ronaldo Miranda, considera que o preço dos laptops ainda é um fator inibidor para uma expansão mais veloz do Wi-Fi, assim como o custo para montar uma rede residencial. Ele acredita que o Wi-Fi ainda tem muito a crescer no Brasil e os hotspots, que hoje somam cerca de 2,5 mil em todo o território nacional, são apenas parte deste mercado.
?Os hotspots são apenas a ponta do iceberg. A utilização do Wi-Fi está sendo ampliada em residências e corporações e é importante ressaltar que esta tecnologia permite a conectividade não apenas de PCs, mas de qualquer equipamento eletro-eletrônico. A Intel vai continuar com iniciativas para promover essa tecnologia porque a gente acredita que a partir do momento em que o cordão umbilical é cortado, o homem torna-se móvel e não precisa mais ficar preso aos fios?.