
O WNews realizou uma enquete sobre sistemas operacionais e constatou que 5,8% das pessoas que disseram utilizar Linux gostariam de migrar para Windows. Já 9,2% dos usuários do sistema da Microsoft querem trocar para o pingüim. Mas o que há de tão diferente entre esses dois sistemas, do ponto de vista do usuário?
Em linhas gerais, o Windows é um produto privado, desenvolvido e melhorado para se adaptar às necessidades do consumidor que irá comprá-lo. Já o Linux é um sistema de código aberto, desenvolvido em comunidade por pessoas de todo o mundo. André Machado, jornalista e autor de publicações sobre Linux, explica que, do ponto de vista do usuário, o Windows acaba superando o Linux em alguns aspectos por causa do seu peso mercadológico. ?O Windows conta com uma base instalada que ocupa 90% do mercado e já está culturalmente inserido no hábito das pessoas?, analisa.
Destaque
Para Julio Battisti, especialista em Windows e autor de livros sobre o tema, o principal benefício do sistema da Microsoft é sua interface amigável. ?O usuário já está acostumado com o Windows, com a metáfora de pastas e sub-pastas. Os aplicativos Linux ainda não estão no mesmo nível de facilidade para o usuário comum?, opina.
Em contrapartida, o grande trunfo do Linux é a segurança. O desenvolvedor Hélio Chissini explica que no Linux o usuário não tem acesso direto às principais áreas críticas da máquina, reservadas ao super usuário. ?Isso evita que erros - seja um programa mal intencionado ou um acidente causado pelo próprio usuário - afetem o comportamento da máquina e áreas críticas?, diz.
Calcanhar de Aquiles
Na opinião de Battisti, o custo da licença do Windows já representa uma barreira, provocando antipatia dos usuários. Outro problema é a dificuldade de configuração de alguns aspectos do sistema, entre eles a segurança. Isso, de acordo com o especialista, causa falsa impressão de que o Windows tem mais falhas de segurança. ?Ele pode ser tão seguro quanto qualquer outro sistema, desde que sejam feitas as devidas configurações. Porém, para o usuário comum, é muito difícil aprender todas as configurações necessárias?, admite.
Segundo Chissini, o Linux perde espaço porque há apenas cinco anos apresenta interfaces modernas e amigáveis. ?Mesmo sendo falhos, outros sistemas operacionais que têm interface embutida ganharam uma base de experiência adquirida e criaram hábitos nos usuários?, pondera. Segundo o desenvolvedor, uma fraqueza do sistema do Pingüim é em relação ao mercado de jogos. ?Ainda não há grandes produtoras desenvolvendo jogos que sejam híbridos para plataformas Windows, Apple e Linux?, lamenta Chissini.
O que é verdade e o que é mito
De acordo com André Machado, o maior mito sobre o Linux é a dificuldade de instalação, o que, segundo ele, é coisa do passado. ?Atualmente existem CDs programados para reconhecer periféricos automaticamente. E durante a instalação o usuário pode escolher a forma a melhor forma de navegação?, revela.
Chissini diz que o principal mito em relação ao Linux é a adaptação do usuário, o que, para ele, é uma questão cultural. ?Um usuário novo, que não teve contato com computadores e não tem hábitos pré-definidos se adaptará facilmente. No caso de pessoas em transição de desktops, seja da Apple, OS/2 ou Windows, elas podem se sentir frustradas quando não conseguirem obter o mesmo resultado como antes", analisa.
Machado acredita que há espaço para os dois produtos no mercado e quem tem a ganhar com isso é o usuário. Battisti concorda e acrescenta: ?O surgimento do software Livre ajudou o Windows quando despertou a Microsoft para questões importantes, como segurança. Além disso, a Microsoft investiu ainda mais no principal ponto forte do Windows, que é a facilidade de uso?, analisa.