A xilogravura é a forma de gravura mais antiga que se conhece, genericamente denominada de gravura em relevo. A matriz de madeira é entalhada de forma que a imagem fique em alto relevo. A impressão pode ser manual, friccionando-se uma colher de madeira sobre o papel, e também com prelo ou prensa vertical. A impressão sobre tecido já era conhecida antes do século 14, mas foi com o aparecimento do livro impresso que a xilogravura se desenvolveu no Ocidente, contribuindo para a difusão do conhecimento. Depois da invenção da imprensa, criou-se uma demanda muito grande por imagens para os livros, que passaram a ser multiplicados. A reprodução através de madeira gravada passou a ser um substituto muito vantajoso ao desenho manual. As técnicas foram se desenvolvendo e criando sofisticação.
É engano pensar que essa é uma técnica rudimentar. Alguns trabalhos desmentem essa noção de simplicidade, no Nordeste esta técnica foi difundida associada à Literatura de Cordel, uma vez que a partir do final do Século XIX passaram a ser utilizadas na produção de capas dos folhetos. Anteriormente, a xilogravura tinha uso considerado "menos nobre", como a confecção de rótulos de garrafas de cachaça e outros produtos.
origem da xilogravura nordestina até hoje é ignorada. Acredita-se que os missionários portugueses tenham ensinado sua técnica aos brasilíndios, como uma atividade extra-catequese, partindo do princípio religioso que defende a necessidade de ocupar as mãos para que a mente não fique livre, sujeita aos maus pensamentos, e ao pecado.
As matrizes para a impressão das ilustrações são talhadas em madeira mole (o cajá, por exemplo), geralmente pelos próprios autores das histórias de Cordel que utilizam apenas um canivete ou faca doméstica bem amolados. Na década de 1960, depois que intelectuais e pesquisadores passaram a publicar luxuosos álbuns de gravuras produzidas por artistas populares do Nordeste, a xilogravura nordestina ganhou status de arte e projeção nacional e internacional. Entre os maiores xilogravuristas pernambucanos, estão DILA e J. Borges.
Ao longo dos anos, a gravura permitiu ampla difusão do conhecimento científico, cultural, histórico e religioso, ganhando, por isso, o status de ?a arte generosa?.
Fonte : Jornal Novas Técnicas
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